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Um Crime Para Dois | Crítica

Um Crime Para Dois | Crítica

Um Crime Para Dois (The Lovebirds)

Ano: 2020

Direção: Michael Showalter

Roteiro: Aaron Abrams, Brendan Gall

Elenco: Issa Rae, Kumail Nanjiani, Paul Sparks, Anna Camp, Kyle Bornheimer

Com estreia originalmente marcada para 3 de abril de 2020, The Lovebirds, aqui traduzido para Um Crime Para Dois, foi um dos primeiros filmes adiados pela pandemia do coronavírus a ser lançado diretamente para o streaming. A Paramount, que já havia feito o mesmo com Aniquilação e O Paradoxo Cloverfield (por motivos diferentes, claro), mandou este filme diretamente na Netflix em um contexto em que comédias não fazem mais tanta bilheteria nos cinemas.

Começando quatro anos antes da trama principal, o longa mostra o primeiro dia juntos do casal formado pelo documentarista Jibran (Kumail Nanjiani) e a publicitária Leilani (Issa Rae) após uma one night stand. Em um encontro desajeitado, a dupla desenvolve o romance de uma forma muito crível e com uma ótima química. No tempo atual, os dois estão à beira do término do relacionamento. Discutindo sobre absolutamente tudo, os dois são obrigados a se aturar por uma noite quando testemunham um assassinato e precisam resolver o crime — uma vez que eles não podem recorrer à polícia por serem um homem paquistanês e uma mulher negra, podendo ser facilmente interpretados como os assassinos.

Não existe nenhuma surpresa para se ver em Um Crime Para Dois, é uma comédia padrão e previsível, que não faz absolutamente nada que já não tenha sido visto em outras produções do gênero, mas que, ainda assim, entretém bastante por suas piadas bem escritas e pelo carisma dos atores principais. Conhecidos por Silicon Valley e Insecure, respectivamente, Kumail e Issa Rae são hilários e funcionam perfeitamente juntos, seja se dando bem ou brigando, os dois carregam o filme nas costas e garantem muitas risadas.

Os protagonistas são muito bem estabelecidos em suas dinâmicas e como suas diferenças afetam o relacionamento. Jibran é mais realista e pragmático (por ser um documentarista) enquanto Leilani é o exato oposto. Todas as discussões são impulsionadas pelo o quão diferente os dois são. O modo como o filme lida com como eles vão lentamente se reconciliando na noite em que são forçados a resolver um assassinato é bastante orgânico. O elenco de apoio, com nomes como Anna Camp e Paul Sparks, pouco pode fazer com participações bem curtas.

O roteiro do de Um Crime Para Dois, escrito por Aaron Abrams e Brendam Gall, não perde tempo. Com apenas uma hora e meia de duração, a produção tem um ritmo muito bom com poucas piadas que não aterrissam — e com a sequência que parodia De Olhos Bem Fechados como parte mais fraca. O único lampejo de criatividade do longa é como o vilão tem uma relação mais resolvido com a ex, que dialoga com o conflito dos protagonistas. A direção de Michael Showalter, que também comandou Doentes de Amor (também protagonizado por Kumail Nanjiani) e diversas séries de comédia, é simples e competente. Não faz nada que não seja esperado em uma grande comédia de estúdio.

Um Crime Para Dois é muito melhor do que as demais que os outros longas do gênero lançados com o selo original da Netflix. Mesmo que não seja inovador em nada, a comédia cumpre a proposta com 90 minutos de muito bom humor e é exatamente disso que precisamos durante a quarentena, filmes simples e divertidos.

Nota:


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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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