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Capone | Crítica

Capone | Crítica

Crítica de Capone

Capone

Ano: 2020

Direção: Josh Trank

Roteiro: Josh Trank

Elenco: Tom HardyLinda CardelliniMatt DillonKyle MacLachlanAl SapienzaGino CafarelliMason Guccione, Kathrine Narducci

A cena inicial de Capone mostra o maior traficante de bebidas alcoólicas dos anos 1920 brincando com crianças de sua família, já em sua fase final da vida. A bizarra cena gera um estranhamento que irá percorrer toda a duração de 1h40 de um filme, que tinha um potencial absurdo de reapresentar a figura Al Capone para a atual geração, mas que acabou sendo um retrato pseudo-cult do mafioso.

Com montagem, roteiro e direção do polêmico Josh Trank, o filme estrelado por Tom Hardy foca no último ano da vida de Capone. Em meio a AVC’s e uma crise financeira jamais explicada de modo satisfatório no longa, o fim da sua vida é deprimente, no sentido mais triste da palavra. O homem está moribundo aos 48 anos e precisa usar fraldas, pois sua capacidade cognitiva é limitada e não permite suas necessidades fisiológicas. Quem esperava um filme com cenas memoráveis como Os Intocáveis (em que Capone foi brilhantemente interpretado por Robert De Niro), vai se decepcionar.

Capone tem no elenco, além de Hardy, Linda Cardellini, Kyle MacLachlan e Matt Dillon, bons nomes da atuação. A maquiagem pesada no rosto de Hardy também não atrapalha o trabalho do ator. Mas, então, o que faz Capone dar tão errado? A resposta não é tão difícil, e ela está na primeira linha do parágrafo anterior.

Josh Trank estreou na direção com o ótimo Poder Sem Limites, lançado em 2012, na onda dos filmes found footage. Com o sucesso do longa, esperava-se outros bons trabalhos do cineasta. Então, veio Quarteto Fantástico, de 2015, em que Trank brigou com todo mundo que estava envolvido, desde os executivos da 20th Century Fox até o protagonista Miles Teller. O resultado final foi um desastre. Desde então Trank vem dando polêmicas declarações sobre seu filme, sobre o quanto sua liberdade enquanto cineasta foi cortada, e dizia que Capone (chamado de Fonzo até o ano passado) seria sua redenção. Não foi.

Trank fez de Capone um filme esquecível, que marca mais pelas suas bizarrices e cenas escatológicas — em certo momento, o mafioso acorda na cama sujo da própria merda — do que pela capacidade de contar uma boa história. O Al Capone de Tom Hardy estrela cenas de delírios, memórias e sonhos que nada acrescentam ao filme, e não são poucos momentos como esse. Até existe uma subtrama envolvendo um filho perdido de Capone, mas ela só terá relevância no minuto final do longa, quando o espectador já estará cansado demais para acompanhar o que acontece em tela. Isso se ele não largar o filme depois de 30 minutos de projeção.

Em Quarteto Fantástico, Josh Trank reclamou da falta de liberdade. Em Capone, ele a possui, mas não sabe o que fazer com ela. Se mostrar o maior mafioso da história dos Estados Unidos fazendo cosplay de Pernalonga significar a liberdade que Trank tanto queria, pode-se dizer que ele atingiu seus objetivos. Mas, para ser bem justo, ele está mais para o Richard Kelly da última década que, depois de Donnie Darko, seu primeiro filme, nunca mais produziu nada decente. A carreira de Josh Trank é tão decadente quanto seu retrato de Al Capone…

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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