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Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica | Crítica

Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica | Crítica

Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica (Onward)

Ano: 2020

Direção: Dan Scanlon

Roteiro: Dan Scanlon, Jason Headley, Keith Bunin

Elenco (vozes originais): Tom Holland, Chris Pratt, Julia Louis-Dreyfus, Octavia Spencer

As mentes por trás da Pixar são geniais, para dizer o mínimo. Os criativos do estúdio parecem enxergar o mundo de uma maneira que nós, meros mortais, não conseguimos. E, geralmente, quando esses caras transportam essas histórias, quase sempre mágicas, para as telonas, a experiência é incrível. No entanto, há alguns anos, mais precisamente em 2011, com Carros 2, a empresa começou a cometer alguns deslizes (perdoáveis, mas deslizes), mostrando que até mesmo ela poderia errar.

Tendo em mente que a Pixar não era à prova de falhas, Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica não parecia ser um dos projetos mais promissores do estúdio. Primeiramente, Dan Scalon, responsável pelo divertido, porém desnecessário Universidade Monstros, foi o escalado para comandar a primeira aventura de 2020 da Pixar — ainda neste ano, teremos Soul, dirigido por ninguém menos que Pete Docter. E isso não é um bom sinal, pois, da outra vez em que dois filmes do estúdio foram lançados no mesmo ano, em 2015, ganhamos o brilhante Divertida Mente (justamente de Docter) e o sofrível O Bom Dinossauro (de Peter Sohn, um cineasta pouco experiente). Olha a coincidência…

O time responsável pelo roteiro da produção também não empolgou: além de Scalon, os pouco experientes Jason Headley e Keith Bunin assinaram o script do longa, mostrando que a aventura estava servindo quase como uma espécie de laboratório para novos criativos. E, claro, o trailer pouco empolgante fez com que o filme não entrasse na lista dos mais esperados do ano. Longe disso. Felizmente, Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica chegou contrariando todos os que não estavam apostando na animação.

Com as vozes de Tom Holland e Chris Pratt, que dão vida aos irmãos do título, o novo longa da Pixar apresenta aos espectadores um mundo fantástico, recheado de fadas, elfos e unicórnios que, conforme a tecnologia foi chegando, foi se esquecendo da magia. Tudo muda quando, no aniversário de 16 anos do introvertido Ian (Holland), o pai do garoto, que morreu antes que este conseguisse guardar qualquer memória, deixa um cajado mágico para ele e seu irmão mais velho Barley (Pratt). Com o artefato, os dois jovens poderão realizar um encantamento para trazer o seu progenitor de volta por um dia. No entanto, o feitiço fica pela metade (literalmente) e, com isso, a dupla precisará enfrentar ‘uma jornada fantástica’ contra o tempo para poder completar a magia.

Dentro deste cenário, somos apresentados a uma série de personagens cativantes, das mais diversas espécies, e que, certamente, entrarão facilmente no imaginário das crianças — e nos baús de brinquedos. É como se Bright, da Netflix, tivesse dado certo. Mas o que torna tudo mais interessante é que a Pixar utilizou seres mágicos, distantes da nossa realidade, para contar uma história presente em um enorme número de lares do nosso mundo, expondo para as crianças — e adultos — as diversas configurações de famílias, em que o arranjo é modificado na falta de um dos membros, com mães e irmãos se revezando para suprir a ausência de um pai, por exemplo.

Assim, com um tema forte e potencialmente emocionante, Scalon, primeiramente, diverte o público com uma aventura cheia de cores, magias, personagens divertidos e muitas risadas — neste meio tempo, temos algumas facilitações no roteiro e, até mesmo, um breve período tedioso, mas que não duram muito e são facilmente esquecidos com um terceiro ato arrebatador. Sim, o desfecho de Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica é digno do hall dos melhores finais não apenas da Pixar, mas de todas as animações.

Emocionante, o clímax do filme dialoga perfeitamente com os dias atuais, fazendo com que o inesperado faça muito mais sentido do que o final que vinha se desenhando — não vou seguir contando para não dar spoiler, mas é lindo e corajoso. Assim, a animação faz um serviço ao mostrar o quão cada família pode ser perfeita do jeitinho que ela é, valorizando o esforço que cada componente faz para suprir a falta de outro. A Pixar nos levou a um mundo distinto, cheio de criaturas fantásticas, para passar uma mensagem atual e cheia de significado. Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica é uma maravilhosa homenagem ao amor fraternal e ao diferente, merecendo ser visto por todas as famílias, independentemente de suas configurações. Prepare os lenços e embarque sem medo nessa jornada. Ela é, realmente, fantástica.

Nota:


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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Comments

  1. […] Como era esperado, este final de semana registrou uma queda drástica de arrecadação, devido à pandemia de coronavírus. Assim, em seu segundo final de semana em cartaz, Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica seguiu no topo das bilheterias norte-americanas, mas com uma baixa arrecadação de apenas US$ 10,53 milhões — uma diminuição de 73,1% em relação à semana passada. Agora, domesticamente, a produção conta com um bilheteria de US$ 60,29 milhões. Mundialmente, o longa soma US$ 101,69 milhões. Leia a nossa crítica aqui! […]

  2. […] Leia a crítica de Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica! […]

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