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Upload – 1ª temporada | Crítica

Upload – 1ª temporada | Crítica

Crítica de Upload, da Amazon Prime VideoUpload

Temporada:

Ano: 2020

Criação: Greg Daniels

Elenco: Robbie Amell, Andy Allo, Allegra Edwards, Zainab Johnson, Kevin Bigley

Embarcando em uma ideia que originalmente parece ter sido explorada por uma atração de outra plataforma de streaming, Upload, nova série da Amazon Prime Video, apresenta ao público mais uma realidade utópica com uma idealização futurista do conceito de paraíso pós-morte.

No seriado, acompanhamos o desventurado Nathan Brown (Robbie Amell), um jovem programador empreendedor e narcisista, que sofre um acidente improvável com um carro que possui um sistema de direção automática. Após o infortúnio ocorrido, Nathan é encaminhado ao hospital e tem que realizar uma escolha crucial: fazer uma cirurgia de emergência, sem ter certeza de que a mesma lhe garantiria a vida, ou morrer no processo de Upload, no qual sua mente seria transferida para um paraíso virtual, no qual ele viveria ‘morto’ para sempre. Se ele tivesse escolhido a primeira opção, seria apenas mais um capítulo de Grey’s Anatomy, certo? Então, obviamente, o protagonista resolve perder seu corpo terreno e se adaptar à nova realidade no hotel de luxo Lakeview, um dos destinos mais afortunados e confortáveis proporcionados pelo Upload.

Mas isso já não lembra alguma coisa? Sim, parece que estamos assistindo uma spin-off de San Junipero, episódio da terceira temporada de Black Mirror, que tem exatamente o mesmo enredo. Porém, isso não torna a série ruim, só faz com que ela soe muito pouco original. Em contrapartida, o gênero de Upload puxa muito mais para o lado da comédia do que do drama, o que fica bem evidente também em sua estética: paleta de cores alegres, iluminação forte e personagens extremamente estereotipados. 

Além da semelhança com a série da Netflix, Upload também remete bastante a um jogo que já passou pela infância de muita gente, o famoso The Sims. Uma vez que a pessoa é inserida no paraíso artificial, ela passa a ser supervisionada por um profissional (denominado de ‘anjo’ pela empresa, pois são instruídos a não se identificarem para os assessorados) que monitora o ambiente pelo computador e por um sistema de realidade virtual. Essa situação de vigia, logo de cara, lembra muito a jogabilidade do game citado acima, em que se controla as atividades do personagem em um mundo criado digitalmente. Por exemplo, fazendo o avatar dormir e acordar na hora que você quiser, ideia que é reproduzida na série também. 

A trama principal se desenvolve a partir do momento em que Nathan passa a se apegar pouco a pouco à sua anjo, que se chama Nora (Andy Allo), e os dois começam a estreitar a relação, porém, sempre com um pé atrás, já que a moça está viva e ele, tecnicamente, se encontra em um além produzido por humanos. 

Aproveitando o gancho, é legal de notar que a personagem Nora tem um dilema no seu pano de fundo, que é muito próximo do que algumas pessoas vivem de verdade, entretanto, distorcido para funcionar com a história do show: a anjo quer convencer seu próprio pai a aceitar ser transferido para o universo de Upload quando o mesmo estiver prestes a morrer, pois assim poderia continuar visitando ele por VR e não precisaria dizer adeus. Porém, o pai dela não tem interesse na ideia, pois sua mulher morreu antes de que a possibilidade de upload existisse, e ele não deseja passar vivendo uma eternidade longe do seu grande amor. No caso desse trecho do enredo, dá muito bem para fazer uma analogia com a religião cristã, na qual Nora seria uma pessoa crente em uma ideia e quer a todo custo persuadir o pai a aceitar seu ponto de vista, senão, quando ela própria morrer, não o verá no céu virtual. Soa bem parecido com o empenho de determinados segmentos religiosos em querer converter seus familiares para se reencontrarem pós-mortem.

Além dessa divagação, há diversas linhas de pensamento que a série aborda a respeito do futuro, do desenvolvimento da tecnologia, do avanço da inteligência artificial e, até mesmo, algumas críticas sobre diferenças de classe, ao apresentar camadas mais baixas do sistema de Upload, nas quais as pessoas possuem apenas 2 gigabytes de duração e entram em bloqueio após a utilização de todos os dados, esperando até o mês seguinte para serem reativadas após o pagamento por seus familiares.

O roteiro também aborda um pouquinho de suspense, no que diz respeito à morte súbita do personagem principal e ao que ele fazia como ganha pão, pois, ao adentrar seu novo universo, parte de suas memórias acabam sendo destruídas digitalmente. Fora isso, a série não exige grande atuação por parte do elenco, ela se reconhece como sendo uma espécie de comédia pastelona, mas é bem divertida e tem um ritmo legal para passar o tempo. Seus recursos gráficos também não são dos melhores, nem algumas maquiagens, mas, como dito anteriormente, a atração não é focada nesses parâmetros e sim em entregar uma história engraçadinha e, minimamente, diferente.

Nota:


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Designer de moda e redatora gaúcha, vivendo em São Paulo. Interessada por arte e cultura pop em suas mais diversas áreas. Por ser uma romancista entusiasta, curte assistir adaptações literárias para o cinema, e pela ligação acadêmica com figurino, longas de época ocupam o topo da sua lista de filmes favoritos. Além disso, possui o super poder de guardar com facilidade nomes de artistas e apontar suas participações em produções.

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