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5 documentários essenciais para quem gosta de esportes

5 documentários essenciais para quem gosta de esportes

Por Rodrigo Ramos, do Nostalgia Esportiva

Se há uma coisa que une fãs de cinema e de esporte é a nostalgia. A nostalgia dos cinéfilos e a nostalgia esportiva são fortes traços do que torna esses dois ramos do que podemos chamar atualmente de entretenimento, fenômenos culturais que mobilizam massas. É a memória sempre em formação através do conhecimento que torna esses ramos das nossas vidas tão arraigados em nós. Quando tudo isso é colocado no mesmo caldeirão, não tem erro, é golaço!

Saiba mais sobre cinco documentários essenciais para quem gosta de cinema e esporte:

1 – O.J.: Made in America (2016)

O.J.: Made in America

Quando um documentário de quase oito horas ganha um Oscar é porque ele tem algo de especial. Quando essa produção é a primeira da história dos prêmios da academia a vencer um prêmio tendo sido idealizada para a televisão é porque, provavelmente, estejamos diante de uma obra diferenciada. De fato, esse é o caso do filme com a marca da ESPN.

Muito mais do que contar a história do rumoroso caso de assassinato de uma antiga estrela do futebol americano que transcendeu sua extensão para o cinema e a cultura pop nos Estados Unidos ou falar sobre da atribulada vida de Orenthal James Simpson, o doc é uma lição ao mesmo tempo básica e profunda de como funcionam as coisas na terra do Tio Sam.

O.J., que nunca quis ser um ativista da causa afro-americana, que dizia: “Eu não sou negro, eu sou um jogador de futebol”, foi em boa parte inocentado dos assassinatos Nicole Brown e Ronald Goldman, por causa da convulsão social vivida em Los Angeles na época do julgamento. Uma cidade tomada pelo racismo, pela violência policial e devastada pelo morte brutal do jovem negro Rodney King por policiais da cidade.


2 – Senna (2010)

Senna
Nós, brasileiros, mesmo os que nasceram depois da morte de Ayrton Senna, conhecemos a lenda ou parte de história desse piloto que virou quase herói. As infindáveis matérias sobre o tricampeão do mundo em todo Dia do Trabalhador, dia de sua morte em 1994, ou em outras datas marcantes, talvez façam com que muita gente não dê o devido valor a esse registro. Pensando tratar-se de um grande Globo Repórter para gringo ver.

A obra de Asif Kapadia é muito mais do que isso. O diretor vencedor do prêmio da Academia por Amy, a história da falecida cantora inglesa Amy Winehouse, traz diversas pérolas escondidas mesmo para os mais fanáticos fãs de automobilismo, até para os sennistas mais inveterados. Depoimentos antigos de Prost, cenas de reunião de pilotos antes de provas — o chamado briefing – com Piquet tomando partido de Senna e por aí vai.

Se a sua praia não é Fórmula 1, de qualquer forma, é um documento importante para entender aquele Brasil dos anos 1990. E dentro dos inusitados momentos que ele proporciona está uma série de cenas de aventuras na água de Ayrton com a levada de Maracatu Atômico, com uma gravação da Nação Zumbi ainda na época de Chico Science. Acho que nenhum brasileiro poderia pensar nessa mistura.


3 – O Time de 92 (2013)

O Time de 92

Quem gosta de futebol europeu certamente já ouviu essa expressão que designa cinco astros do Manchester United surgidos na mesma levada nas categorias de base do clube de Old Trafford. David Beckham, Paul Scholes, Ryan Giggs e os irmãoes Gary e Phil Neville fazem parte da geração mais vencedora de um clube que tem uma das maiores torcidas do mundo, com fãs em todos os continentes e penetração especial na Ásia.

Pois foram justamente esses cinco jogadores que, aproveitando o início do futebol globalizado, levaram os Red Devils a essa condição. Além disso, a entidade foi catapultada e, por muito tempo, continuou como o clube mais rico do mundo. A febre pelo Campeonato Inglês começou justamente com essa equipe e as memoráveis disputas deles com o Arsenal.

Não espere que o documentário se resuma a algo mais que um programa esportivo com ex-jogadores falando de histórias engraçadas de vestiário. O Time de 92 traz depoimentos sérios e detalhados de como alguns desses jogadores estiveram próximos de ficar nos esquecimento. Mas em um misto de sorte e competência se mantiveram unidos e vencedores.


4 – Hitting the Apex (2015)

Hitting the Apex
Esse documentário foi bancado, produzido e tem a locução na versão original de Brad Pitt. Convenhamos que esse senhor raramente erra em suas apostas cinematográficas. Mas o documentário sobre a melhor geração de pilotos do Mundial de Motovelocidade só tem uma realização tão competente pela paixão e conhecimento de Pitt da MotoGP.

Por mais que o documentário foque em cinco pilotos de três países diferentes é impossível não associar a Itália ao filme. A glória de Valentino Rossi e a tragédia de Marco Simoncelli. Dois grandes pilotos, vindos de cidades interioranas que paravam para vê-los correr. Amigos próximos até na fatalidade que levou Simoncelli prematuramente durante uma prova na Malásia.

E um dos grandes molhos da obra está na precisa narração original do britânico Nick Harris, por décadas a voz oficial do motociclismo de competição no mundo. Na versão brasileira o trabalho das locuções dos momentos de prova é feito pelo narrador e dublador Guto Nejaim, igualmente competente. Vale a pena assistir as duas versões e comparar os estilos dos dois.


5 – Pelé Eterno (2004)

Pelé Eterno

Um legítimo filme do Pelé, mesmo que não tenha o Atleta do Século XX esbanjando seu inglês ou Stallone e toda sua habilidade com a bola redonda. Se esse filme também possa dar a impressão de mais do mesmo, tal qual ocorrer com Senna, visto a força da figura e da presença midiática de Édson Arantes do Nascimento, o documentário traz muitas novidades.

Obviamente, recheado de cenas pouco conhecidas do grande público e de certa forma beneficiado pelo distanciamento temporal da carreira de Pelé dos nossos tempos, é um registro histórico fundamental para quem quer saber mais da figura mais conhecida da história do esporte com maior número de fãs na Terra.

Para os iniciados, o momento mais aguardado e com boa realização é a lendária reprodução com ajuda de computação gráfica do famoso ‘gol mais bonito da carreira’ do maior artilheiro da história do futebol. Um gol contra o Juventus da Mooca, feito no acanhado estádio da Rua Javari, do qual não há qualquer documentação e reproduzido através de depoimentos de Pelé, de outras pessoas e dos registros jornalísticos da época.


Apesar da não acreditarmos em astrólogos, esse poderia ser o mínimo que você precisa saber para não ser um idiota em termos de esporte. Há quem diga que as versões superam os fatos. Pois bem, as narrativas de todos os documentários são sólidas e atraentes para todo e qualquer fã de esporte. E são documentários sem grandes restrições para a família brasileira.


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