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Ozark – 3ª temporada | Crítica

Ozark – 3ª temporada | Crítica

Ozark

Temporada:

Ano: 2020

Criação: Bill DubuqueMark Williams

Elenco: Jason BatemanLaura LinneyJulia GarnerSofia Hublitz, Skylar Gaertner, Tom PelphreyLisa EmeryCharlie TahanJanet McTeerJessica Frances DukesFelix SolisJoseph SikoraMadison Thompson

O mundo do crime não é fácil. Entrar neste universo envolve uma série de fatores a se considerar. Com quem você vai se envolver? Quem pode saber das suas atividades ilícitas? Quais danos colaterais você pode sofrer? Na primeira temporada de Ozark, Marty Byrde (Jason Bateman) começou a lavar dinheiro para um cartel de drogas mexicano, e, por falta de controle, toda sua família soube dos seus negócios. A série da Netflix, agora em seu terceiro ano, leva a família Byrde a extremos que eclipsam seu protagonista, colocando Marty quase como um coadjuvante de luxo.

Após os eventos da segunda temporada, Wendy (Laura Linney), que optou por continuar naquela cidadezinha do interior do Missouri, decide expandir os negócios no mercado de cassinos. Sua experiência no ano anterior transformou Wendy em uma pessoa ambiciosa e, agora, quer que os negócios da família se tornem gradualmente legítimos, para espantar a presença do FBI no local. Com o auxílio de Helen Pierce (Janet McTeer), a advogada do cartel que dá as cartas para os Byrde, Wendy acaba se aproximando de Omar Navarro (Felix Solis), o poderoso chefão do grupo criminoso, e tenta a todo custo conseguir sua aprovação para a expansão. Com a ascensão de Wendy, Marty se sente ofuscado e busca sabotar todo tipo de atividade de sua esposa.

A terceira temporada de Ozark é, principalmente, sobre as consequências que a falta de confiança gera. Nenhum personagem acredita totalmente no outro. Wendy e Marty não têm confiança entre si, a ponto de ambos subornarem a terapeuta do casal para que ela apoie seus respectivos pontos de vista. Helen não confia em Wendy e menos ainda em Marty. Ruth (Julia Garner) não confia em Frank Jr. (Joseph Sikora), um novo parceiro nos negócios dos Byrde que chega para causar discórdia. Marty não confia em Ben (Tom Pelphrey), irmão de Wendy que começa a passar uns dias com a família. Tanta desconfiança em todos os núcleos da série geram conflitos internos e existencialistas, a ponto de os personagens se verem sem a liberdade de tomar as próprias decisões, ou com uma falsa liberdade.

Mas falando da qualidade técnica, Ozark está impecável. A nova temporada mantém a fria paleta de cores que estabeleceu a série, totalmente condizente com a desconfiança geral citada no parágrafo anterior. Os roteiros de Bill Dubuque e Mark Williams são repletos de diálogos afiados e fluídos, que se tornam naturais graças ao excelente elenco. Soa crível, por exemplo, que a Ruth de Julia Garner seja uma mulher rústica que solta mais palavrões que qualquer filme de Martin Scorsese, por mais franzina que seja. A relação que ela desenvolve com Ben é algo que entrega mais camadas à personagem, mostrando que ela é capaz de sentir o amor romântico.

Entre os novos personagens, os destaques vão para Erin (Madison Thompson), a filha de Helen que não tem a menor noção das atividades de sua mãe, mas que não tem nada de inocente; e também o já citado Ben, irmão de Wendy. Tom Pelphrey, cujo papel mais famoso até então era o Ward Meachum de Punho de Ferro, entrega um personagem que, embora sirva mais para movimentar a trama, é extremamente profundo. Ben Davis é um homem bipolar que sabe das atividades dos Byrde e se envolve com a ‘protegida’ Ruth. Isso é o bastante para se desenrolar uma sequência de desgraças em níveis alarmantes para os protagonistas. Quem mais paga pelos erros de Ben é sua própria irmã, que toma decisões irreversíveis para os negócios e, principalmente, sua família. Os episódios finais são decisivos para a relação de Wendy e Ben e mostra como ela, que no começo era apenas a ‘esposa’ do anti-herói protagonista, cresceu exponencialmente na trama.

Ao fim da terceira temporada, o fã envolvido na história vai continuar querendo saber mais do desenrolar de Ozark. Os ganchos são surpreendentes e, com alguns dos personagens atingindo seus ápices emocionais, a espera pelo quarto (que deve sair por volta do segundo semestre de 2021, se o coronavírus permitir) será demorada. O programa da Netflix, agora, faz parte do hall das grandes séries ambientadas no mundo do crime ao lado de The Sopranos, Breaking Bad e Sons of Anarchy e cabe aos roteiristas a difícil, mas não impossível, missão de manter a atração no seleto grupinho. Que venha uma quarta temporada e mais alguns Emmys para Ozark!

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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