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Lost Girls: Os Crimes de Long Island | Crítica

Lost Girls: Os Crimes de Long Island | Crítica

Lost Girls: Os Crimes de Long Island (Lost Girls)

Ano: 2020

Direção: Liz Garbus

Roteiro: Michael Werwie

Elenco: Amy RyanThomasin McKenzieGabriel Byrne, Lola KirkeOona LaurenceDean WintersSarah WisserMolly Brown

Não é de hoje que crimes reais servem de fonte para contar histórias em filmes, séries e até mesmo videogames. Alguns casos obtém sucesso, como Monster: Desejo Assassino e Zodíaco, mas a maioria desses filmes são descartáveis. Infelizmente, Lost Girls: Os Crimes de Long Island se encaixa na segunda categoria, mas havia potencial para contar uma boa história.

Lost Girls acompanha Mari Gilbert (Amy Ryan), uma mulher que tem uma relação problemática com suas filhas, mas que ainda assim as ama. Um dia, sua mais velha, Shannan, acaba desaparecendo, e Mari incansavelmente começa a perseguir as autoridades locais para que façam alguma coisa relevante e encontrem sua filha. Mas existe um motivo para que os policiais locais não se esforcem: Shannan é uma profissional do sexo. Tudo muda quando descobrem corpos de outras jovens do mesmo ramo de trabalho são encontrados em uma das regiões mais ricas de Long Island.

O filme é baseado no livro Lost Girls: An Unsolved American Mystery, que é inspirado no caso real que aconteceu em 2010. Quem dirige o longa é Liz Garbus, uma prestigiada cineasta que comandou documentários como o premiado What Happened, Miss Simone?, que foi indicado ao Oscar em 2016, e Lost Girls é sua primeira empreitada em um filme não-documental. Aliás, teria funcionado melhor se este fosse um documentário.

A história do longa é muito promissora, especialmente para fãs de documentários sobre assassinatos e desaparecimentos, mas não há nada em Lost Girls que justifique sua produção fora do formato documental. O elenco tem bons nomes, como Amy Ryan, que andava sumida, Gabriel Byrne e Thomasin McKenzie, que aos 18 anos já esteve em filmes premiados como Sem Rastros e Jojo Rabbit. Apesar do bom elenco, as atuações são insossas, e não sobra espaço (salvo raras exceções) para mostrarem seu talento. Além disso, o roteiro é corrido, e Liz Garbus não consegue fazer um recorte funcional do fato real sem parecer que estamos assistindo um telefilme do canal Lifetime.

Lost Girls não é totalmente defeituoso. O filme não procura colocar a personagem de Amy Ryan como uma mãe perfeita que passa por uma injustiça do destino, como é de praxe desse tipo de produção. Mari Gilbert é uma mulher problemática, abusiva com suas filhas, que não põe filtro nas palavras. No entanto, é difícil sentir alguma empatia pela personagem, e esse talvez seja o principal problema da protagonista. Se a direção do filme tentasse fazer o público gostar de Mari, é provável que a conexão do espectador seria muito mais proveitosa.

Ao final do longa, é perceptível a sensação de que faltou algo para contar. Em uma minissérie (documental ou não) de quatro a seis episódios, a história seria muito melhor aproveitada. Não vemos os culpados pela morte das jovens sendo julgados e, mesmo no fim, quando o longa decide usar imagens reais, não dá para compreender o real propósito delas ali, e nem do filme em si. Lost Girls é, infelizmente, um desperdício de potencial para uma história trágica, que poderia levar uma mensagem de alerta ao grande público sobre como funciona a violenta indústria da prostituição.

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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