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White Lines – 1ª temporada | Crítica

White Lines – 1ª temporada | Crítica

White Lines

Temporada:

Ano: 2020

Criação: Álex Pina

Elenco: Laura Haddock, Tom Rhys Harries, Nuno Lopes, Marta Milans, Daniel Mays, Juan Diego Botto

Ibiza é um paraíso na Terra. A belíssima ilha espanhola atrai turistas do mundo todo seja por suas belezas naturais como pela sua cultura de festas e boates de música eletrônica. O lugar também atrai jovens DJ’s que querem tentar sua carreira ali e viver de diversão. Mas será que viver de diversão é o ideal? Em meio a sexo, drogas e raves, White Lines tenta responder a essa pergunta, e o resultado é uma promissora série do produtor Álex Pina, conhecido por nada menos que La Casa de Papel.

White Lines possui uma ideia inicial bem interessante. O ano é 2000. O jovem Axel Collins (Tom Rhys Harries) é um DJ que vive como se não houvesse amanhã, mas ele desapareceu na ilha. 20 anos depois, seu corpo é encontrado nas terras de uma das principais famílias de Ibiza, os Calafat, e sua irmã mais nova, Zoe (Laura Haddock), decide sair de sua casa em Manchester para descobrir o que realmente aconteceu com seu irmão na ilha. Tudo isso acontece em meio a jornadas de autodescobertas, drogas, orgias e violência gráfica. 

Uma coisa dá para ser dita sobre White Lines: é bem melhor que La Casa de Papel. Mesmo que você acabe não gostando, é perceptível como a nova série da Netflix possui uma direção mais segura, um roteiro melhor trabalhado (apesar de várias incongruências e facilitações) e atuações mais inspiradas que a do programa dos justiceiros assaltantes de vermelho. Ser melhor, entretanto, não livra White Lines de alguns erros recorrentes do trabalho de Álex Pina.

Todos os dez episódios da primeira temporada possuem roteiro de Pina, e é nítido como eles são frágeis. Logo no primeiro episódio, quando Zoe descobre que o corpo de seu irmão foi encontrado em Ibiza, boa parte dos problemas consequentes disso teriam sido evitados se a protagonista não resolvesse brincar de detetive fora de seu país; ou até mesmo se seu marido tivesse conversado melhor com ela, pois a mesma tem um histórico psicológico muito suscetível a recaídas. Traições, assassinatos e outras coisas questionáveis teriam sido evitadas. 

Uma vez que você aceita essas fragilidades, White Lines se torna uma série muito divertida de acompanhar. Você não precisa se apegar a Zoe para curtir o programa, mas é altamente provável que Boxer (interpretado pelo português Nuno Lopes) e Kika (Marta Milans) farão você continuar a maratona. Marcus (Daniel Ways) é outro personagem facilmente apegável. Além desses, há os odiáveis, como Oriol (Juan Diego Botto), Conchita (Belén Lopez) e até mesmo Axel, nos inúmeros flashbacks (alguns sem importância nenhuma para a trama) que o personagem aparece. O elenco cumpre muito bem o que lhe é proposto, especialmente Nuno Lopes, o que demonstra um certo cuidado da produção na escolha de casting.

Mas nem tudo isso faria a série funcionar se ela não fosse tecnicamente eficiente. A fotografia do programa, que está focada em captar exuberantes imagens de Ibiza, possui um tom a mais de saturação, como se a ideia fosse imergir o espectador na sensação de paraíso visual que o lugar traz. As belezas naturais de Ibiza são de tirar o fôlego, e gera um contraste muito bonito com as cenas repletas de pirotecnia das boates que fazem parte da cultura da ilha.

White Lines possui máxima classificação indicativa (no Brasil é recomendada para maiores de 18 anos), e isso é principalmente pelas cenas de uso de drogas, de violência e sexo. E aqui está um dos principais problemas. Não é errado mostrar nudez em produções audiovisuais, desde que essas cenas ajudem a contar a história. Quase toda cena de nudez de White Lines é gratuita e objetificante, especialmente para as mulheres. É como se a produção contratasse um harém de figurantes com corpos esbeltos para ficarem se esfregando em tela, com a desculpa de que “é um programa para adultos”, ou que essas cenas ajudam a “situar o espectador em Ibiza”. Todo episódio tem pelo menos uma cena gratuita de nudez, e isso não deveria mais ser aceitável na indústria do entretenimento.

Como um todo, White Lines é uma ótima série que funciona para o público que sente saudade de La Casa de Papel e também para os que não gostaram de La Casa de Papel. É instigante, bem dinâmica, com personagens bem desenvolvidos, uma trama bem costurada e um excitante visual. Embora tenha ficado pontas soltas para serem amarradas em uma (mais que provável) segunda temporada, a trama geral é bem finalizada, e pode-se dizer que este é o trabalho mais satisfatório de Álex Pina. O que nos resta enquanto novos episódios não sejam produzidos é apreciar a excelente trilha sonora que a série possui. E que venha mais White Lines!

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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