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Westworld – 3ª temporada | Crítica

Westworld – 3ª temporada | Crítica

Crítica da 3ª temporada de Westworld

Westworld

Temporada:

Ano: 2020

Criação: Jonathan Nolan, Lisa Joy

Elenco: Evan Rachel Wood. Thandie Newton, Jeffrey Wright, Tessa Thompson, Aaron Paul, Ed Harris, Luke Hemsworth, Vincent Cassel

Prever o futuro de Westworld nunca foi uma tarefa fácil. Desde sua estreia, em 2016, a série constantemente surpreende e sempre entra em lugares inesperados – mesmo com uma legião de fãs teorizando (e, por vezes, acertando) as próximas grandes revelações, as conclusões em que a atração da HBO chega nem sempre agrada a todos. A segunda temporada polarizou os espectadores e o novo ano não poderia ser diferente. Fora do parque, finalmente podemos ver o futuro visionado pela série e ele é terrivelmente atual.

Os humanos vivem em ciclos tão fechados e repetitivos quanto os anfitriões dos parques da Delos. E isso é representado por Caleb Nichols (Aaron Paul), um ex-militar que agora se sustenta com um emprego em construção civil que paga tão pouco que ele precisa recorrer a crimes para conseguir mais dinheiro por meio de um aplicativo que junta criminosos a delitos a acontecer em sua área. A existência modesta de Caleb é completamente abalada quando ele se depara com Dolores (Evan Rachel Wood) e ela o recruta para a sua missão de destruir o sistema e libertar os humanos.

Com o acúmulo de dados e escolhas feitas pelas pessoas durante toda a vida, o sistema Rehoboam consegue prever o futuro das pessoas e o líder da empresa Incite, Engerraund Serac (Vincent Cassel), se assegura que ninguém considerado perigoso possa fazer algo que destruam a civilização perfeita que ele está construindo com o intuito de impedir em que os humanos se autodestruam. Maeve (Thandie Newton), em busca de entrar no Além do Vale para se reencontrar com a sua filha, aceita a proposta de Serac de impedir o que a Dolores faça a sociedade entrar em colapso.

O primeiro episódio parece como uma série totalmente diferente. As lindíssimas paisagens de faroeste são substituídas pela beleza de um futuro que é utópico à primeira vista, mas distópico quando se aprofunda. Mas não demora para Westworld provar que não mudou em nada. Os debates sobre determinismo e livre arbítrio ainda estão lá, mesmo que a série tenha perdido parte de sua carga filosófica. As reviravoltas, o inesperado e satisfação ainda são presentes.

Os combates ideológicos da terceira temporada estão mais cinzas do que nunca. Muito bem desenvolvido em suas motivações, Serac quer controlar todos os humanos para salvar o planeta, mesmo que isso significa deixa-los presos em um sistema opressor. Enquanto Dolores, especialista em ser controlada pela vontade dos outros e muito mais empática do que na última temporada, quer libertar todo mundo e fazer com que todos estejam livres para tomar as suas próprias decisões.

Mais linear do que os anos anteriores, tudo o que assistimos acontece no tempo presente e as respostas vêm mais rápido do que nunca – o que pode ser cortesia dos dois episódios a menos encomendados nesta temporada. Com menos expectativas criadas pelos mistérios serem menores, as revelações são mais satisfatórias e não deixam de satisfazer. Mas, ainda assim, nem todas as ideias funcionam. Especialmente no quinto episódio, Genre, em que Caleb é injetado com uma droga que faz a realidade em sua volta transitar entre diferentes gêneros cinematográficos. A ideia é boa, mas a entrega deixa a desejar. Existem alguns outros momentos que não aterrissam de forma certeira, mas nada que prejudique o conjunto da obra.

Mesmo em ambientações ‘reais’, Westworld nunca deixa de parecer uma das produções mais caras em andamento atualmente. Cada criação de CGI, cada sequência de ação, cada segundo de cada episódio demonstra uma altíssima qualidade producional. A fotografia ainda tem momentos de tirar o fôlego e a trilha composta por Ramin Djawadi nunca deixa de impressionar. Mesmo sem as rendições clássicas de músicas marcantes que se tornaram características da série, o compositor segue sendo um dos melhores da atualidade.

As atuações, em sua maior parte, continuam excelentes. Aaron Paul foi uma adição perfeita ao elenco da série e o ator, que estava longe de produções de destaque desde o final de Breaking Bad, prova todo o seu talento e intensidade. Tessa Thompson, que nunca teve muita oportunidade de desenvolver a sua Charlotte Hale, finalmente tem a sua oportunidade de brilhar. Com a verdadeira Charlotte morta, Tessa precisa conferir muita complexidade a personagem que está em constante conflito sobre quem realmente é, com duas personalidades conflitantes, entregando possivelmente a melhor performance da atriz até aqui.

No entanto, nem todos recebem um material tão eficiente como nos anos anteriores. Mesmo que Ed Harris, Jeffrey Wright, Thandie Newton e até mesmo Evan Rachel Wood estejam competentes como sempre e tenham cenas pontuais de destaque, eles nunca têm aqueles momentos dramáticos como em temporadas passadas. Os novos nomes do elenco também contam com Cassel, John Gallagher Jr., Lena Waithe e Pom Klementieff – atores reconhecidos que, alguns dos quais, tem participações bem curtas para o nível deles.

Nunca deixando de ousar, Jonathan Nolan e Lisa Joy ainda têm o total controle sobre Westworld e fecham quase todas as pontas da terceira temporada, deixando portas abertas o suficiente para empolgar para o próximo ano (o último episódio tem duas ótimas cenas pós-créditos, vale ressaltar). Com renovação da série, resta saber se o casal vai conseguir terminar as seis temporadas que planejaram desde o início. Com a audiência caindo, é uma pena que mais pessoas não deem uma chance para Westworld, que domingo após domingo entrega o melhor que a HBO tem a oferecer.

Nota:


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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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