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Vampiros – 1ª temporada | Crítica

Vampiros – 1ª temporada | Crítica

Vampiros (Vampires)

Temporada:

Ano: 2020

Criação: Benjamin Dupas, Isaure Pisani-Ferry

Elenco: Kate Moran, Mounir Amamra, Juliette Cardinski, Pierre Lottin, Dylan Robert, Oulaya Amamra, Suzanne Clément, Aliocha Schneider

Certos monstros do cinema, quando repetidos incessantemente em diversas histórias, precisam passar por certa remodelação de tempos em tempos para se manterem interessantes. Os vampiros já ganharam diversas facetas criativas para diversificar um enredo que já havia sido espremido até a exaustão. Já tivemos vampiros sem presas (Byzantium: Uma Vida Eterna), vampiros que ficam doentes se bebem sangue de pessoas que consumiram álcool ou drogas (Amantes Eternos), vampiros que brilham no sol (dispensa apresentações) e todos os outros tipos de combinações possíveis. Agora, uma nova série da Netflix busca apresentar mais uma faceta ao mito das criaturas: o genético.

Na história de Vampiros, uma família se recusa a conviver com a comunidade de sugadores de sangue parisiense: Martha Radescu (Suzanne Clément) e seus quatro filhos — os dois mais velhos vampiros e dois humanos, sendo os caçulas filhos dela com um humano. Para que não desenvolvam seus poderes e limitações vampíricas, o pai cientista desenvolveu uma medicação que deve ser tomada todos os dias. Quando Andrea Radescu (Mounir Amamra) decide parar com a medicação sem o consentimento da mãe, ele continua humano, e diz à sua irmã Doina (Oulaya Amamra) para também parar com o remédio. No entanto, o organismo de Doina reage de maneira diferente ao de Andrea, e ela se torna um ser híbrido: precisa de sangue para sobreviver, mas pode sair ao sol.

Ao contrário do que se costuma ver em outras histórias de vampiros na cultura pop, a série francesa mostra as crianças da noite como uma maldição não glamourizada. As criaturas, obrigados a se esconder, vivem como ratos entocados, e a série não trata a imortalidade como uma vantagem compensatória às dificuldades de seu estilo de vida. Os vampiros precisam de documentos falsos atualizados de tempos em tempos para conseguir transitar entre os humanos, não podem consumir nenhum alimento ou remédio (o que pode não parecer tão ruim até se precisar de um hospital) e eles podem ser mortos com bastante facilidade. A família Radescu, por viver isolada dos demais vampiros, vive na pobreza e tem que se virar sozinha para continuar fingindo que são humanos.

Embora a série possua uma abordagem criativa, ela possui poucos elementos que realmente prendem a atenção do telespectador. Seu enredo só começa a ganhar mais profundidade a partir do quarto episódio, e ainda assim ele é recheado de buracos de soluções fáceis e forçadas. As decisões dos personagens não fazem sentido na maioria das vezes, e eles agem de maneira incoerente com frequência ao longo da trama.

Esses defeitos de roteiro fazem com que as atuações sejam prejudicadas, mas isso não isenta os atores também de um trabalho sem grande expressividade. A fraquíssima protagonista Doina, em especial, independentemente da situação e de com quem contracena, não parece ser afetada por nada que ocorre ao seu redor. Esse conjunto de fatores torna os personagens de difícil apreço. Com exceção da matriarca Martha, não há nenhum personagem que gere no público uma vontade de torcer por ele. Os relacionamentos entre eles parecem tão rasos e oscilantes quanto suas personalidades, de forma que eles não se concretizam em narrativas atraentes para uma segunda temporada.

A série francesa possui um orçamento baixo se comparado a outras do mesmo estilo produzidas do outro lado do oceano, e isso se reflete em uma ambientação empobrecida e cenários desinteressantes. Apesar da dicotomia entre a vida sem luxos da família Radescu no meio dos humanos e do tradicional casarão da comunidade vampírica, todos os panoramas apresentados em Vampiros são igualmente sem charme ou destaque.  A produção traz uma série de inovações necessárias e criativas para superar a mesmice de uma história repetida à exaustão. No entanto, boas ideias sem um roteiro coeso ou personagens bem estruturados não costumam ir muito longe.

Nota:


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Jornalista que migrou para a veterinária, mas sem deixar para trás as jornalices. Vive e respira horror, seja em quadrinhos, filmes, séries ou livros. Último posto de defesa da DC Comics em relação à Marvel, embora tenha que fazer vista grossa quando o papo é cinema. Fã de Heavy Metal, games single player e cospobre de carteirinha quando sobra dinheiro no final do mês.

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