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Por que as produções espanholas fazem tanto sucesso na Netflix?

Por que as produções espanholas fazem tanto sucesso na Netflix?

A Netflix vem empilhando sucessos espanhóis no Brasil. Recentemente, produções como O Poço, Toy Boy e A Casa se tornaram grandes hits da plataforma de streaming, figurando por vários dias nas primeiras posições do Top 10 do serviço.

Mas o que explica esse sucesso todo das produções espanholas em terras tupiniquins? Bom, primeiramente, devemos voltar alguns (não tão poucos) anos no passado. Produções oriundas de países latinos sempre estiveram presentes no dia a dia do povo brasileiro, vide Chaves, Maria do Bairro, Rebelde, A Usurpadora e tantos outras atrações vindas do México e exibidas pelo SBT.

É interessante que muitos desses programas fizeram até mais sucesso no Brasil do que em seu país de origem — o seriado de Roberto Bolaños, por exemplo, até hoje é um grande coringa da emissora de Silvio Santos e, recentemente, foi comprado também pelo Multishow. Sempre com bons números de audiência, décadas depois de seu lançamento e com episódios que a gente conhece de cor e salteado.

Ou seja, atrações produzidas no México sempre tiveram uma boa abertura no Brasil, por mais que fossem exibidas dubladas por aqui. No entanto, desde Rebelde, na década passada, não tivemos outro grande novo hit espanhol no Brasil — apenas Chaves segue firme e forte. Eis que chegou a era do streaming e, com ela, o retorno do espanhol ao País.

Com a estreia de Narcos, em 2015, na Netflix, o brasileiro redescobriu as produções estrangeiras de fora do eixo EUA-Inglaterra, desta vez sendo proferido por Wagner Moura. A série foi muito bem por aqui e, além disso, abriu uma possibilidade que na TV aberta não havia: assistir ao programa legendado. Assim, além da trama, nos aproximamos mais do idioma.

Apesar do seriado sobre Pablo Escobar ter feito sucesso, foi com La Casa de Papel que o espanhol invadiu o Brasil. De 2018 para cá, quando a atração criada por Álex Pina estreou, a Netflix começou a acumular sucessos em seu catálogo, originais ou não. Nos últimos dois anos, as séries Elite, Vis a Vis, As Telefonistas, Merlí e Toy Boy se tornaram pops na plataforma, além de filmes como Um Contratempo, Durante a Tormenta e os recentes O Poço e A Casa.

Mas o que faz com que essas produções sejam tão badaladas, uma vez que nem todas são grandes êxitos de crítica? Bem, nas séries, vemos diversos elementos que seduzem os brasileiros. Primeiramente, temos narrativas com muito drama, traição, sensualidade e, claro, sexo — inclusive, isso é tão importante que, no meio do maior assalto da história, em La Casa de Papel, tivemos várias cenas picantes, que não faziam nenhum sentido. É este, talvez, o principal ingrediente desta mistura que seduz o povo latino.

A trama, sempre cheia de intrigas e reviravoltas, faz com que fiquemos ansiosos para consumir cada vez mais, afinal, precisamos saber o que acontecerá a seguir com aqueles personagens intensos. Esse lado humano, cheio de falhas e paixões acaloradas, que fazem com que o espectador latino — vale lembrar que nós, brasileiros, também somos latinos — se identifique, por mais que as situações advindas disso sejam um tanto quanto inverossímeis.

Além disso, temos o nosso lado noveleiro, desde que nascemos. As séries espanholas, conseguem ser, praticamente, novelas menores, com temáticas diferentes das que estamos acostumados, mas com os mesmos elementos que fazem com que adoremos os folhetins da Globo, por exemplo. Sempre dá para encaixar uma traição, um drama familiar, uns beijos proibidos…

E os filmes espanhóis? Bem, estes trazem como grande trunfo os plot twists — Um Contratempo, por exemplo, talvez seja o longa com mais reviravoltas dos últimos anos. E isso faz com que rapidamente o longa viralize pelas redes sociais, por ter um ‘final surpreendente’. O Poço, por sua vez, conseguiu ainda trazer uma boa ficção científica para esta mistura.

Claro, não podemos deixar de lado que a indústria cinematográfica da Espanha está indo muito bem, obrigado, produzindo filmes e séries com muita qualidade técnica. E, pela Netflix, ela consegue chegar ao nosso radar, pois, no cinema, o brasileiro dificilmente vai pagar para assistir a produções que não tenham um alto investimento em marketing por aqui. Logo, A Casa, por exemplo, jamais conseguiria ser competitivo nas nossas telonas e, possivelmente, passaria batido em nosso mercado se não fosse o serviço de streaming.

Assim sendo, a Netflix encontrou uma forma de encurtar o caminho entre os brasileiros (e o mundo) com as atrações espanholas, que conseguem se comunicar bem com diversas culturas.Produções estas que estavam fadadas a ficarem restritas ao seu país de origem, com pouco avanço em outros territórios. Com isso, temos acesso a um vasto cardápio de filmes e séries de boa qualidade disponível, nos tirando apenas do viciado consumo do audiovisual norte-americano. O que é ótimo, afinal, estamos mais próximos do espanhol do que do inglês, não é mesmo?


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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