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A Casa | Crítica

A Casa (Hogar)

Ano: 2020

Direção: Àlex PastorDavid Pastor

Roteiro: Àlex PastorDavid Pastor

Elenco: Javier GutiérrezMario CasasBruna CusíRuth DíazIris Vallés TorresCristian MuñozDavid Ramirez

O cinema espanhol vive uma ótima fase. Só neste ano, Dor e Glória foi indicado a dois Oscars e O Poço se tornou um sucesso de crítica e público, após ser lançado internacionalmente pela Netflix. Agora, a plataforma de streaming lança A Casa, um suspense protagonizado pelas estrelas locais Javier Gutiérrez (que esteve em Assassin’s Creed) e Mario Casas (do sucesso Um Contratempo), sobre um publicitário falido em Barcelona.

A premissa de A Casa é básica. Javier Muñoz (Javier Gutiérrez) é uma lenda da propaganda na Espanha, tendo trabalhado em diversas campanhas de sucesso desde os anos 90, mas seus últimos trabalhos o levaram à demissão. A cada entrevista de emprego, ele perde mais suas esperanças de dar uma vida digna à sua esposa Marga (Ruth Díaz) e ao seu filho Dani (Cristian Muñoz). Para não falir, opta por mudar para uma casa mais barata, muito a contragosto, já que ele era apaixonado por seu apartamento de luxo. Javier não consegue se acostumar e começa a voltar à sua antiga moradia, mantendo segredo da sua esposa e dos atuais moradores, até que surge uma estranha obsessão por Tomás (Mario Casas), o chefe da família que agora reside em seu antigo apartamento.

É nessa obsessão que está o ponto alto do filme. Javier desenvolve um comportamento sociopata em relação a Tomás. Aos poucos, o personagem de Gutiérrez se aproxima do homem bem-sucedido vivido por Casas, fingindo ser um viciado para se adentrar cada vez mais na vida de Tomás. Com o decorrer do filme, descobrimos qual a real intenção de Javier: ele quer estar no lugar Tomás. Cria situações destrutivas para todos ao seu redor e até para si mesmo, começa a virar o jogo para colocar Tomás como vilão da história toda, percebendo que tem mais controle sobre a família ‘intrusa’ do que sobre a própria.

Mesmo com um ótimo roteiro (com poucos deslizes ao final) e uma direção bastante eficaz, A Casa não seria a mesma coisa se não fosse as atuações da dupla protagonista. Javier Gutiérrez entrega um excelente trabalho como um homem que não quer fracassar, e Mario Casas também está ótimo como um pai de família que percebe que a está perdendo. Ambos parecem entender muito bem os personagens complexos e cheios de camadas que interpretam, especialmente em um filme com um tema (o indivíduo que mente compulsivamente para atingir seus objetivos antiéticos) já tratado tantas vezes no cinema, em obras como Garota Exemplar e o já citado Um Contratempo.

Depois de dois atos sólidos, o filme começa a cair de qualidade no terceiro. A resolução para a jornada obsessiva de Javier é engenhosa, mas bastante corrida. Uns 10 minutos adicionais fariam bem para o longa. Outro problema é como o filme retrata Javier como uma pessoa à prova de falhas. Todos os seus planos dão certos, como se, depois de tanto fracasso na vida, ele merecesse tal sucesso mesmo passando por cima de inocentes. Apesar dessas falhas, o resultado final não é comprometido por completo, sendo um filme que prende facilmente a atenção do espectador.

A mensagem final de A Casa é que ninguém é confiável, por mais amigável e inofensiva que a pessoa pareça. Além disso, é sempre bom ver que premissas simples rendem filmes que servem como puro entretenimento e até mesmo para refletir sobre nossas ações. Com a ascensão do cinema espanhol cada vez mais evidente no mundo, muito disso graças à Netflix, é de se esperar que A Casa faça muito sucesso, e tomara que continue abrindo portas para filmes interessantes como este.

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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