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Freud – 1ª temporada | Crítica

Freud – 1ª temporada | Crítica

Crítica de Freud, da NetflixFreud

Temporada: 1ª

Ano: 2020

Criação: Marvin Kren, Stefan Brunner, Benjamin Hessler

Elenco: Robert Finster, Ella Rumpf, Georg Friedrich, Stefan Konarske, Anja Kling, Philipp Hochmair

A série alemã Freud é uma das novidades deste ano na Netflix e, pode-se dizer, que pelo nome ela já chama bastante atenção, afinal, tem como figura central o grande neurologista e psiquiatra Sigmund Freud. Porém, é melhor baixar as suas expectativas caso esteja esperando que a atração aborde sua vida e a criação da psicanálise, seu feito mais conhecido na medicina terapêutica. Primeiramente, é preciso dizer que o seriado é uma realidade utópica da vida de Freud, ele é de fato inspirado no início da carreira do médico, abordando algumas questões reais, mas não se trata de uma biografia, pois o verdadeiro plot do enredo é uma história inventada.

Sendo assim, a psicanálise está totalmente de fora nesta primeira temporada do seriado, até mesmo porque lida com os momentos iniciais da vida de Sigmund Freud como médico, em que estudava a hipnose como tratamento para traumas, técnica que o verdadeiro doutor abandonou depois de alguns anos por motivos como: não se considerar um bom hipnotista (assim como é visto por seus colegas de profissão na série) e ter passado a ver a tática como uma habilidade somente analgésica com potencial para dependência, partindo, então, a estudar outras vertentes analíticas. 

Entretanto, a hipnose de Freud (vivido pelo ator Robert Finster) na Netflix é o recurso principal para o andamento da história, que coloca o médico em uma posição de detetive, investigando, junto com oficiais de polícia e uma médium, uma série de assassinatos na Hungria, o que lembra um pouco o enredo de O Alienista, série lançada em 2018 pela mesma plataforma de streaming. Toda essa parte do roteiro é inventada, fora a permanência na cidade de Viena, na qual Freud apresentava suas técnicas hipnóticas sob a orientação de Josef Breuer (Merab Ninidze), personagem real que se faz presente em alguns episódios. Já no caso da médium Fleur Salomé (Ella Rumpfe), apesar de seu nome ser aparentemente inspirado na psicanalista Lou Andreas-Salomé, amiga de Freud, a origem da personagem, seus dons e seu interesse romântico pelo doutor são puramente criados para a ficção.

Os primeiros dois episódios são cansativos e soa difícil de engatar na trama, mas vale a pena dar uma chance e seguir em frente, porque, no decorrer do tempo, Freud desperta a curiosidade e, a partir de então, vai se tornando difícil de ir dormir sem saber o que o capítulo seguinte trará de novo. Apesar da hipnose ser um estudo verdadeiro, a série foge muito de sua aplicação terapêutica e adentra um roteiro que se baseia muito mais em misticismo do que em psiquiatria.

Um fato interessante que chama bastante atenção logo no começo do seriado é a fixação de Freud pelo uso desenfreado de cocaína. Apesar do vício nessa droga parecer uma ideia que poderia muito bem ter sido concebida para o show, a cocaína realmente foi uma das linhas de estudo do médico, relacionando sua utilização com o tratamento para histeria e “doenças da alma”, e fazendo consumo próprio do produto diluído em água, assim como é retratado.

Em um plano secundário, há também a representação da Família Szápary, sobrenome nobre que se faz presente nos livros de história húngara, com alguns integrantes de cargos importantes na sociedade em meados de 1800, como primeiro ministro, diplomata e general do exército. No entanto, os nomes de seus familiares na atração, Sophia (Anja Kling) e Viktor (Philipp Hochmair), não são verídicos, nem mesmo suas funções e planos são baseados em acontecimentos reais.

Olhando como um todo, é bem perceptível que a escolha do protagonista foi pensada exclusivamente para vender o programa, despertando interesse das pessoas pelo nome de Freud, pois, se parar para pensar, a história poderia muito bem ser vivida por um personagem inédito sem mudar absolutamente nada, a não ser o fato de que não teria um motivo estimulante para a curiosidade alheia. Ou seja, Freud é claramente uma jogada de marketing que acompanha certo entretenimento, não tão original, mas de qualidade.

Nota:


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Designer de moda e redatora gaúcha, vivendo em São Paulo. Interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Por ser uma romancista entusiasta, curte assistir adaptações literárias para o cinema, e pela ligação acadêmica com figurino, longas de época ocupam o topo da sua lista de filmes favoritos. Além disso, possui o super poder de guardar com facilidade nomes de artistas e apontar suas participações em produções.

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