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Três motivos para assistir: The Act

Três motivos para assistir: The Act

Em março de 2019, a Hulu lançava The Act, série de drama criminal criada por Nick Antosca e Michelle Dean, e protagonizada por Joey King e Patricia Arquette. Ambas as atrizes receberam nomeações por seus papéis na 71ª edição do Primetime Emmy Award, e a série conquistou o selo fresh no Rotten Tomatoes, com 92% de aprovação do público e 89% no tomatômetro.

The Act não é uma série de fácil digestão. A história mostra a estranha dinâmica da família Blanchard, em que Dee Dee (Arquette) convence a si mesma e a todos ao seu redor que sua filha Gipsy Rose (King) possui diversos problemas de saúde, para mantê-la aprisionada sob seus cuidados.

Para quem gosta de histórias angustiantes e cheias de reviravoltas, The Act é uma ótima pedida. Confira três motivos para conferir a série:

1. Baseada em fatos reais

Por mais que a série avise que a trama possui elementos de ficção, ela é inspirada em uma história real, que ocorreu nos Estados Unidos. Retratada também no documentário Mamãe Morta e Querida (2017), de Erin Lee Carr, o caso chocou o país por Gipsy Rose planejar o assassinato de sua mãe após uma vida inteira de abuso físico e psicológico.

Desde pequena, Dee Dee passou a diagnosticar a filha com diversas doenças, desde alergia ao açúcar até leucemia. Passou a raspar sempre a cabeça da criança, convenceu os médicos a colocarem uma sonda gástrica para alimentação e a forçava a andar sempre de cadeira de rodas, ainda que não tivesse qualquer paralisia. Por causa da farsa, várias entidades e pessoas faziam doações para ajudar a família, que ganhou até mesmo uma casa do governo norte-americano.

No entanto, a pessoa verdadeiramente doente da história é a própria Dee Dee. Na psicologia, existe a chamada Síndrome de Münchhausen por Procuração (SMPP), também conhecida como transtorno factício imposto a outro, que foi definida pelo pediatra Roy Meadow na década de 1970 como uma forma de abuso infantil, em que os pais provocam ou informam falsamente doenças em seus filhos como forma de chamar atenção para si próprios.

O caso Blanchard se tornou o exemplo mais conhecido de SMPP por resultar no assassinato de Dee Dee pelo namorado de Gipsy, Nicholas Godejohn, a pedido da própria garota, para conseguir escapar da vida encarcerada com a mãe.

Atualmente, Gipsy Rose Blanchard cumpre pena de 10 anos, pena mínima por assassinato não-premeditado, enquanto Nicholas foi condenado à prisão perpétua por assassinato em primeiro grau.

2. Sem preto no branco

Para uma série cuja premissa já é inteiramente conhecida pelo espectador desde o trailer, The Act consegue surpreender na sua profundidade. As reviravoltas ficam por conta da complexidade dos personagens, que não permanecem somente nas margens novelísticas de bom ou mau.

São personagens cinzas, com nuances reais e bem exploradas, de modo que não é possível ‘torcer’ por ninguém. Todos são culpados e todos são vítimas. Seus pontos de vista são explorados com sensibilidade e uma excelente direção.

3. Flashbacks e flashfowards

Por ser um caso real e bastante conhecido pelo público, narrar a história-linearmente não seria uma boa escolha de roteiro. A história trabalha inteiramente com diversas linhas narrativas, que se conectam em momentos oportunos para mostrar os acontecimentos que mais abalaram o psicológico de todos os personagens envolvidos, em seus diversos graus de sanidade decadente.

Na narrativa sufocante de The Act, as cenas mais chocantes são intercaladas com visões do passado, e o corte repentino intensifica o impacto dos acontecimentos no telespectador.

The Act pode ser assistida nos aplicativos Starzplay e Hulu. Já o documentário Mamãe Querida e Morta está disponível inteiramente no canal do ID Investigation.


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Jornalista que migrou para a veterinária, mas sem deixar para trás as jornalices. Vive e respira horror, seja em quadrinhos, filmes, séries ou livros. Último posto de defesa da DC Comics em relação à Marvel, embora tenha que fazer vista grossa quando o papo é cinema. Fã de Heavy Metal, games single player e cospobre de carteirinha quando sobra dinheiro no final do mês.

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