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A Terra e o Sangue | Crítica

A Terra e o Sangue | Crítica

A Terra e o Sangue (La Terre Et Le Sang)

Ano: 2020

Direção: Julien Leclercq

Roteiro: Julien Leclercq, Jérémie Guez

Elenco: Sami Bouajila, Sofia Lesaffre, Samy Seghir, Eriq Ebouaney, Redouanne Harjane, Carole Weyers, Thibaut Neve

Se tem uma coisa que os cineastas franceses adoram (pela minha perspectiva de fã de filmes de horror) são vários litros de baldes de sangue em suas produções. É até estranho pensar que, apesar do apreço dos franceses pelo cinema mais extremista e violento, não temos tantos filmes de ação nos moldes brucutu estadunidenses rodados do outro lado do Atlântico.

A nova produção europeia da Netflix é uma aposta ousada, uma vez que não é o tipo de filme que atrai grande público e dificilmente seria conhecido se não fosse promovido pela plataforma. O longa dirigido por Julien Leclercq possui um enredo simples e é bastante direto com suas mensagens, com poucos diálogos e explicações.

Na trama, Said (Sami Bouajila) é o dono de uma serraria que recém descobriu que tem poucos meses de vida. Em seu local de trabalho, o conflito se inicia porque um de seus funcionários esconde a cocaína roubada de uma gangue. Assim, com os bandidos invadindo, Said precisa espantar a gangue e proteger a sua filha, Sarah (Carole Weyers), uma garota surda que se encontra no lugar.

O filme é dividido em duas partes, com mais ou menos a mesma duração. Na primeira metade, ocorre o desenvolvimento da história até seu estopim. Os personagens são apresentados metodicamente, com uma demora desnecessária e cenas de contextualização gratuitas. Trata-se de uma produção de ação cuja metade da sua extensão são preparações silenciosas que pouco acrescentam à história ou à motivação dos envolvidos.

A segunda metade abandona a preparação do terreno e parte para a guerra entre Said e os bandidos. Com uma inspiração clara em filmes como Rambo: Programado para Matar (1982) ou Comando Para Matar (1985), em que um personagem consegue dar conta de todos os antagonistas, enquanto sua filha foge com a ajuda de um funcionário. Seria o ponto alto do filme, se não fosse tão entediante quanto a eterna construção do enredo da primeira parte.

Um dos chamarizes do filme é a sua proposta de violência. Após ela ser toda a base do marketing que a Netflix apostou para A Terra e o Sangue, era esperado que fossem cenas realmente chocantes e sangrentas. Porém, as cenas de maior violência podem ser contadas nos dedos de uma mão, e no ápice do momento, o diretor, mais de uma vez, opta por desviar a câmera e só dar a entender o que aconteceu.

Essa violência também é minimizada pela paleta de cores escolhida para o longa-metragem. O filme é bastante saturado, o que torna seu aspecto nublado durante toda sua duração — o que faz com que todas as cenas pareçam opacas e sem o choque visceral de cores como o vermelho encarnado do sangue.

O pior aspecto de A Terra e o Sangue, no entanto, são seus próprios personagens. As informações dramáticas que nos são passadas a seu respeito não são suficiente para gerar empatia no telespectador. A notícia de que Said está morrendo é mostrada logo ao início, e esquecida para todo o resto do filme, como se apenas aquela cena justificasse a coragem que ele demonstra ao enfrentar um cartel inteiro. Suas próprias habilidades para caçar os capangas fortes e armados, um a um, tampouco é explicada além de “a vontade de salvar a própria filha”.

Geralmente, filmes com premissas simples como os de ação têm a proposta básica de entretenimento, e nada há de errado com isso. O problema da obra de Julien Leclercq é que o longa esquece de divertir. O diretor perde muito tempo em explicar o que não precisa ser explicado e apresentar personagens sem carisma do que investir com mais afinco nas cenas que todos realmente estavam querendo assistir. Ele não possui coerência e tampouco charme, e é daqueles títulos do catálogo da Netflix que poucos se lembrarão da existência daqui a uns meses.

Nota:


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Jornalista que migrou para a veterinária, mas sem deixar para trás as jornalices. Vive e respira horror, seja em quadrinhos, filmes, séries ou livros. Último posto de defesa da DC Comics em relação à Marvel, embora tenha que fazer vista grossa quando o papo é cinema. Fã de Heavy Metal, games single player e cospobre de carteirinha quando sobra dinheiro no final do mês.

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