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Troco em Dobro | Crítica

Troco em Dobro | Crítica

troco-em-dobro-pôster-sala-críticaTroco em Dobro (Spenser Confidential)

Ano: 2020

Direção: Peter Berg

Roteiro: Sean O’Keefe, Brian Helgeland

Elenco: Mark Wahlberg, Winston Duke, Alan Arkin, Iliza Shlesinger, Bokeem Woodbine, Michael Gaston, Brandon Scales

Troco em Dobro é um filme de ação à moda antiga. Apostando na dinâmica de uma dupla de machões (Mark Wahlberg e Winston Duke) cheios de hormônios em busca de justiça, a produção de Peter Berg (Hancock) não tem vergonha de ser o que é — o que já configura um mérito considerável. Porém, para um filme de… bem, ação; é curioso que justamente ela esteja em falta. Com sequências de ação genéricas, sem criatividade e mal executadas, Troco em Dobro não consegue entregar aquilo que ele mesmo pede que esperemos dele.

Baseado em um livro do romancista policial Ace Atkins, utilizando os personagens criados por Robert B. Parker, Troco em Dobro começa quando o ex-policial Spenser (Wahlberg, curiosamente o terceiro ator a viver o personagem) é solto da prisão após cumprir pena por ter agredido o seu antigo chefe de polícia, o corrupto John Boylan (Michael Gaston). Porém, no mesmo dia em que Spenser é solto, Boylan é assassinado, e toda a culpa recai sobre o policial Terrence Graham (Brandon Scales) — que aparece morto após aparentemente ter matado o ex-chefe e cometido suicídio. Suspeitando de uma armação da polícia, Spenser se dedica a investigar o caso e provar a inocência de Graham. Para isso, contará com a ajuda de seu companheiro de quarto, o também ex-presidiário Hawk (Duke).

Troco em Dobro depende muito da química entre Wahlberg e Duke para funcionar, e isso não falta à produção. O roteiro de Sean O’Keefe e Brian Helgeland aposta em um arco de personagens muito simples, mas que funciona pelo carisma da dupla. Inicialmente se estranhando, mas passando a se respeitar depois de descobrirem melhor um ao outro, Spenser e Hawk formam o famoso bromance regado a muita testosterona. É em sua interação, pontuada por breves momentos de tensão, que o filme cresce.

Os demais personagens não rompem os estereótipos que lhe são conferidas. A ex-namorada de de Spenser, Cissy (interpretada pela comediante Iliza Shlesinger), é a mulher neurótica; o senhor que acolhe Spenser e Hawk, Henry (Alan Arkin), é o velhinho benevolente; o vilão Driscoll (Bokeem Woodbine) é o policial corrupto. Sorte que os atores abraçam a ideia e cumprem sem vergonha seus papéis. Não é esse o problema de Troco em Dobro.

Mas a execução do diretor Peter Berg acaba falhando em elementos cruciais. Apesar de conferir razoável ritmo à narrativa, o cineasta não entrega uma ação convincente. As sequências parecem saídas de um filme do início dos anos 2000, uma época em que todos queriam imitar os cortes rápidos e a câmera trêmula de Paul Greengrass e sua Trilogia Bourne — mesmo que não possuíssem o talento do britânico. As cenas de combate físico nunca são claras, as perseguições falham pelo mau posicionamento espacial dos elementos… Falta apuro na execução e falta, especialmente, criatividade a Berg para pensar em cenas que chamem a atenção do espectador.

Com boa química entre sua dupla de protagonistas e uma trama razoavelmente envolvente, Troco em Dobro oferece entretenimento garantido para fãs do gênero. Mas a execução corriqueira e o caráter genérico da produção podem ser impeditivos para que o filme se transforme em uma franquia, como o gancho deixado ao final da produção sugere. Creio que seria necessário mais do que isso para que nos interessássemos em uma continuação.

Nota:


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Jornalista em formação, ex-membro do finado e saudoso Terra Zero e leitor de histórias em quadrinhos. Fã de ficção científica e terror, divide seu tempo livre entre o cuidado com suas dezenas de gatos e a paixão pela cultura pop. Sonha com o dia em que perceberão que arte é sim, uma forma de discutir política.

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