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A Última Coisa que Ele Queria | Crítica

A Última Coisa que Ele Queria | Crítica

A Última Coisa que Ele Queria (The Last Thing He Wanted)

Ano: 2020

Direção: Dee Rees

Roteiro: Dee Rees, Marco Villalobos

Elenco: Anne Hathaway, Ben Affleck, Rosie Perez, Edi Gathegi, Mel Rodriguez, Toby Jones, Willem Dafoe

Thriller político, como o nome já indica, é um subgênero baseado em tensão. Normalmente, os protagonistas estão emaranhados em uma trama secreta que leva até uma conspiração com nomes poderosos, não podem confiar em ninguém e estão constantemente sendo perseguidos. Claro que outros elementos são importantes, como atuações, ritmo e roteiro, mas é a tensão que dita um filme do gênero. E é justamente isso que falta em A Última Coisa que Ele Queria.

Baseado no livro homônimo de Joan Didion, a nova produção da Netflix falha em todas as competências. O único aspecto redentor do filme são as atuações de Anne Hathaway e Willem Dafoe, que fazem o que conseguem com um material tão limitado — Ben Affleck, no entanto, fica sem ter o que fazer na maior parte das quase duas horas monótonas de duração.

O enredo segue Elena McMahon (Hathaway), uma obstinada jornalista investigativa do Washington Post, que, ao invés de estar cobrindo as eleições presidenciais de 1984, está mais preocupada com o tráfico de armas na América Central. Depois de cruzar seu caminho com Treat Morrinson (Affleck), do Departamento de Defesa norte-americano, Elena se vê no meio de uma grande conspiração quando aceita entregar armas (!) no Nicarágua no lugar de seu pai enfermo, Richard (Dafoe).

Todos os elementos que resultam em um bom thriller político estão presentes em A Última Coisa que Ele Queria, mas as peças nunca encaixam. Não existe o menor senso de conflito na narrativa, parte disso se dá pela falta de reações de Elena, que passa por tiroteios e outra situações difíceis quase sem mudar de expressão facial. Cenas que deveriam passar uma sensação de urgência não são capazes de transmitir nada além de tédio — existem apenas duas sequências que conseguem exprimir um mínimo de tensão, o resto falha miseravelmente.

A trama é muito esparsa e, ao mesmo tempo, complexa demais para gerar interesse. É bizarro o quanto não existe nada de ‘difícil’ no que é abordado no filme, mas a falta de ritmo ou de qualquer substância torna a experiência de assisti-lo um completo tédio incompreensível. O roteiro parece nunca estar indo a lugar algum e quando ele finalmente chega na conclusão, é uma aterrissagem tão mal calculada que choca mais por ter sido idiota do que no nível de choque que os envolvidos com a produção esperavam.

Dee Rees, que dirigiu os elogiadíssimos Pária e Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississipi, não poderia fazer nada para salvar o roteiro que co-escreveu com Marco Villalobos. Sua direção é pouco inspirada e esquecível como todos os outros aspectos do longa. Os diálogos não investem e as cenas de ação apenas acontecem. Elementos ou não levam a nada ou demoram para serem introduzidos. A desavença entre Elena e o pai some no primeiro ato, um conflito com a filha é apresentado apenas depois da metade do segundo ato e, quando chega à uma conclusão que deveria ser emocional, não convence.

Aqueles que conseguirem chegar ao final do filme receberão uma surpresa. Não uma boa surpresa, uma bem idiota. Depois de resolver o mistério (se é que dá pra considerar um) da identidade do enigmático Max Epperson, A Última Coisa que Ele Queria mostra a que veio: um final arrastado com uma reviravolta improvável e sem qualquer tipo de recompensa para o pobre espectador que acabou de perder quase duas horas de vida assistindo ao longa. Mesmo que o filme tente justificar a virada no roteiro com flashbacks que reposicionam os personagens, não existe salvação alguma.

É quase irônico que a Netflix lance essa bomba logo depois de uma leva excelente com ótimos filmes como O Irlandês, Dois Papas e História de um Casamento. A regra ficou clara. Se a plataforma de streaming disponibilizou uma produção com uma diretora renomada e atores famosos sem tentar a temporada de premiações é porque ela mesmo sabe o fracasso que tem em mãos. Fique esperto.

Nota:



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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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