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O Silêncio do Pântano | Crítica

O Silêncio do Pântano | Crítica

Crítica de O Silêncio do Pântano, da NetflixO Silêncio do Pântano (El Silencio del Pantano)

Ano: 2019

Direção: Marc Vigil

Roteiro: Carlos de Pando, Sara Antuña

Elenco: Pedro Alonso, Nacho Fresneda, Carmina Barrios, José Ángel Egido, Àlex Monner, Raúl Prieto

Pedro Alonso foi um dos principais elementos do sucesso de La Casa de Papel. Tanto é que, após o final original da série, em que o seu personagem morre, muito fãs inventaram milhares de maneiras de trazer Berlim de volta. Em situações futuras, não tinha como. Por isso, os responsáveis pela atração, ao escreverem novos episódios, deram um jeito de agradar a audiência, que clamava pela volta do atracador, muito disso por conta do carisma do ator. Berlim voltou. No passado, mas voltou.

Assim, não era de se espantar que o mercado do audiovisual espanhol começasse a dar mais destaque para Alonso, visto que uma série de sucesso foi totalmente alterada para que o personagem do astro fosse acrescentado na trama. Agora, um dos primeiros frutos desse sucesso é o protagonista do ator em O Silêncio do Pântano, que ganhou distribuição internacional pela Netflix — o serviço de streaming, mais do que ninguém, sabe do magnetismo do público pelo artista.

E, bem, o longa espanhol conta a história de um escritor chamado Q (Alonso) que, após lançar dois livros de sucesso sobre um personagem serial killer (também Alonso), se vê em meio de uma nova obra. E, assim, o espectador é convidado a entrar em uma trama em que não se sabe se os acontecimentos mostrados na tela são reais ou apenas representação do livro do escritor. As histórias, então, começam a se entrelaçar para que, no final, haja um final aberto — que nem é tão aberto assim, vai.

Com um começo promissor, mostrando o serial killer em ação, o longa, ao entrar no arco de uma nova vítima — um economista e ex-político, que tem envolvimento com a máfia de Valência —, se perde. O Silêncio do Pântano acaba deixando ritmo cair vertiginosamente, tentando abordar o submundo da cidade e dar ênfase para personagens tão desinteressantes e rasos que o filme, de apenas 92 minutos, parece ter o dobro de duração.

Baseado no livro de mesmo nome, lançada em 2015 por Juanjo Braulio, o longa é comandado por Marc Vigil, um dos principais problemas da produção. O cineasta, além de não segurar o ritmo de sua produção, como citado acima, não consegue colocar o holofote no que realmente interessa na história, o seu protagonista. Pedro Alonso some em boa parte do segundo ato do filme, tendo rápidas aparições monossilábicas, o que tira a força da conclusão da obra, uma vez que o personagem principal é esquecido e seu drama não recebe a atenção necessária.

A escolha do diretor por dar tanto tempo de tela para o capanga Falconetti (Nacho Fresneda) e sua chefe, a traficante La Puri (Carmina Barrios), mostra que o cineasta se interessou mais por uma história secundária — que não tem nada demais — do que pela trama principal. Um grave problema, pois parece que Braulio retoma com Q apenas para um fechamento rápido e sem a importância que poderia ter.

Com uma boa atuação de Alonso nos momentos dramáticos — apesar do ator ser subaproveitado em diversos momentos, com carões e viradas com tiradas de óculos —, O Silêncio do Pântano não encontra o seu foco e acaba sendo uma experiência cansativa, com um resultado que não compensa essa esforço. Uma pena, pois o protagonista merecia mais. E o público também.

Nota:


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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