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Um Amor, Mil Casamentos | Crítica

Um Amor, Mil Casamentos | Crítica

Crítica de Um Amor, Mil CasamentosUm Amor, Mil Casamentos (Love. Wedding. Repeat.)

Ano: 2020

Direção: Dean Craig

Roteiro: Dean Craig

Elenco: Sam Claflin, Olivia Munn, Freida Pinto, Joel Fry, Eleanor Tomlinson, Jack Farthing

Filmes em que o protagonista precisa reviver o mesmo dia diversas vezes, nos últimos tempos, têm se popularizado cada vez mais. É claro que eles não são novidades, temos como grande exemplo no passado o icônico Feitiço do Tempo, lá de 1993. No entanto, recentemente, tivemos uma série de produções repetindo a fórmula: No Limite do Amanhã, A Morte Te Dá Parabéns, Contra o Tempo e Nu, comédia estrelada por Marlon Wayans para a Netflix.

Agora, o serviço de streaming traz uma nova comédia em que, aparentemente, o mesmo dia seria repetido diversas vezes, Um Amor, Mil Casamentos. E, sim, bem como Nu, este também tem como pano de fundo um casamento. A sinopse e o título original indicavam isso, uma vez que o longa se chama Love. Wedding. Repeat. (Ame. Case. Repita., em tradução livre), inspirando-se no slogan de No Limite do Amanhã, Viva. Morra. Repita.. E, apesar de tentar se vender assim, o longa não chega a ser sobre loop temporal, mas, sim, sobre possibilidades e seus resultados.

Na trama da comédia romântica da Netflix, Jack (Sam Claflin) precisa tirar a sua irmã de uma enrascada no dia do casamento dela. E, no meio disso, ele terá que lidar com uma ex-namorada megera, uma paixonite que nunca aconteceu, um padrinho de casamento que está tendo uma crise de nervos e diversas outras pessoas problemáticas — incluindo, ele mesmo. E tudo dá bem errado quando crianças trocam os lugares dos convidados da mesa em que Jack está. Assim, o filme busca mostrar as consequências de algumas combinações desse embaralhamento de posições.

Após revelar um resultado problemático para os personagens na primeira troca de assentos, gastando boa parte da projeção, o longa passa rapidamente por outros possíveis desdobramentos, até chegar em um que será o utilizado para terminar o filme, como uma espécie de final feliz. Seria uma forma interessante de conduzir a trama. No entanto, para o espectador, a narrativa acaba virando uma espécie de E Se…, da Marvel. Ou seja: o que aconteceria se o Jack sentasse do lado desta outra pessoa? Mesmo assim, a história principal já foi contada. Não há qualquer menção de looping temporal. O protagonista não revive aquelas situações para consertar os erros. O terceiro ato é composto apenas por possibilidades que poderiam ter acontecido, mas sem qualquer tipo de acordo com o espectador para determinar qual conclusão seria a válida.

Apesar da trama ser pobre e não saber o que ela quer ser, ela é o menor dos problemas. Um Amor, Mil Casamentos conta com um leque de personagens extremamente desinteressantes, rasos e interpretados por atores medianos, mas que entregam performances abaixo de suas capacidades — provavelmente, eles sabiam no que estavam se metendo, mas queriam o cheque. Sam Claflin, que nunca foi um grande expoente de atuação, neste filme, entrega um trabalho que beira o constrangedor. O ator, nitidamente, está desconfortável com o seu papel, bem como Freida Pinto, que está no elenco apenas para ser a megera ex de Jack, com falas reduzidas a debater sobre o pênis de seu atual namorado. O comediante Joel Fry, que parece ter um timing para o humor, é prejudicado pelo roteiro e oferece situações que causam vergonha alheia. Dos artistas principais, apenas Olivia Munn consegue entregar algo próximo do razoável.

Além das atuações, o longa também sofre com falta de ritmo. As situações que deveriam trazer comicidade para a história não cumprem com o seu objetivo, sem qualquer inspiração. Dean Craig, diretor de primeira viagem, demonstra a sua falta de experiência, sem noção de como criar uma cena coerente — ou de conseguir deixar os seus atores menos constrangidos. Craig também é responsável pelo script do projeto, baseado no longa francês Plan de Table. O roteirista, que teve o seu maior trunfo com Morte no Funeral — o original e o remake —, desenvolve diálogos e situações de principiante, além de recorrer a situações forçadas para que sua história siga adiante — uma pessoa importante para a trama invadindo um casamento chique e não sendo colocada para fora para não chamar atenção? Sério? E essa é apenas uma de muitas facilitações.

Problemático, sem graça e com atuações sem inspiração, Um Amor, Mil Casamentos é mais uma obra que chega à Netflix apenas para fazer volume no catálogo, sem qualquer preocupação com a qualidade. O destino da comédia (?) romântica será cair no esquecimento, sendo somente mais um título perdido entre tantos do serviço de streaming. Uma pena, pois sempre torcemos para que uma festa de casamento seja, pelo menos, divertida. Não foi o caso.

Nota:


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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