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Tales From the Loop – 1ª temporada | Crítica

Tales From the Loop – 1ª temporada | Crítica

Crítica de Tales From the LoopTales fron the Loop

Temporada:

Ano: 2020

Criação: Nathaniel Halpern 

Elenco: Abby Ryder Fortson, Rebecca Hall, Tyler Barnhardt, Daniel Zohlgadri, Duncan Joiner, Ato Essandoh, Christin Park, Nicole Law, Paul Schneider, Jonathan Pryce

Séries antológicas, aquelas em que cada episódio ou temporada conta uma história diferente, costumam se beneficiar por poder desenvolver os seus temas de vários ângulos novos. Tales From the Loop, no entanto, tem o seu próprio tipo de antologia. Os capítulos são focados em personagens novos, mas, ao mesmo tempo, conhecidos pelo público. O pai do protagonista de um episódio pode ser o principal de outro, assim como um segurança que apareceu só duas vezes pode ter o seu momento de brilhar. Essa dinâmica, mesmo que interessante, não é tão positiva quanto parece.

Baseada nas ilustrações futuristas do artista sueco Simon Stålenhag, a série é habilidosa em capturar a beleza e a melancolia das obras do autor, mas falha em criar enredos competentes. Ao longo de oito episódios, acompanhamos uma pequena cidade localizada acima do Loop, uma máquina enigmática que tem como objetivo explorar os mistérios do universo. Espalhadas pela cidade e em seus arredores, estão máquinas aparentemente quebradas e esquecidas que são capazes de fazer o impossível.

Cada capítulo segue a mesma estrutura. Um personagem está triste, encontra uma dessas máquinas que é capaz de fazer algo inacreditável e que dialoga com algum desejo profundo dele. Tudo é perfeito até que algo dá errado e o personagem acaba do mesmo jeito que começou ou pior. Apesar de levemente repetitiva, a fórmula poderia funcionar se as pessoas da cidade fossem, você sabe, interessantes. Não é o caso. Todos os protagonistas e coadjuvantes são muito chatos. Desprovidos de carisma ou qualquer emoção que não seja tristeza, é um exercício bem árduo terminar os episódios sem se importar com o que está acontecendo.

O fato dos personagens não terem mais nada o que fazer depois de serem o centro das atenções e continuarem a aparecer é um desperdício. Não existe muito desenvolvimento ou arco a ser concluído, eles simplesmente vivem algo sobrenatural e depois seguem sendo as mesmas pessoas como se nada tivesse acontecido. E quem mais perde nesse cenário são os atores, que não têm muito material com o que trabalhar. Nomes conhecidos como Rebecca Hall e Paul Schneider, bem como jovens atores, fazem o que podem. O único a não ser prejudicado é Jonathan Pryce, já que a natureza enigmática e bondosa de seu Russ, o líder do Loop, permite que o astro possa se divertir no papel.

Ainda com as situações descritas acima, Tales From the Loop ainda tem o que oferecer. Com todos os roteiros escritos por Nathaniel Halpern, conhecido por scripts de Legion e Outcast, os enredos não só caem nas mesmas armadilhas como também dividem a mesma engenhosidade. Certos momentos da série são lindíssimos e bastante emocionais, explorando a beleza que a tecnologia e a natureza humana podem proporcionar em conjunto. O quarto episódio, dirigido por ninguém menos que Andrew Stanton, de Wall-E e Procurando Nemo, é um exemplo disso. Se apenas todos os capítulos conseguissem ser bem-sucedidos assim…

Na parte técnica, a série não faz feio. O orçamento não está no mesmo nível de outras produções da Amazon, como The Boys ou The Man in the High Castle, o CGI é bem notável, mas não interessa. Enquanto minimalista enquanto ficção científica — o seriado parece ser ambientado na década de 60 ou 70 e toda a tecnologia é bem retrô —, existe uma atmosfera nostálgica. A fotografia consegue capturar momentos belíssimos com visuais poderosos que ajudam a intensificar a carga dramática do que acontece em cena. O design dos robôs e das demais máquinas é diretamente retirado as ilustrações de Stålenhag e ficam muito bem em live-action.

Fãs de mistério podem acabar se decepcionando com Tales From the Loop, pois nada nunca é explicado ou justificado. Toda pergunta que é levantada a respeito dos estranhos eventos que acontecem na cidade é deixada de lado, os personagens nunca entendem o porquê de aquilo ter acontecido, assim como a audiência. A única explicação dada é que tudo acontece por causa do Coração do Loop, um conjunto enorme de diversas rochas estranhas que fica no centro de tudo. Mas o que é o Coração em si, fica em aberto. Longe de ser uma péssima série, a nova produção da Amazon ainda deixa a desejar, nunca alcançando o seu verdadeiro potencial.

Nota:


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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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