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Pokémon: Mewtwo Contra-Ataca – Evolução | Crítica

Pokémon: Mewtwo Contra-Ataca – Evolução | Crítica

Pokémon: Mewtwo Contra-Ataca – Evolução (Pokémon: Mewtwo Strikes Back – Evolution)

Ano: 2020

Direção: Kunihiko Yuyama

Roteiro: Takeshi Shudo

Elenco (vozes nacionais): Charles Emmanuel, Guilherme Briggs, Aline Guioli, Sérgio Cantú, Flávia Saddy, Thiago Fagundes, Sérgio Stern

Quem nasceu por volta de 1990 talvez esteja prestes a passar por uma sensação esquisita de déjà vu com o lançamento Pokémon: Mewtwo Contra-Ataca – Evolução, um remake da Netflix do primeiro longa da franquia de monstrinhos, que foi lançado em 1998. A nova animação apresenta exatamente a mesma ficha técnica da antiga, contando com o estúdio OLM, Inc, direção de Kunihiko Yuyama (diretor-chefe da série de desenho animado para televisão), roteiro de Takeshi Shudo e trilha sonora por Shinji Miyazaki

Por ter os produtores originais, é de se esperar que o novo Pokémon seja tão emocionante quanto seu antecessor. Então, por que será que, ao assisti-lo, sentimos algo mais próximo de estranheza do que identificação? Pode ser que isso seja um sentimento ligado à nostalgia pela primeira obra, que tem como maior diferença o fato de ter sido realizada em animação 2D, afinal, o filme da Netflix tem como base a criação do universo do desenho em CGI. Entretanto, há de pensar se mesmo as crianças de agora, que acompanham a nova geração do anime, não vão estranhar essa mudança estética, já que a série animada segue sendo produzida sem tal tecnologia.

Outro fator que afasta o longa da empatia do público é a mudança do cast de dublagem nacional dos personagens. Os monstrinhos seguem com suas vozes inalteradas, até mesmo Mewtwo, que possui fala humana e é novamente interpretado pelo rei dos dubladores, Guilherme Briggs. No entanto, Ash, Misty, Brock e personagens secundários perderam suas identidades com a escalação de outros profissionais para os papéis, e, não me entenda mal, a dublagem brasileira é uma das melhores do mundo e está super bem executada no filme, porém, soa como se Pokémon: Mewtwo Contra-Ataca – Evolução fosse apenas uma fanfic do original e não o retorno dos personagens que tanto nos cativaram na infância. E isso tudo é curioso porque, aparentemente, isto aconteceu apenas aqui no Brasil — o Japão, por outro lado, manteve seu elenco inicial. 

O protagonista de Pokémon, Ash Ketchum, já havia tido sua dublagem alterada após a mudança de Fábio Lucindo para Portugal, com a entrada de Charles Emmanuel em seu lugar. Porém, é notável que durante a série Pokémon XY&Z, Emmanuel tenta reproduzir uma sonoridade próxima da voz de Lucindo, que diverge em parte, mas ainda funciona. Já no novo longa, sua voz está totalmente diferente e não remete nem um pouco ao personagem.

Quanto à animação, o sentimento é de que se está assistindo a um videogame da franquia, pois é bem semelhante a alguns jogos lançados recentemente como Pokémon GO para mobile e Pokémon: Let’s Go do Nintendo Switch. O desenho até é bonito, mas sua qualidade não é das melhores, porque não teve grande aprimoramento visual. Tudo na tela tem a mesma textura. A pele dos personagens e suas roupas, por exemplo, parecem todas serem feitas da mesma matéria lisa, não há distinção, aparenta quase como se fossem bonecos de plástico. A única característica que foi realmente bem desenvolvida é a aplicação de luz e sombra e alguns efeitos especiais de poder.

Com essa estética rasa, parece que o longa perde um pouco da emoção que poderia causar, mesmo que seu enredo seja exatamente o mesmo que a produção noventista. Quantas pessoas não choraram com a clássica cena de Ash salvando Pikachu e tendo um final trágico ao tomar o golpe pelo amigo? No novo filme, o sentimento pela cena parece se dissipar rapidamente, não há a mesma sensação de desespero, talvez por estar falando em uma posição adulta, mas realmente acredito que é pelo conteúdo como um todo não representar o anime clássico e todas suas particularidades.

Nota:


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Designer de moda e redatora gaúcha, vivendo em São Paulo. Interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Por ser uma romancista entusiasta, curte assistir adaptações literárias para o cinema, e pela ligação acadêmica com figurino, longas de época ocupam o topo da sua lista de filmes favoritos. Além disso, possui o super poder de guardar com facilidade nomes de artistas e apontar suas participações em produções.

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