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Scooby! O Filme | Crítica

Scooby! O Filme | Crítica

Crítica de Scooby! O FilmeScooby! O Filme (Scoob!)

Ano: 2020

Direção: Tony Cervone

Roteiro: Matt Lieberman, Adam Sztykiel, Jack Donaldson, Derek Elliott

Elenco (vozes originais): Frank Welker,Will Forte, Zac Efron, Amanda Seyfried, Gina Rodriguez, Jason Isaacs, Mark Wahlberg, Ken Jeong, Kiersey Clemons, Tracy Morgan, Simon Cowell.

Scooby Doo, onde está você?” Quem não conhece esta frase? Pelo menos, três gerações de crianças acompanharam, nos últimos 50 anos, as aventuras deste canino falante e o grupo de garotos intrometidos que solucionavam mistérios e desmascaravam vilões. A bordo da Máquina Mistério, um furgão com pintura psicodélica, a equipe formada por Scooby, Salsicha, Daphne, Fred e Velma vivia investigando casas mal-assombradas, parques assustadores, ilhas misteriosas e cenas de crimes dos quais a polícia não encontrava pistas para solucionar. Após duas problemáticas versões em live action, lançadas em 2002 e 2004, a Warner volta a apostar na animação, que possivelmente servirá de introdução para um novo universo cinematográfico dos estúdios Hanna-Barbera.

Nesta nova aventura, após um desentendimento entre Scooby (Frank Welker), Salsicha (Will Forte) e seus colegas, o icônico vilão Dick Vigarista (Jason Isaacs) persegue Scooby-Doo, pois ele é uma peça fundamental em seu novo plano maligno. Com a equipe dividida, novos personagens precisam entrar em cena. Falcão Azul (Mark Wahlberg), Dinamite, o Bionicão (Ken Jeong) e Dee Dee Sykes (Kiersey Clemons) surgem para salvar nossos heróis. É a deixa para um crossover no melhor estilo Hanna-Barbera. Além destes personagens clássicos, que possuem participação importante na trama, há também algumas gratas surpresas em pequenas aparições. E, como não poderiam faltar, diversos easter eggs espalhados ao longo dos 94 minutos de filme.

No primeiro ato, o roteiro nos entrega o que esperamos de um filme da turma do Scooby-Doo. Ao apresentar a infância solitária do Salsicha, seu primeiro encontro com o Scooby, o início da amizade com Fred (Zac Efron), Daphne (Amanda Seyfried) e Velma (Gina Rodriguez), todos ainda crianças, a sequência é concluída em um típico caso de ameaça sobrenatural, desvendada pela turma que viria a formar a Mistério S.A.. É como se estivéssemos acompanhando um desenho clássico, sentados no sofá, em um domingo de manhã na década de 1980. Resumindo, inicia com uma trama fiel ao desenho original, que se torna extremamente nostálgica, principalmente para quem, assim como eu, acompanha os personagens há quase 40 anos.

Entretanto, a partir do segundo ato, com os personagens já em suas versões adultas, o rumo da história acaba mudando, se adaptando mais às necessidades do crossover que começava a tomar forma. Afinal de contas, com um vilão como Dick Vigarista e o trio de heróis liderado pelo Falcão Azul, um criminoso comum vestindo uma máscara de borracha e coberto por um lençol se tornaria uma ameaça simples demais. Sendo assim, nesse momento, o filme perde um pouco do ritmo e da lógica construída anteriormente, e leva algum tempo para entrar nos trilhos novamente. Estabelecida a nova realidade, ele volta a funcionar.

Infelizmente, adultos saudosistas não são nem de perto o público-alvo principal do filme. A trama provavelmente funcionará muito bem para o público infantil, mas fica devendo para quem espera sair da sessão com algum assunto relevante para conversar, que possa ser encontrado no sub-texto. Essa proposta tão comum nas animações, principalmente pela compreensão que as crianças não vão sozinhas ao cinema, não foi contemplada na produção. Existem algumas piadas pontuais que exigem um pouco mais de interpretação, mas nada além disso. O único aspecto psicológico não superficial, e que não havia sido escancarado em diálogos expositivos, é desvendado por Salsicha que, ao fazer uma leitura surpreendentemente madura e precisa de uma situação, cria um daqueles momentos de humor que pode passar batido para as crianças.

A animação possui uma estética moderna, de cores vibrantes, que torna todo o visual extremamente bonito, e também diferencia com clareza as locações, além de realçar, através delas, os momentos de maior ameaça. Todos os personagens, inclusive os vilões, se tornam incrivelmente carismáticos, devido aos traços arredondados e expressões cartunescas. Inclusive, a releitura do visual de alguns personagens clássicos uniu criatividade e fidelidade ao material original, sendo um dos pontos altos do filme. Uma pena que algumas destas participações tiveram tão pouco tempo de tela, pois os poucos minutos nos quais eles estiveram presentes foram sensacionais.

Apesar de possuir bons momentos e um ritmo envolvente, Scooby! O Filme entrega algumas lições bem superficiais para o seu público infantil, e oferece menos ainda para o público adulto. E, mesmo que seja um longa divertido, o que o torna um bom passatempo, é fraco para servir como um pontapé inicial para o novo Universo Cinematográfico de Hanna-Barbera, algo que se torna preocupante visto que Scooby-Doo e sua turma estão entre os seus mais importantes e populares personagens. Tomara que consigam acertar o tom no próximo filme, pois o que não falta para eles são grandes personagens, e uma legião gigantesca de fãs de todas as idades.

Nota:


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André Bozzetti

André Bozzetti é professor. Formado em educação física e cinéfilo desde que se entende por gente, começou a estudar a sétima arte por conta própria e criou o projeto Clube das 5 de cinema escolar, do qual é coordenador atualmente, no município de Alvorada. Tem uma queda forte pelo cinema europeu mas não dispensa um bom blockbuster. Sente saudades dos filmes de Vincent Price nas sessões do Corujão.

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Comments

  1. Sua crítica foi excelente. Diferente de outros “críticos” que vomitaram sua arrogância adulta em Scoob! você foi mais coeso e profissional. Bem, não achei que o filme é “superficial” em suas mensagens. No quesito ‘amizade’ o filme faz um belíssimo trabalho no desenvolvimento da relação entre os personagens. Também acho que alguns personagens mereciam mais destaque, mas como você falou, todos são tão carismáticos, então, no todo, missão cumprida ! Lembra que Thor foi o primeiro filme do universo Marvel ? E vendo hoje, até Scoob! se saiu melhor. Certeza que os próximos filmes da nova franquia Hanna Barbera no cinema serão melhores, como você disse, esse é só o começo. E 3 ⭐ e 1/2 foi uma nota super justa. Eu daria 4 ⭐ tranquilamente. Parabéns, boa crítica.

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