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Sergio | Crítica

Sergio

Ano: 2020

Direção: Greg Barker

Roteiro: Craig Borten

Elenco: Wagner MouraAna de ArmasBrían F. O’Byrne, Garret DillahuntBradley WhitfordClemens SchickWill DaltonPedro HossiSenhorinha Gama Da Costa Lobo

Muitos historiadores colocam os atentados de 11 de setembro de 2001 como o grande acontecimento que ‘inaugurou’ o século 21. O marco foi importante por ter impulsionado uma guerra que perdura até hoje e que não tem mais lados, a chamada Guerra ao Terror. Independentemente do que você acredita, é certo que o presidente dos Estados Unidos à época, George W. Bush, invadiu o Afeganistão e o Iraque usando o 11/09 como desculpa, e é nesse contexto que Sergio é parcialmente situado.

O novo filme da Netflix conta a história do diplomata brasileiro da ONU Sergio Vieira de Mello (Wagner Moura), homem que foi responsável por apaziguar diversas crises internacionais durante mais de 30 anos. Sua cinebiografia foca mais nos acontecimentos que levaram à independência do Timor-Leste e no que houve após a queda do ditador iraquiano Saddan Hussein, dois países marcados por incontáveis guerrilhas que perduraram por décadas. É aí que Sergio entra, ele era o homem da ONU que era chamado para difíceis missões de paz, e sua taxa de sucesso era altíssima.

Sergio conta com atuações bem inspiradas de Wagner Moura no papel-título e Ana de Armas como Carolina Larriera, a diplomata argentina com quem Sergio se envolveu romanticamente em sua missão de paz no Timor-Leste e que ocasionou em um relacionamento duradouro entre eles. O casal tem uma ótima química, fazendo o espectador acreditar que eles realmente são parceiros, amigos, além de amantes, é claro. O casal vira um problema quando o filme decide gastar um considerável tempo de tela para desenvolver seu relacionamento.

É muito bom ver como Sergio e Carolina criaram respeito e parceria pelo outro, sempre conscientes das situações que estavam contra eles, mas essa parte do filme demora mais do que o necessário. Em um longa de praticamente duas horas de duração, algo próximo de 50% disso é gasto no romance quando poderiam estar contando um pouco melhor a estadia do casal no Iraque, país onde o filme começa e termina. É claro que o romance é importante, mas, ao final, parece que isso foi mais importante que todo o trabalho de diplomacia que Sergio Vieira de Mello desempenhou em sua carreira para tudo ser resumido a apenas um par de alianças.

Mas Sergio ainda é cheio de pontos positivos. Além das entusiasmadas atuações já citadas da dupla protagonista, é preciso mencionar a quantidade de cenas bonitas e significativas que o filme possui. Além de ser um longa poliglota (há diálogos em português, espanhol, inglês e até em árabe e khmer), algo bastante incomum para uma produção de destaque como Sergio, há momentos emocionantes, como a cena em que Sergio e Carolina conversam com uma tecelã do Timor-Leste que perdeu todos os seus filhos para a sangrenta guerra civil que alastrou a região, até então sob domínio da Indonésia. É bonito de se assistir, pois além da emoção da senhora, a atuação de Wagner Moura é repleta de empatia, e este é só um de vários belos momentos que o filme tem. E ainda há uma boa subtrama envolvendo a influência dos EUA sobre a ONU que influencia nos acontecimentos finais.

Mesmo com pontos positivos e negativos, o que mais deve pesar na experiência do espectador é a montagem da película. O longa não é linear, o que não é necessariamente um problema quando se percebe a quantidade de filmes feitos assim, mas em Sergio é o principal dos problemas. O tempo todo a montagem volta ao passado, avança para o futuro, retorna uma cena a uma época que você já não consegue mais definir, e isso pode tornar o filme um pouco maçante. 

Em resumo, Sergio é um bom filme que poderia ser melhor do que realmente foi, mas que conta a história de um homem importante para a história da diplomacia. É interessante descobrir sobre esse pouco conhecido herói brasileiro e admirar toda a sua trajetória. Caso você consiga chegar até o final do filme, é bem provável que vá se emocionar com o trágico desfecho dessa história de amor e guerra.

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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