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Better Call Saul – 5ª temporada | Crítica

Better Call Saul – 5ª temporada | Crítica

Better Call Saul

Temporada:

Ano: 2020

Criação: Vince Gilligan, Peter Gould

Elenco: Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Rhea Seehorn, Patrick Fabian, Michael Mando, Tony Dalton, Giancarlo Esposito 

Finalmente usando o nome profissional de Saul Goodman, Jimmy McGill (Bob Odenkirk) está advogando do jeito que nasceu para fazer: usando as brechas da lei para tirar bandidos, obviamente, culpados da cadeia — afinal, eles não precisam de um advogado criminal, mas de um advogado criminoso. No entanto, seu novo pseudônimo o afasta de Kim Wexler (Rhea Seehorn) que, desde o julgamento do último episódio da temporada anterior, está chocada com o nível de falsidade do namorado. Kim ainda precisa lidar com o cada vez mais desgastante trabalho com a Mesa Verde, enquanto sonha em fazer apenas advocacia pro bono, ajudando pessoas que precisam de verdade.

Do outro lado da trama, Mike Ehmantraut (Jonathan Banks) sofre com a morte de Werner Ziegler (Rainer Bock), amigo qual teve de assassinar, entrando em um caminho de autodestruição. A operação de Gus Fring (Giancarlo Esposito) está cada vez mais prejudicada com Lalo Salamanca (Tony Dalton) ao norte da fronteira, tentando desvendar os seus segredos. Obrigado a atuar dos dois lados, Nacho (Michael Mando) tenta encontrar uma saída e, em fim, ficar em paz.

Assim como o visto nas últimas temporadas, o maior feito de Better Call Saul tem sido criar situações absolutamente tensas, mesmo que Jimmy e Mike estejam em perigo — personagens os quais temos total ciência de que sairão vivos de qualquer situação. Já o mesmo não se aplicam a Nacho e Kim, que nós não sabemos se eles estão vivos durante os eventos de Breaking Bad. Lalo é, sem sombra de dúvida, o vilão mais competente da série até aqui. Ele tem o carisma de Saul, a violência de Tuco e a engenhosidade de Gus, fazendo dele um risco em todos os sentidos da palavra. Tony Dalton é uma grande revelação no papel, igualmente divertido e ameaçador em toda cena que rouba. É impressionante o que o showrunner Peter Gould conseguiu fazer com o vilão que é basicamente citado apenas uma vez de relance na série original.

Mesmo sendo mais séria do que os anos anteriores, o humor não deixa de estar de fora. Ver Saul Goodman defender os clientes e usar os seus truques em julgamentos ou interrogatórios com as autoridades nunca deixa de ser brilhante. E também contamos com a presença de outro famoso piadista infame nesta temporada. Hank Schrader (Dean Norris) está de volta e, mesmo que participe por apenas dois episódios, a presença do agente do DEA é muito mais do que bem-vinda. Ver Hank falando besteira com o parceiro Steven Gomez (Steven Michael Quezada) é muito nostálgico. E, mais uma vez, a série usa de todos os mecanismos o possível para amarrar todas as pontas deixadas por Breaking Bad, deixando a experiência de ver ambas as atrações mais do que recompensadora.

O relacionamento de Jimmy e Kim nunca esteve em um ponto tão baixo quanto o visto agora e é ainda mais trágico com o conhecimento de que os dois não ficarão juntos no final. Mas, independentemente de diferenças no namoro, a dupla nunca deixa de se apoiar quando um precisa da ajuda do outro. Kim Wexler finalmente recebe um desenvolvimento maior e é o destaque da temporada. Aprendemos mais sobre o passado disfuncional dela, suas motivações e onde ela quer chegar. Howard Hamlin (Patrick Fabian) tem uma participação reduzida, mas o suficiente para destacar como o personagem ainda sofre pela morte de Chuck (Michael McKean) e as tentativas de acertar as coisas com Jimmy, que não tem interesse algum em aliviar a dor do antigo chefe.

Os roteiros e a direção da série continuam não só impecáveis como sempre, mas constantemente se aprimorando. Bagman, o oitavo episódio da temporada, é provavelmente o mais intenso e agonizante das duas séries, contando Jimmy e Mike na mesma situação desesperadora— de novo, o conhecimento de que ambos não morrem não diminui em nada o perigo da sequência. É impressionante como a série não recebe a mesma atenção nas premiações porque ela decai em nada do altíssimo nível estabelecido por Breaking Bad. No que diz respeito a atuação, Bob Odenkirk segue absolutamente fantástico, mas Jonathan Banks e Rhea Seehorn conseguem fazer o melhor trabalho deles até o momento.

Finalizando outra temporada estelar com a promessa de que o último ano será mais desafiador do que nunca para todos, Better Call Saul está mais próximo do fim do que nunca. Com a sexta temporada confirmada pra ser a última da série, Jimmy McGill está mais próximo do Saul Goodman que conhecemos, mas ainda resta saber o destino dos demais personagens.

Nota:


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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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