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Mentiras Perigosas | Crítica

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Crítica de Mentiras Perigosas, da Netflix

Mentiras Perigosas (Dangerous Lies)

Ano: 2020

Direção: Michael Scott

Roteiro: David Golden

Elenco: Camila Mendes, Jessie T. Usher, Jamie Chung, Cam Gigandet, Sasha Alexander, Elliott Gould

Mentiras Perigosas, em seu primeiro dia no catálogo da Netflix, tornou-se um dos filmes mais assistidos do serviço de streaming. Provavelmente, esse frenesi em cima do longa é um reflexo do sucesso de Camila Mendes por seu papel como Veronica Lodge, na série Riverdale. Além disso, apesar de ter nascido nos Estados Unidos, a atriz também tem raízes diretas no Brasil, pois seus pais são naturais de Porto Alegre e Brasília.

Talvez, seja apenas por essas razões que o filme estreou em alta, pois não se trata de uma grande produção ou nem mesmo de um bom roteiro. Logo de início, somos apresentados ao casal Katie (Camila Mendes) e Adam (Jessie T. Usher), que presenciam um latrocínio na lancheria em que a garota trabalhava, crime que acaba sendo impedido por Adam, que resolve bancar o herói. Após o ocorrido, o longa engata em um pulo de quatro meses na linha do tempo, em que presenciamos Katie trabalhando como cuidadora de idosos na casa do Sr. Leonard (Elliott Gould) e passando por dificuldades financeiras com Adam, que está desempregado e largou a faculdade.

Então você pensa: com certeza a cena inicial vai ter alguma ligação ou revelação no decorrer da trama, certo? Pois então, a verdade é que isso não acontece e a sensação é de que aquele crime e o salvamento foram extremamente gratuitos, há pequenas menções a ele no enredo, mas nada que realmente demonstre que o momento era relevante para o desenrolar da história. Mudando totalmente de rumo, o filme passa a discorrer a partir de então sobre uma série de eventos que acontecem com Katie após ter conseguido esse novo ofício.

Primeiramente, é preciso dizer que nesse parágrafo não contém um spoiler, pois a sinopse de Mentiras Perigosas já informava sobre esse tópico no próprio site da Netflix. O longa começa a andar quando a personagem de Mendes descobre que seu empregador, o Sr. Leonard, acabou morrendo na casa em que ela trabalhava e onde havia também conseguido um bico de jardineiro para seu marido. Com a morte dele, o casal começa a debater sobre determinada quantia de dinheiro que encontram no sótão do imóvel, escondendo o mesmo antes de chamarem a polícia para declarar o óbito do morador. Aí que se revelam alguns traços específicos dos personagens, que precisam tomar decisões quanto ao que fazer com a grana: Katie se mostra receosa em roubar e Adam extremamente ganancioso. 

Em meio a essa movimentação, aparecem: uma policial suspeitando e tratando o caso como um assassinato, um suposto agente imobiliário se mostrando interessado na casa do falecido e também uma jovem advogada que se diz ter sido contratada pelo morto e apresenta para Katie o testamento dele, no qual ela é a única beneficiada, pois o senhor não possuía família. Porém — e ninguém além da policial acha estranho —, como que uma suposta amizade entre contratado e empregador, que durou apenas quatro meses, acabou surtindo em um testamento no qual a fortuna é totalmente deixada para tal pessoa? São as relações humanas assim tão simples? Como que todos acreditaram nessa história sem mais nem menos?

A partir desse momento, a trama fica um pouquinho mais misteriosa, e boa parte do ritmo de suspense é ditado pela trilha sonora, que começa a apostar em alguns momentos de tensão para se mostrar mais presente na produção. Porém, mesmo que haja a intenção de desenvolver cenas mais atrativas ao público, com questionamentos e dúvidas sobre o enredo, não há momentos significativos de clímax, pois nada enriquece o roteiro.

Assim como o crime inicial parece dispensável para a narrativa, surge também um arrombamento da casa herdada pelo casal que fica extremamente sem explicação, e diversos diálogos previsíveis que desembocam em um desfecho bem fácil de desvendar. Quando determinado personagem surge aleatoriamente em uma cena na qual não fazia parte — sem levantar suspeitas sobre essa atitude, pois no filme, ao que tudo indica, é super normal uma pessoa aparecer do nada na sua casa —, você já entende o caminho para onde está sendo levado e apenas lamenta que seja com diálogos tão fracos.

Para fechar, vale dizer que as atuações não são grande coisa, poderiam ter tirado bem mais dos atores nas ocasiões de estresse e aflição, e também comentar que a última cena do filme é lamentável, pois, se para o espectador havia ficado clara determinada dica, por que razão a personagem deixou isso passar despercebido como se não fosse detentora da informação ou não desse a mínima para tal? Talvez, quisessem um encerramento clichê mesmo… Vai entender…

Nota:


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Designer de moda e redatora gaúcha, vivendo em São Paulo. Interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Por ser uma romancista entusiasta, curte assistir adaptações literárias para o cinema, e pela ligação acadêmica com figurino, longas de época ocupam o topo da sua lista de filmes favoritos. Além disso, possui o super poder de guardar com facilidade nomes de artistas e apontar suas participações em produções.

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