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Ricos de Amor | Crítica

Ricos de Amor | Crítica

Crítica de Ricos de Amor, da Netflix

Ricos de Amor

Ano: 2020

Direção: Bruno Garotti

Roteiro: Bruno Garotti, Sylvio Gonçalves

Elenco: Giovanna Lancellotti, Danilo Mesquita, Jaffar Bambirra, Ernani Moraes, Lellê, Fernanda Paes Leme, Caio Paduan, Marcos Oliveira

“Meter os pés pelas mãos”. Expressão idiomática do português brasileiro, cujo significado é o mote de qualquer comédia romântica. Com Ricos de Amor, não poderia ser diferente. O filme conta a história de Teto (Danilo Mesquita), filho mimado de Teodoro (Ernani Moraes) — dono de uma indústria de tomates e derivados — que se apaixona por Paula (Giovanna Lancellotti), estudante de Medicina no Rio de Janeiro.

O filme segue a já conhecida fórmula do gênero: o protagonista mete os pés pelas mãos e passa o longa inteiro realizando malabarismos para que sua história se sustente, arrastando aqueles mais próximos a si. Essa receita de bolo vem funcionando há muitos anos, e o cinema brasileiro conseguiu acrescentar novos sabores a isso. Se assistirmos à Jogo de Amor em Las Vegas, por exemplo, entenderemos a linearidade da história e os conflitos entre os protagonistas; é uma experiência curta, divertida e prazerosa, que nos leva a refletir sobre o amor e suas nuances. A diferença da escola brasileira é a inserção do contexto social dos personagens da trama, por mais secundários que as vezes sejam. Em Ricos de Amor, a contextualização torna o início do filme truncado, mas se faz necessário para que a obra não perca tempo futuramente tendo que se explicar.

Contextos inseridos, sobra o desenvolvimento dos personagens, e aqui temos o ponto negativo do filme. A ideia de um jovem branco, rico, hétero e privilegiado (com o perdão da redundância) partindo em uma jornada de redenção torna difícil a identificação com o protagonista e não funcionaria se o filme não fosse sobre romance. Ao ver Teto apaixonado, querendo ser a melhor versão de si mesmo, baixamos a guarda e nos solidarizamos com a busca pela mudança; quem nunca sofreu por amor, não é mesmo?

Ao longo da trama, outros temas são inseridos, como assédio, preconceito e, principalmente, a desigualdade social. Por se tratar de um filme de comédia, porém, tais temas não são tratados com profundidade, mas não permanecem rasos. O acerto de Garotti é mostrar o impacto que essas questões têm na vida de cada um sem se dedicar a esmiuçá-los em tela; algo que certamente prejudicaria o andamento da história.

É fundamental aplaudir o elenco, que esbanja carisma e competência; em especial a participação de Marcos Oliveira — o mítico Beiçola, de A Grande Família — como o porteiro Francisco, que participa das melhores sequências do filme. O ponto fraco é Jaffar Bambirra como o melhor amigo Igor, que se esforça bastante para representar um personagem confuso, que tenta servir como a voz da consciência de Teto, embora nem ele próprio tenha certeza das coisas que faz.

No final das contas, acompanhamos a história de um romance em um elevado estrato social, dessa vez pelos olhos da parte de cima; a diferença é a consciência de Teto sobre sua própria futilidade, e sua busca para usar seus recursos — emocionais e financeiros — da melhor forma. O filme por vezes flerta com a possibilidade do branco salvador, mas em seu momento decisivo não toma esse abjeto caminho: resolve mostrar a força de cada um dos personagens, passando uma mensagem equilibrada e não muito afastada da vida real.

Nota:


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Ator, escritor, diretor e roteirista, Gabryel é ruim em todas essas coisas. Crítico por natureza, adora reclamar de tudo, e é fã de filmes que ninguém tem paciência pra assistir. Carrega a convicção de que Click é um clássico cult e quem discorda é clubista.

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Comments

  1. Adorei o filme. Mostra que temos conteudo e qualidade. A critica o descreve muito bem.

    • Maurício de Souza - 1 de maio de 2020 at 16:31 - Responder

      Concordo com a Olga e concordo mais ainda com meu companheiro Gabryel! Vem desenvolvendo muito bem suas críticas sendo fiel ao bom gosto! Um grande abraço do seu amigo Maurício de Souza.

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