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Por Lugares Incríveis | Crítica

Por Lugares Incríveis | Crítica

 Por Lugares Incríveis (All the Bright Places)

Ano: 2020

Direção: Brett Haley

Roteiro: Jennifer Niven, Liz Hannah

Elenco: Elle Fanning, Justice Smith, Alexandra Shipp, Kelli O’Hara, Virginia Gardner, Felix Mallard, Sofia Hasmik, Luke Wilson, Keegan-Michaek Key, Lamar Johnson

Tratar de suicídio em filmes é como caminhar sobre ovos, como a Netflix já sabe por experiência própria. Após as polêmicas envolvendo 13 Reasons Why (2017 – presente), que teve que até mesmo deletar postumamente sua cena mais controversa da primeira temporada. Ao contrário da famigerada série, Por Lugares Incríveis sabe trabalhar a temática com sensibilidade e sem se utilizar do choque gratuito para ganhar audiência.

O filme de Brett Haley — mais conhecido por seus trabalhos em O Herói (2017) e Corações Batendo Alto (2019) — cruza os caminhos de Violet Markey (Elle Fanning, de Malévola e Neon Demon) e de Theodore Finch (Justice Smith, de Detetive Pikachu). O personagem de Smith, ao conhecer a garota em meio à uma crise suicida, decide ajudá-la em sua depressão e durante seu período de luto, ao mesmo tempo que em que trava suas próprias batalhas psicológicas.

A história possui os mesmos ares de A Culpa É das Estrelas (2014), e também bebe da fonte de Quem Eu Era Antes de Você (2016), dois dos mais famosos filmes juvenis água-com-açúcar que tratam de temas densos com uma narrativa de esperança.  No caso de Por Lugares Incríveis, o roteiro faz um trabalho interessante de traçar um paralelo invertido entre os personagens, e as histórias avançam com sutileza e em ritmo próprio. Em dados momentos, o protagonismo entre Violet e Finch é alterado conforme é salientado o estado de saúde mental de cada um, com suas evoluções e retrocessos. No entanto, apesar de serem duas linhas narrativas complementares, o roteiro funciona com fluidez e entremeia o agridoce do relacionamento adolescente com os demônios pessoais dos personagens.

Nada disso funcionaria sem atores perfeitamente encaixados em cada papel. Fanning traz um retrato complexo de várias das etapas do luto, em uma atuação delicada e consistente. É nas nuances de Violet, no entanto, o ponto forte da atriz: suas cenas de dor suprimida e retração pelos traumas são as melhores de sua carreira, enquanto os momentos de estouro de sentimentos são ligeiramente forçados, mas nada suficientemente marcante para condenar sua performance.

Comparado ao currículo extenso de sua colega de elenco, a carreira de Justice Smith ainda engatinha desde seu primeiro papel com personagem nomeado em Cidades de Papel (2015), outro drama-romance jovem adulto. Theodore Finch é, sem dúvidas, o personagem que mais exigiu de suas habilidades, tanto por seu lado enérgico e impetuoso quanto pela tomada sombria de sua condição psicológica. O comportamento errático e as recaídas profundas do adolescente demonstram a dominância de Smith sobre o personagem, e dá sinais de que alguns anos de amadurecimento podem fazer aflorar um grande ator.

Com uma mão cautelosa, Brett Haley aliou sua direção com a escrita de Liz Hannah junto com Jennifer Niven, a própria autora do livro que deu origem à história. O filme dosa bem a maneira como doenças psíquicas são retratadas sem romancear ou desrespeitar suas vítimas. Talvez sua principal falha seja, na realidade, a verdadeira mensagem que o filme deseja passar: mesmo com a capacidade de encontrar felicidade e beleza nos lugares e situações mais ordinários e tediosos, o fim precoce de uma vida impede que se tenha um desfecho satisfatório.

Nota:


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Jornalista que migrou para a veterinária, mas sem deixar para trás as jornalices. Vive e respira horror, seja em quadrinhos, filmes, séries ou livros. Último posto de defesa da DC Comics em relação à Marvel, embora tenha que fazer vista grossa quando o papo é cinema. Fã de Heavy Metal, games single player e cospobre de carteirinha quando sobra dinheiro no final do mês.

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