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A Marca do Demônio | Crítica

A Marca do Demônio | Crítica

A Marca do Demônio (La Marca del Demonio)

Ano: 2020

Direção: Diego Cohen

Roteiro: Rubén Escalante Méndez

Elenco: Eduardo Noriega, Eivaut Rischen, Lumi Cavazos, Nicolasa Ortíz Monasterio, Omar Fierro, Arantza Ruiz

Um filme de terror não precisa assustar para ser bom, é um mito muito grande perpetuado por aqueles que amam jump scares para pularem na cadeira. Na falta de susto, um horror precisa apostar na atmosfera, na tensão, no medo do desconhecido. É preciso deixar o espectador suficientemente tenso e investido na história para contar uma boa história de terror. A Marca do Demônio, nova produção original Netflix, não faz nenhum dos dois, enquanto tenta matar todo mundo de tédio.

O enredo acompanha as irmãs Fernanda (Nicolasa Ortíz Monasterio) e Camila de la Cueva (Arantza Ruiz), que têm a brilhante ideia de ler o sumério do Necronomicon, o livro dos mortos, trazido para estudos pela mãe, Cecilia (Lumi Cavazos) — afinal, o que poderia dar errado? Quando Camila é possuída por um daqueles demônios que convenientemente deixam de se manifestar quando tem alguém por perto, Fernanda pesquisa ‘sacerdotes exorcistas clandestinos’ no Google (não sabia? Não existem sacerdotes com permissão de realizar exorcismo no México) e contrata o padre Tomás (Eduardo Noriega) para lidar com o espírito que atormenta a irmã.

Perdido em algum ponto da narrativa está Karl Nüni (Eivaut Rischen), um adulto perturbado por viver com um demônio preso dentro do próprio corpo que passa seus dias se afogando em drogas e sexo com prostitutas. Karl foi possuído quando crianças e abandonado pelos menonitas, antes de ser resgatado por Padre Tomás — o que não explica porque ele ainda se veste como amish mais de 20 anos depois. Em teoria, a trama de Karl é a parte mais interessante do roteiro, ainda sendo insuportável de chata. Imagina o resto do filme.

Absolutamente, nada prende o interesse em A Marca do Demônio. Nada. Apesar de ter apenas 1h40 de duração, o longa é arrastado e interminável. E, o maior crime, o terror não dá medo algum. Existem apenas três jump scares falsos, aqueles em que o personagem se assusta com uma pessoa indo ir falar com ele ou algum gato passando, e mais nada. As possessões são sem graça, Não tem tensão, horror ou interesse. Grande parte disso se dá porque os personagens são todos chatos, não tem como se importar com nenhum deles. Logo, quando um está em perigo, você não teme pela vida dele porque você não dá a mínima.

O script é uma colagem de todo clichê de terror de espírito já visto. A única coisa suficientemente inovadora é a adição de Karl, mas como isso falha miseravelmente, o filme afunda como uma obra genérica e esquecível. A direção de Diego Cohen também colabora para o desastre. Depois de começar com três lentas tomadas aéreas, a montagem consegue ser ruim em diálogos, o que deveria ser básico.  E em momentos mais intensos, com pessoas possuídas tocando o terror, a edição beira a incompreensão, de tamanha bagunça. O sangue também é bem falso e pouco convincente. Enquanto a produção tem um orçamento visivelmente baixo, não se torna justificativa, já que existem vários longas de baixíssimo custo que não são amadoras quanto esta.

O roteiro, escrito por Rubén Escalante Méndez, por vezes trai sua própria lógica. A família inteira vê o medalhão de Camila queimar a própria pele dele e tirar sangue, mas quando levam a garota para o hospital, ninguém fala sobre o incidente (que teve a ferida 100% magicamente curada) e compram a explicação do médico de que é apenas estresse. A única redenção do filme são as atuações, que não são péssimas. Mas, mesmo que elas sejam suportáveis pela maior parte do tempo, também ficam ruins no final.

A Marca do Demônio é mais uma prova de que a plataforma de streaming não liga a mínima para os projetos em que ela cola o selo ‘Original Netflix’. E, atualmente, isso gerar desconfiança por parte do telespectador, porque a cada filme que presta, existem cinco outros produzidos pela empresa que são péssimos como esse.

Nota:


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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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Comments

  1. Esse filme é muito ruim

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