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Hunters – 1ª temporada | Crítica

Hunters – 1ª temporada | Crítica

Hunters 

Temporada: 1ª 

Ano: 2020

Criação: David Weil

Elenco: Logan Lerman, Jerrika Hinton, Lena Olin, Saul Rubinek, Carol Kane, Josh Radnor, Greg Austin, Tiffany Boone, Louis Ozawa, Kate Mulvany, Dylan Baker, Al Pacino

E se nazistas, disfarçados, fossem para longe da Europa após amargar uma derrota colossal durante a Segunda Guerra Mundial? Durante décadas, existiu uma teoria conspiratória de que membros do alto escalão do Partido Nazista vieram pro lado de cá do mundo e viviam infiltrados. Nos anos 1970, um grupo de caçadores de nazistas provou que essa teoria não era apenas real, como também mostrou que era algo ainda maior do que o especulado. A Operação Paperclip foi descoberta e, hoje, serve como pano de fundo para Hunters, seriado da Amazon Prime Video que é bem intencionado, mas não faz jus à sua promessa.

Jonah Heidelbaum (Logan Lerman) é um jovem de 19 anos que vive sofrendo bullying por ter ascendência judia, e sua única família é sua avó, uma sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz. Até que um dia, o rapaz a vê ser assassinada dentro de sua própria casa e levanta suspeitas do que ela poderia ter feito para alguém a querer morta. Isso leva Jonah até Meyer Offerman (Al Pacino), um filantropo que conheceu a falecida em Auschwitz e com quem rastreava nazistas pelos Estados Unidos.

A premissa da série, de um grupo de judeus caçando nazistas nos anos 1970 pelos EUA afora, é muito boa. Parte do show foi inspirada na vida de David Weil, principal roteirista e showrunner de Hunters, cuja avó também foi uma sobrevivente do Holocausto. No entanto, apesar da boa intenção, a série não sabe o que quer. Ora relembra porque os horrores do nazismo não podem ser esquecidos, ora quer ser um pastiche tarantinesco sobre um assunto muito sério.

Hunters possui sequências catárticas no decorrer de seus 10 longos episódios, com a cena do xadrez humano como uma das mais memoráveis – e isso não é um elogio. Esse momento em específico, assim como vários outros, relembra o espectador da brutalidade do regime promovido por Hitler, mas sua execução é tão caricata que não parece ter saído de uma grande produção lançada por uma das maiores empresas do mundo.

No entanto, passada a estranheza, é possível encarar Hunters como uma mera diversão escapista. A clássica fórmula de ‘um grupo de desajustados que se unem para um bem comum’ já foi retratada diversas vezes (Guardiões da Galáxia, Aves de Rapina, The Boys) e em Hunters não é diferente. Apesar do potencial desperdiçado de alguns personagens, como é o caso de Joe Torrance (Louis Ozawa) e Lonny Flash (Josh Radnor, de How I Met Your Mother), a equipe liderada por um Al Pacino com sotaque judeu funciona em conjunto. Discussões a todo momento são esperadas e você só está por saber qual vai ser a motivação da próxima. Boas cenas de ação também fazem parte do programa. Fãs de filmes de assalto vão adorar o que Hunters tem a oferecer.

Ah, não podemos deixar de falar das atuações, em especial de Logan Lerman. Al Pacino tá sempre bem e é ótimo ver o ator veterano em cena, mas é nosso ex-Percy Jackson quem rouba a cena. Aos 28 anos, Lerman se passa facilmente por um guri nerd de 19 que acabou de ver Star Wars no cinema e começa a debater sobre como surge a maldade. O ator é bem convincente, entregando ótimos momentos que exigem carga dramática (algo em maior escala do que Lerman apresentou em As Vantagens de Ser Invisível) e outros que colidem com a própria natureza do personagem. O elenco secundário também não faz feio, e cito aqui como destaques Greg Austin, o psicopata nazista norte-americano, e Kate Mulvany, como a Irmã Harriet, uma freira que também tem seu passado traumático.

Nem todo o escapismo e nem toda atuação boa pode salvar um roteiro cheio de fragilidades. Na ânsia de preencher os 10 episódios, é perceptível como muita coisa desnecessária acabou indo para o corte final. Além disso, Hunters se apoia o tempo todo em reviravoltas e repetições, que são até legais, mas que depois começam a cansar. 

É uma pena que uma ideia tão boa foi tão desperdiçada em uma série como essa. O programa está planejado para durar cinco temporadas e, com o sucesso da primeira, é visível que a Amazon quer continuar. Mas se for para fazer novos episódios com tão pouco dinamismo, é melhor repensar, pois o público vai cansar e acabar largando o show. Além disso, o gancho na cena final é controverso, pois a série começa a dar voz a teorias conspiratórias que podem ser consideradas ridículas (olha onde chegamos com a Terra plana) ao invés de apresentar uma história alternativa ou fazer um revisionismo histórico. E isso, meus caros, é bem problemático para uma obra que não quer que as pessoas esqueçam os horrores do nazismo…

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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