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Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips | Crítica

Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips | Crítica

Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips (Justice League Dark: Apokolips War)

Ano: 2020

Direção: Matt Peters, Christina Sotta

Roteiro: Mairghread Scott, Christina Sotta e Ernie Altbacker

Elenco (vozes originais): Matt Ryan, Jerry O’Connell, Jason O’Mara, Tony Todd, Taissa Farmiga, Rosario Dawson, Rebecca Romijn, Nathan Fillion, Sean Astin, Jon Bernthal

Universos alternativos são um prato cheio para roteiristas que trabalham com super heróis. Sem terem que se preocupar com as consequências de suas ideias, geralmente os realizadores se desbundam em criar acontecimentos absurdos, chocantes, que eventualmente geram bom entretenimento. É o que acontece com Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips, a animação que encerra a fase “Novos 52” dos longas de animação da DC Comics. Mas o problema que essas universos alternativos possuem também estão presentes aqui: como iremos realmente nos preocupar ou se chocar com o que acontece, se sabemos que nada está acontecendo “de verdade”? Se tudo será desfeito ali adiante?

O longa começa com a Liga da Justiça armando um ataque preventivo à Apokolips, planeta natal de Darkseid (Todd). Superman (O’Connell), Batman (O’Mara) e Mulher Maravilha (Dawson) convocam o cínico e descrente John Constantine (Ryan) a ajudá-los na missão. A produção pula então, para dois anos depois, e mostra as consequências do que descobrimos ter sido uma derrota acachapante do maior grupo de heróis da DC Comics, e o desenvolvimento do plano daqueles que restaram para desfazer o desastre.

É divertido descobrir que papéis esses personagens assumiram no universo que surgiu após a tomada de Darkseid. Constantine fica pulando de pub em pub de Londres ao lado do demônio rimador Etrigan (Chase), focando em esquecer do perda pessoal que teve na Guerra de Apokolips. Clark Kent, sendo fiel ao seu papel de portador da esperança, se recusa a aceitar a derrota e continua buscando soluções, mesmo inutilizado pela Kryptonita que Darkseid colocou em seu corpo. Bruce Wayne sofreu uma lavagem cerebral que o transformou no detentor da Cadeira de Mobius, artefato que lhe dá onisciência, tornando-o assim o braço direito de Darkseid. As ideias são interessantes, mas o salto que nos faz chegar até lá é grande demais para ser ignorado.

O filme abusa da suspensão da descrença. Óbvio que temos que ter uma tolerância maior com um universo que possui um alienígena que voa e solta rajadas de energia pelos olhos, mas Guerra de Apokolips vai muito além. No terceiro ato, quando todos os focos narrativos da história convergem para o confronto final com o grande vilão, o emaranhamento de conceitos se torna tamanho que é até difícil focar em algo. Demônios de outro dimensão, feitiços mirabolantes, pseudociência, humanos com habilidades inverossímeis… são tantos elementos fantasiosos acontecendo ao mesmo tempo que o fator humano se perde. A ressurreição de um personagem e à volta ao estado “normal” de outro são impossíveis de aceitar, tamanho absurdo e a total falta de interesse de dar alguma consistência ao roteiro.

O longa tem méritos. É muito bom ver todos esses sujeitos em situações atípicas lutando entre si e lançando mão de habilidades até então desconhecidas, e o bom nível de produção certamente ajuda. Os cenários são muito bem construídos, até mesmo o naturalmente desinteressante e asséptico Apokolips. O design dos personagens são um show à parte – especialmente quando alguns deles retornam à trama, em cena do terceiro ato, em formas que não estamos preparados para vê-los. Realmente, de encher os olhos.

Frenético, ultra-violento e movimentado do começo ao fim, Guerra de Apokolips apresenta um bom entretenimento, especialmente para os fãs de pancadaria super heroica. Quem assiste ao filme da forma correta, com certeza terá uma boa experiência. Não espere qualquer desenvolvimento de personagens ou mesmo um único diálogo inteligente. Aqui, somente o espetáculo interessa, nem que isso custe a vida de metade do Universo DC. Mas não tem problema… tudo voltará ao normal. Mais uma vez.

Nota:


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Jornalista em formação, ex-membro do finado e saudoso Terra Zero e leitor de histórias em quadrinhos. Fã de ficção científica e terror, divide seu tempo livre entre o cuidado com suas dezenas de gatos e a paixão pela cultura pop. Sonha com o dia em que perceberão que arte é sim, uma forma de discutir política.

Comments

  1. Gostei muito da animação. O texto ficou bom também (parabéns, Kobi).
    Deu um background, falou de estrutura e da essência que permeia a animação (um dos pontos mais importantes).

    Escreve mais! Abraços do seu amigo do Rio de Janeiro.

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