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Morte às Seis da Tarde | Crítica

Morte às Seis da Tarde | Crítica

Crítica de Morte às Seis da TardeMorte às Seis da Tarde (Plagi Breslau)

Ano: 2018

Direção: Patryk Vega

Roteiro: Patryk Vega

Elenco: Malgorzata Kozuchowska, Daria Widawska, Igor Kujawski, Katarzyna Bujakiewicz, Tomasz Oswiecinski, Andrzej Grabowski, Ewa Kasprzyk, Jacek Beler, Maria Dejme

É difícil refletir sobre Morte às Seis da Tarde. Não temos tempo para isso, e não no bom sentido. O filme de Patryk Vega — claramente inspirado por Seven — foi construído de forma apressada, e somos bombardeados com a trama o tempo todo; algo que poderia ser bom, mas acaba tornando a história rasa e prejudicando a qualidade do produto final.

Na cidade de Wroclaw, na Polônia, Helena Rus (Malgorata Kozuchowska) é uma detetive durona que se encarrega da investigação de um corpo encontrado em uma feira popular, costurado dentro do couro de um boi. Embora haja uma tentativa de pintá-la como o lobo solitário, seu parceiro Jacek Bronson (Tomasz Oswiecinski) figura como uma tentativa de alívio cômico para balancear a dinâmica da dupla.

O crime incomum logo se mostra um pedaço de uma cadeia maior de acontecimentos, pois no dia seguinte dois cavalos de corrida apavoram a cidade, numa sequência que nos faz questionar se um cavalo de corrida realmente seria capaz de espalhar tamanho terror. O segundo crime é considerado terrorismo, e entra em cena a agente enviada pelo Departamento Central de Polícia, Magda Drewniak (Daria Widawska). Até este ponto, a grande falha do filme já está evidente: a pressa. Todos os personagens são estereotipados, e não há tempo o suficiente para desenvolvê-los com maior profundidade; simplesmente precisamos aceitar que são como são.

A trama em si não é ruim. Há um elemento histórico que remonta ao século XVI; os crimes são chocantes, e aqui é preciso parabenizar a direção de arte e a maquiagem do filme. Vega não teve pudores ao retratar os corpos mutilados, e todos foram muito bem feitos: as cabeças, as pernas decepadas, os cadáveres ensaguentados, um prato cheio para os fãs de gore. Mas os pontos positivos acabam aqui.

Por algum motivo que foge da nossa compreensão, o filme tem meros 93 minutos de duração, e não se permite construir a tensão com calma. Num minuto, estamos vendo a cena do crime; em seguida, começam os questionamentos sobre o culpado. O mistério não dura 15 minutos na tela, não tempos tempo para absorver a reviravolta da trama. Tudo é acelerado, não há espaço para achar nada. A pergunta surge e a resposta está ali.

Essa decisão arruína completamente o final do longa, onde mais um plot-twist mal construído é colocado, e passa praticamente despercebido. O público não absorve a mensagem porque não há tempo. A cena dura um flash e os créditos sobem.

A diferença entre um clássico como Seven e Morte às Seis da Tarde é a pressa. Ambos os filmes são enérgicos, tensos e incomodativos, mas apenas um se permitiu seguir a trama de forma fluída, construindo seus acontecimentos para envolver o espectador. Vega mirou alto, mas demonstrou ser muito ruim de mira.

Nota:


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Ator, escritor, diretor e roteirista, Gabryel é ruim em todas essas coisas. Crítico por natureza, adora reclamar de tudo, e é fã de filmes que ninguém tem paciência pra assistir. Carrega a convicção de que Click é um clássico cult e quem discorda é clubista.

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Comments

  1. De acordo com o crítico! O filme é tão superficial e apressado que a morte chegou bem antes das 6 da tarde, rsrs.

  2. Maurício de Souza - 25 de abril de 2020 at 01:46 - Responder

    O filme pode ser ruim, mas a crítica sempre é boa! Parabéns Gabryel !

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