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12 plot twists do cinema que são irritantemente ruins

12 plot twists do cinema que são irritantemente ruins

Atenção: todos os textos a seguir, obviamente, contém spoilers pesados!

Quem não gosta de se surpreender com uma boa reviravolta, não é mesmo? Aposto que você ficou de queixo caído quando descobriu que, no final de O Sexto Sentido, o personagem de Bruce Willis estava morto. E em Clube da Luta, quando foi revelado que Edward Norton e Brad Pitt eram a mesma pessoa? Foi insano, né?

Esses são dois ótimos exemplos de plot twists, que só deixaram ótimos filmes ainda melhores. No entanto, nem todos têm a mesma sorte — ou competência. Por conta disso, separamos 12 reviravoltas toscas e que estragaram filmes que até poderiam ser bons.

Confira:


  • Star Wars: A Ascensão Skywalker (2019), por Carlos Redel

Star Wars: A Ascensão Skywalker

Depois de Os Últimos Jedi, um capítulo que rompia com as expectativas e ampliava os horizontes da franquia Star Wars, os fãs reclamaram dessa inovação, o que fez a Disney recuar e entregar o capítulo final da nova trilogia para J.J. Abrams, cineasta que jogou no seguro com O Despertar da Força e não é uma referência no que diz respeito a encerrar histórias. Assim, o cineasta, ao lado do roteirista Chris Terrio (de Batman vs Superman), escreveu uma história medrosa e completamente forçada para A Ascensão Skywalker, desmanchando o que foi criado no Episódio VIII e, mais uma vez, monopolizando a Força. Mas qual foi a grande reviravolta que estragou o filme? Rey (Daisy Ridley) ser neta do Imperador Palpatine, depois que Kylo Ren (Adam Driver), no longa anterior, afirmou que os pais dela eram ninguém — e isso estava ótimo, pois democratizava a Força e fazia total sentido com o título do Episódio VII, O Despertar da Força. Além de ruim, forçado e desnecessário, o encerramento da nova trilogia foi covarde.


  • Homem de Ferro 3 (2013), por Carlos Redel

Mandarim em Homem de Ferro 3

O primeiro filme do Homem de Ferro, em 2008, ainda hoje é considerado um dos melhores do Universo Cinematográfico Marvel. No entanto, as outras duas aventuras solo do personagem, que completam uma trilogia, não agradaram tanto assim. O último longa, inclusive, irritou os fãs por ser mais uma comédia policial do que um filme de super-herói, mas o pior mesmo foi o vilão. O principal antagonista do Homem de Ferro nos quadrinhos, o Mandarim, no longa, não passava de um ator fracassado que foi utilizado pelo malvado e vingativo Aldrich Killian (Guy Pearce) para se passar por um terrorista e se vingar de Tony Stark (Robert Downey Jr.). Vale lembrar que a expectativa pelo Mandarim estava altíssima, pois o vilão, além de ser apresentado muitíssimo bem, fazendo malvadezas pesadas, ainda era interpretado por ninguém menos que Ben Kingsley. Quando a reviravolta acontece, é impossível não ficar decepcionado, por mais engraçada que ela seja.


  • Boneco do Mal (2016), por Diego Francisco

Boneco do Mal

Lauren Cohan interpreta Greta Evans, uma babá americana que viaja até a Inglaterra para trabalhar com um casal idoso. O filho do casal havia morrido anos atrás em um acidente de carro e os velhinhos o substituíram por um boneco de porcelana chamado Brahms, que eles tratam como se fosse o garoto. Greta passar a cuidar do boneco para o casal enquanto coisas sobrenaturais começam a acontecer. No entanto, após a reviravolta, foi revelado que não havia absolutamente nada de paranormal ocorrendo, Brahms, na verdade, estava vivo e, agora como um adulto, vive dentro das paredes da casa, por algum motivo. Greta, então, foi secretamente contratada para ser um par para o homem que gosta de viver nas paredes. A protagonista foge, deixando-o mortalmente ferido, mas vivo para uma sequência, certo? Errado. A sequência ignora o primeiro filme e, agora, Brahms realmente é um boneco amaldiçoado que existe há séculos. Além de ser um lixo, a reviravolta é inútil também.


  • Hancock (2008), por Diego Francisco

Escrito por ninguém menos do que Vince Gilligan, criador de Breaking Bad, a comédia de ação protagonizada por Will Smith como um super-herói bêbado, irritado e irresponsável, que causa prejuízos milionários à propriedade pública toda vez que ‘salva’ o dia. Em um determinado momento, Hancock admite ao amigo, interpretado por Jason Bateman, que não sabe de onde vem e que a primeira lembrança dele foi de acordar na UTI sem lembrar sequer o próprio nome, 80 anos antes, sem envelhecer desde então. Algumas cenas depois, vem a grande reviravolta: Charlize Theron, que interpreta a esposa do tal amigo, também tem superpoderes! Ela revela ao protagonista que ambos fazem parte de uma extinta raça de entidades sobre-humanas praticamente imortais que ganham um novo significado de acordo com cada cultura (deuses, anjos, super-heróis) e que ambos estão destinados a estarem juntos, por isso acabaram se encontrando novamente. O plot twist não teve construção alguma, veio do mais absoluto nada e adiciona um tom de seriedade que esta comédia não precisava.


  • Homem-Aranha 3 (2007), por André Bozzetti

Homem-Aranha 3

Em 2002, Sam Raimi iniciou de forma incrivelmente promissora a trilogia daquele que é um dos mais populares, se não o mais popular, entre os heróis da Marvel: o Homem-Aranha. Neste bem construído e fiel aos quadrinhos filme de origem, vemos um Peter Parker (Tobey Maguire) egoísta e ainda deslumbrado com seus novos poderes deixar um ladrão fugir, quando poderia facilmente tê-lo detido. Este mesmo ladrão, a seguir, acaba matando Ben Parker, o tio de Peter, e a descoberta deste fato faz com que ele compreenda a grande responsabilidade que recebeu junto com seus grandes poderes. Agora, os equívocos deste capítulo final poderiam render um artigo só dele, mas vamos focar no tema deste especial: a estúpida reviravolta na trama. Dentro da tragicomédia à qual se resume a participação do Homem-Areia no filme, que era um vilão bonzinho, mas azarado, uma das coisas que fez sem querer em seu passado foi, pasmem, matar o Tio Ben. Ou seja, o criminoso que Peter perseguiu e matou no primeiro filme era, na verdade, inocente daquele crime, pois não teria como prever que seu desaventurado comparsa seria capaz de disparar a arma acidentalmente por ter levado um susto. Esta reviravolta completamente desnecessária e sem sentido, não é apenas mais uma das bobagens apresentadas neste filme, ela também diminui muito a relevância dos fatos mostrados na origem do herói.


  • Scooby-Doo: O Filme (2002), por Paola Rebelo

Scooby-Doo: O Filme

Por mais que tenha gente que ainda torça o nariz, não dá pra negar que o live-action de Scooby-Doo, de 2002, possui todos os elementos para deixar qualquer fã do desenho satisfeito. Com um elenco muito bem escolhido e uma caracterização fiel, o filme reúne o grupo Mistério S.A. em um parque de diversões assombrado em uma ilha resort. Dessa vez, ao contrário das revelações de final de episódio nos desenhos antigos, os monstros são realmente sobrenaturais, e não apenas bandidos fantasiados com planos mirabolantes. O longa possui boas piadas, uma dose divertida de aventura, possessões, vudu e várias pistas para o público desvendar junto aos protagonistas. No entanto, mesmo as crianças devem ter estranhado o esquisitíssimo desfecho dessa história. Após Scooby-Doo derrubar Emile Mondavarius, o vilão, eles descobrem que ele era apenas um robô controlado por ninguém menos que… Scooby-Loo. Aparentemente, alguns anos atrás, a turma se irritou com o sobrinho de Scooby-Doo e o abandonou no meio de uma estrada. A partir desse momento, Loo planeja sua vingança, transformando-se em um monstro gigante para governar o mundo com as almas absorvidas dos turistas da ilha. A reviravolta não faz nenhum sentido.


  • Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald (2018), por Paola Rebelo

Apesar de todas as polêmicas envolvendo a produção e as fofocas internas do fandom (entenda como: J.K. Rowling sem tomar seus antipsicóticos solta no Twitter e a eterna briga de quem-agrediu-quem entre Johnny Depp e Amber Heard), Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016) conseguiu críticas razoavelmente boas. Ele expandiu um universo querido e amado pelo público, trouxe uma história interessante e personagens carismáticos, com muito mistério a ser resolvido. Parecia possuir o checklist completo para que o sucesso de Harry Potter se repetisse, ainda mais com a própria Rowling envolvida no roteiro. O segundo filme da franquia, porém, trouxe diversas inconsistências que deixou os fãs de varinha em punho com um gosto amargo na boca. E a reviravolta ao final, provavelmente vista pelos envolvidos na escrita da história como nada menos que ‘mind blown’, tornou-se motivo de chacota entre os fãs da franquia. Após passarmos todo o filme acreditando que o personagem Credence Barebone (Ezra Miller) é o irmão perdido de Leta Lestrange (Zoe Kravitz), no final Grindewald (Jack Sparr… Johnny Depp) revela que seu verdadeiro nome é Aurélio Dumbledore. Essa informação, que é incoerente por sabermos o passado de Alvo Dumbledore e sabermos que ele só possui dois irmãos (Ariana e Aberforth), foi simplesmente jogada na tela sem qualquer justificativa — e assim sobem os créditos. Não é de hoje que J.K. Rowling gosta de revisitar suas obras e inventar novas histórias sobre elas sem qualquer pudor, mas, claramente, alguém precisa ter uma conversa sobre limites do ridículo com a escritora.


  • Vidro (2019), por André Bozzetti

Este é um daqueles casos de tragédia anunciada. M. Night Shyamalan iniciou a péssima reviravolta de Vidro ainda no seu filme anterior, Fragmentado (2016). A aparição de David Dunn (Bruce Willis) na cena final mostrou que a história se passava no mesmo universo do ótimo Corpo Fechado (2000), mesmo que isso fosse totalmente desnecessário e nada acrescentasse à trama desenvolvida até ali. Aquela cena, diga-se de passagem, pareceu mais fruto de improviso do que de planejamento e, mesmo assim, foi o anúncio para uma continuação que uniria definitivamente os caminhos dos três personagens: Dunn e Elijah Price (o vilão Vidro, interpretado por Samuel L. Jackson), de Corpo Fechado, e Kevin Crumb (Jason McAvoy), de Fragmentado. Então, três anos depois, Vidro surge para comprovar que as previsões pessimistas estavam corretas. Com um roteiro mal construído e cheio de situações inverossímeis, que abusavam da nossa suspensão da descrença, o longa tinha tudo para ser apenas um filme genérico e pretensioso. Mas M. Night Shyamalan não se satisfez com a mediocridade. Uma reviravolta ainda mais mirabolante jogou para o alto qualquer vestígio de lógica na trama, ao apresentar uma sociedade secreta que perseguia e exterminava pessoas com super poderes para ‘manter a ordem’. Um elemento que surge no final do filme, sem tempo de ser devidamente desenvolvido e que soa novamente como mera invencionice de última hora.


  • Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016), por Pedro Kobielski

Batman vs Superman

“Salve… Martha!” Poucas foram as pessoas que não sentiram vergonha alheia neste momento. Batman vs Superman é um dos filmes de super-heróis mais polêmicos dos últimos anos e um dos principais motivos é essa ‘virada’ de roteiro. Servindo como uma continuação de O Homem de Aço (2013) e uma ponte para a criação de um universo compartilhado da DC Comics no cinema, BvS estreou com grande expectativa junto aos fãs da Editora das Lendas. Com uma abordagem sombria, conhecemos Bruce Wayne/Batman (Ben Affleck), um super herói amargo e cheio de traumas, que resolve se dedicar a eliminar a ‘ameaça’ do Superman (Henry Cavill), que por sua vez se choca com os métodos violentos do vigilante de Gotham. O conflito dos dois é razoavelmente bem construído, mostrando diferenças éticas e morais irreconciliáveis entre os heróis. Mas a solução achada pelo diretor Zack Snyder e o roteirista Chris Terrio para resolver o conflito é tenebrosa. Quando está prestes a desferir o golpe de misericórdia contra o kryptoniano, Batman ouve o Superman falar “salve Martha” – sua mãe adotiva que está sob o comando dos capangas de Lex Luthor (Jesse Eisenberg). Por coincidência, esse é o mesmo nome da falecida mãe de Bruce Wayne, o que faz o personagem, que passou as duas horas anteriores de produção acumulando raiva do Azulão, imediatamente desistir de matá-lo e ficar ao seu lado — com direito a flashback e trilha dramática brega. Essa não é a única coisa ruim do filme, mas sem dúvida foi a mais marcante e a que mais proporcionou memes na internet. O filme obteve sucesso razoável, mas a recepção negativa da crítica fez a DC rever todo o seu planejamento, adotando, desde então, uma abordagem mais leve e divertida.


  • Planeta dos Macacos (2001), por Pedro Kobielski

Planeta dos Macacos

Foi com muita expectativa que a comunidade cinéfila recebeu o remake do clássico estrelado por Charlton Heston. Afinal, o diretor era Tim Burton, artista com uma visão própria e muito particular. Mas o resultado acabou não saindo como o esperado. O filme não é exatamente um desastre, mas o final é quase uma unanimidade: ninguém gostou. A trama acompanha Leo (Mark Wahlberg), um astronauta que é escalado para conferir uma tempestade magnética perto da estação onde trabalha. Porém, sua nave acaba sendo sugada para outro planeta no futuro, onde macacos inteligentes dominam e escravizam os seres humanos. Com a ajuda de uma fêmea chamada Ari (Helena Bonham Carter), Leo organiza uma revolta contra os macacos, especialmente o maníaco General Thade (Tim Roth). Até aí, tudo muito parecido com os dois primeiros longas da franquia. O problema é quando Leo consegue finalmente voltar para a Terra, no desfecho da produção. Ao chegar lá, percebe que o memorial de Washington tem uma estátua gigante do próprio general Thade. Após isso, é surpreendido ao ser contido por policiais macacos. Apesar desse final ser muito parecido com o do livro de Pierre Boule, ele gerou controvérsia na época, e não agradou muito a crítica, que reprovou Burton por querer chocar de forma gratuita o público. O filme fez um sucesso razoável de bilheteria, arrecadando cerca de US$ 300 milhões ao redor do globo – faturamento adequado para seu orçamento de US$ 100 milhões. Mas a recepção morna impediu que continuações fossem produzidas, o que só foi ocorrer 10 anos depois, em Planeta dos Macacos: A Origem, esse sim um filme muito mais consistente. E sem polêmicas.


  • A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 (2012), por Luna Rocha

Os últimos dois filmes da saga Crepúsculo, Amanhecer Partes I e II, possuem um tom muito diferente dos anteriores, tentando embarcar em um caráter ligeiramente mais sombrio. Já destoando por aí do restante da franquia, o roteirista que finalizou a história para a versão cinematográfica, resolveu apostar em um plot twist totalmente inesperado, que chocou os fãs ao assistir pela telona. De acordo com a narrativa, que até então acompanhava os acontecimentos segundo o que era descrito no livro de Stephenie Meyer, após o nascimento de Renesmee (Mackenzie Foy), filha de Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson), o casal, juntamente com sua família, a alcateia de lobisomens e outros aliados, resolvem interceder pela vida da menina mestiça contra uma alegação do clã Volturi (basicamente os ministros do mundo vampírico) de que ela deveria ser morta para restabelecer a harmonia e equilíbrio da raça de sugadores de sangue. Após a reunião entre todos esses personagens e a discussão em prol deste conflito, o imprevisível acontece. Sem mais nem menos, sem cortes ou explicações, Aro (Michael Sheen), o líder dos Volturi mata um dos membros dos Cullen e inicia uma guerra desenfreada entre os dois grupos, na qual diversos personagens de mais protagonismo morrem. Essa cena não faz parte do universo Crepúsculo na literatura, ela foi criada apenas para o filme, e logo em seguida é elucidada como se tratando de uma visão de Aro, uma vez que ele possuía a capacidade de prever o futuro compreendendo as diversas opções de destino que as decisões poderiam possibilitar, e decide não matar Renesmee, pois o desencadear de um confronto acabaria bem mal para ele. Provavelmente, muitos fãs pularam das cadeiras durante essa passagem fake, pois ninguém estava esperando por ela.


  • Truque de Mestre (2013), por Carlos Redel

Lançado em 2013, Truque de Mestre, surpreendentemente, conquistou diversos fãs. Com um ritmo frenético e personagens que tentam falar alguma coisa espertinha em cada frase, o longa agradou por passar uma imagem de inteligente e convidar o espectador a fazer parte daquela gangue descolada e mágica — sim, pois só poderes mágicos explicam as habilidades dos protagonistas. Envolvidos em um grande golpe, eles agem tirando dinheiro dos ricos e corruptos, seguindo os planos de uma misteriosa entidade superior. Até aí, tudo indo indo bem — abusando da suspensão da descrença —, até que chega a grande reviravolta: Dylan (Mark Ruffalo), o agente do FBI que perseguiu os golpistas durante todo o filme, revelou ser o responsável por orquestrar todo o roubo para vingar a morte do pai. Além disso, ele se mostra o líder da seita mágica que recruta os personagens. Completamente inverossímil, uma vez que Dylan quase morre diversas vezes e, realmente, atrapalha os mágicos por diversas vezes durante o filme.


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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