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Bloodshot | Crítica

Bloodshot | Crítica

Crítica de BloodshotBloodshot

Ano: 2020

Direção: David Wilson

Roteiro: Jeff Wadlow, Eric Heisserer

Elenco: Vin Diesel, Eiza Gonzalez, Guy Pearce, Talulah Riley, Toby Kebbel, Sam Heughan, Lamorne Morris, Alex Hernandez

Bloodshot não é um filme ousado. Apostando em uma estética que marcou muito o cinema de ação hollywoodiano pós-Matrix, a primeira incursão cinematográfica da Valiant Comics lança mão de uma série de clichês do gênero, entregando um produto que parece ter sido lançado fora de sua época. Apesar das intenções da produção serem evidentes, ainda mais clara é a incapacidade em sua execução.

O soldado Raymond Garrison (Vin Diesel) está em férias com sua esposa Gina (Talulah Riley) na Europa, quando ambos são sequestrados e mortos. A surpresa acontece quando Garrison é acordado pelo cientista Emil Harting (Guy Pearce) e a soldado KT (Eiza Gonzáles), e descobre que agora faz parte de um projeto governamental que aperfeiçoa soldados feridos (ou mortos), para serem utilizados em missões ultra-secretas. Porém, ao relembrar seu passado, Garrison inicia uma jornada de vingança contra aqueles que lhe tiraram tudo.

Vin Diesel parece confortável no papel, entregando os seus já característicos grunhidos e ‘carões’. Embora lhe falte, obviamente, recursos dramáticos para dar força às (raras) cenas que exigem emoção da produção, não é isso que compromete o resultado do filme. Eiza Gonzáles surge como um interessante contraponto à violência desmedida do elenco masculino, e segura boa parte das cenas em que surge graças ao visível desconforto ético com que encara o seu ‘serviço’. Lhe faltam boas momentos de ação, contudo — é inacreditável que uma das habilidades da personagem reveladas logo no início não tenham sido aproveitadas, o que é um claro indício de como o filme falha em explorar a própria premissa.

O roteiro de Bloodshot beira o pavoroso. Apesar de ter uma boa sacada na virada do primeiro para o terceiro ato, com a revelação da real natureza da ‘companhia’ que ressuscita Garret, não é possível ignorar os diálogos cafonas e sem imaginação do longa, os estereótipos canhestros que tomam conta dos personagens e as coincidências facilitadoras que imperam ao longo de boa parte de sua trama. O doutor Aldrich Kill… perdão, o doutor Emil Harting, vivido sem qualquer expressividade por Guy Pearce, é facilmente o personagem mais ridículo do longa. E a atuação de seu intérprete só não é mais constrangedora que a similaridade deste personagem com aquele que ele interpretou sete anos atrás em Homem de Ferro 3. “Temos um cientista do mal que trabalha com genética e nanotecnologia, quem vamos chamar? Guy Pearce, é claro!” Sério?

É um árduo trabalho deixar tudo isso de lado para aproveitar a ação de Bloodshot — mas é preciso dizer que nem isso funciona satisfatoriamente. A ação comandada por Dave Wilson é pedestre e mal executada. A clara falta de noção espacial do diretor americano atrapalha o entendimento de muitas cenas, sejam elas no escuro (como na cena do túnel — aliás, por que diabos os seguranças tinham dezenas de sinalizadores para fazer uma ESCOLTA?) ou mesmo durante o dia (como na perseguição do subúrbio). O uso de câmeras lentas em alternância com a velocidade normal é claramente uma opção estética, mas é difícil não imaginar que ela surge como uma maneira de tentar maquiar o mau posicionamento dos elementos da narrativa. A ação é extremamente confusa.

A falta de criatividade é tamanha que o personagem vivido por Sam Heughan surge com uma ‘roupa’ especial no terceiro ato que se assemelha imensamente ao Doutor Octopus de Homem-Aranha 2, tanto na sua funcionalidade quanto no seu ‘golpe especial’ — que, por sua vez, já era uma referência à Robocop. Mais um exemplo de como o filme não consegue apresentar personalidade e consistência em sua proposta.

Um filme de ação genérico e sem qualquer preocupação com a originalidade, Bloodshot pode até ser uma boa pedida para os fãs do gênero em busca de diversão, mas se prepare para o pior. Talvez, assim, a experiência seja menos decepcionante.

Nota:


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Jornalista em formação, ex-membro do finado e saudoso Terra Zero e leitor de histórias em quadrinhos. Fã de ficção científica e terror, divide seu tempo livre entre o cuidado com suas dezenas de gatos e a paixão pela cultura pop. Sonha com o dia em que perceberão que arte é sim, uma forma de discutir política.

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Comments

  1. […] O próximo filme da franquia, Velozes e Furiosos 9, teve sua estreia nos cinemas adiada deste ano para abril de 2021 por causa do surto de coronavírus. No entanto, Vin Diesel pode ser visto na telona em Bloodshot. Você pode conferir nossa crítica clicando aqui. […]

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