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Os Irmãos Willoughby | Crítica

Os Irmãos Willoughby | Crítica

Os Irmãos Willoughby (The Willoughbys)

Ano: 2020

Direção: Kris Pearn

Roteiro: Kris PearnMark StanleighLois Lowry

Elenco: Will ForteAlessia CaraMaya RudolphTerry CrewsRicky GervaisMartin ShortJane KrakowskiSeán Cullen

Se pudesse definir Os Irmãos Willoughby em apenas uma palavra, seria ‘peculiar’. O novo longa animado da Netflix (que tem mostrado bastante interesse em ocupar uma relevante fatia desse mercado) acompanha a estranha história de um grupo de irmãos de uma família esquisita que decidem se ‘orfanizar’ de seus pais, pessoas cheias de amor para dar, mas não às crianças, somente a si mesmos. A orfandade pode até ser um tema pesado para um filme infantil, mas a animação acerta em cheio para divertir os pequenos e até mesmo os adultos.

Com direção de Kris Pearn (cineasta que tem uma grande experiência na animação, tendo até dirigido Tá Chovendo Hambúrguer 2), Os Irmãos Willoughby causa estranheza logo de cara. Os minutos iniciais apresentam a linhagem secular dos Willoughby, todos ruivos e com bigodes, até que um dos descendentes não tinha bigode e interrompeu a “nobreza e honra” da família. Seu filho mais velho é Tim (voz original de Will Forte), um jovenzinho que procura ser digno do nome que carrega, mas que nunca agrada seus pais (vozes originais de Martin Short e Jane Krakowski). Tim é o único que procura valer seu sobrenome, diferente de seus irmãos, Jane (Alessia Cara) e os gêmeos Barnaby A e B (Seán Cullen), que são mais autênticos que o irmão mais velho. Tudo muda quando um bebê órfão é encontrado por Jane, e percebem que não há tanta diferença entre o que os Willoughby vivem e aquele bebê.

Apesar de uma trama densa, Os Irmãos Willoughby consegue não ser pesado graças ao seu humor. A maior parte da graça do filme vem de humor físico, mas que em certo momento começa a soar desnecessário e incoerente com o filme. No entanto, mesmo que as piadas não sejam boas o tempo todo, o filme consegue entregar um visual digno de um longa de Wes Anderson. A animação computadorizada usa uma técnica semelhante à utilizada em Homem-Aranha no Aranhaverso e Klaus (o primeiro longa animado todo produzido pela Netflix), com os movimentos dos personagens realizados em 12 frames por segundo, enquanto o cenário se move a 24 frames. É uma técnica muito utilizada também no stop-motion, o que mantém o charme do desenho.

Além desse estilo ‘old school’ de animação, o filme possui um design de produção impecável. Seu visual cartunesco possui cores fortes e bem destacadas, e o filme apresenta um inteligente jogo de sombras que faz piada o tempo todo com a ‘diversão’ dos pais enquanto as crianças estão trancadas (adultos sabem qual diversão é essa), mas nada que tire a inocência infantil do público-alvo do longa. 

Apesar de um divertido humor e um visual incrível, o roteiro é cheio de excessos que acaba prejudicando a experiência final. O filme é repleto de exageros, como um empresário-mascote de uma empresa de doces que trabalha sozinho e vive à base de açúcar (com a doce dublagem de Terry Crews), e uma babá perfeita à la Mary Poppins, mas com um pezinho na realidade (voz de Maya Rudolph). Se esses exageros não tivessem um pequeno fundo de realidade, talvez o filme funcionaria melhor. Mas isso sou eu falando, um adulto chato, quando as crianças, que são o verdadeiro público do filme, não devem se importar. 

Os Irmãos Willoughby, no entanto, tem um belíssimo final, o que faz o espectador esquecer um pouco daqueles problemas citados. Não quero dar detalhes do enredo, mas o filme entrega uma linda mensagem sobre amor e parceria familiar, quebrando uma ‘regra’ antiga de que precisamos amar nossos parentes, apesar de todas as circunstâncias. Tentar ser um Willoughby foi um problema para Tim, o irmão mais velho, desde seu nascimento, e é lindo perceber que não existe necessidade de ser um Willoughby para ser uma pessoa honrosa. Os Irmãos Willoughby serve mostrar que família é quem escolhemos para a vida, e não necessariamente quem possui nosso sangue. Mas, às vezes, tem…

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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