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Por que Arremesso Final não deve ser um candidato a premiações 

Por que Arremesso Final não deve ser um candidato a premiações 

Por Rodrigo Ramos, do Nostalgia Esportiva

A minissérie The Last Dance (Arremesso Final, no Brasil) — uma coprodução Netflix e ESPN —, que retrata a carreira de Michael Jordan, jogador de basquete mais famoso de todos os tempos e considerado pela maioria dos aficionados o melhor a jogar com a laranja, hexacampeão da NBA nos anos 1990, provavelmente tenha sido o documentário sobre esportes mais aguardado da história.

Além da própria representatividade de Jordan no mundo inteiro como um dos maiores atletas da história, a promessa de que haveria imagens inéditas da bastidores pesou e muito para essa expectativa. Além disso, o sentimento de saudade de um jogador que abandonou as quadras há 17 anos e teve seu auge ainda no século passado tornaram ainda mais urgente a vontade dos fãs em acompanhar o doc.

Também contribuíram para a expectativa a ânsia dos fãs de esportes por novidades em meio à pandemia do novo coronavírus. Ou seja, todos os holofotes dos esportistas estavam voltados para esse evento que se tornou uma coqueluche global. Bem como o trabalho da ESPN com sucesso de público e crítica com o documentário ganhador do Oscar, OJ: Made In America, igualmente ajudou a criar expectativas sobre o que seria esse projeto grandioso sobre Jordan e a dinastia Chicago Bulls.

Tal qual o documentário sobre a polêmica, para dizer o mínimo, vida de OJ Simpson, The Last Dance tem quase 10 horas de duração. Mesmo para quem acompanhou a carreira de MJ para além de sua incursão nas telonas com Space Jam, a duração não é sentida. A história é bem amarrada e as imagens são belíssimas. Porém, há dois graves problemas com o documentário em termos de realização.

São eles: o reaproveitamento de muitos depoimentos e vídeos de outros documentários do canal esportivo do Grupo Disney. Notadamente de Jordan Rides The Bus, sobre a passagem de MJ no beisebol profissional, Rodman: For Better And Worse, uma profunda visão do controverso reboteiro dos Bulls e Bad Boys. O último documentário retrata o Detroit Pistons bicampeão da NBA no fim dos anos 1980. O time é o rival mais odiado dos Bulls daquela época.

Outra questão importante é que a tão propagada equipe de filmagem que acompanhou a temporada do hexa dos Bulls, em que pese tenha trazido singelas cenas de bastidores, não contribui tanto para a sensação de ineditismo da obra como um todo. A sensação que fica é de um grande déjà vu, um material perfeito para quem não acompanhou Jordan como jogador. Porém, com poucas novidades para os que já são acostumados a grande estrela da NBA.

Mais um aspecto a lamentar é a vilanização de um dirigente do time de Chicago. Alegadamente, o culpado por aquele time vencedor ter sido desmanchado. O problema é o ar de bullying de escola primária que a narrativa toma ao falar de Jerry Krause, um baixinho, gordinho em meio a gigantes musculosos e que é retratado como um malvado por culpa de complexo de inferioridade.

The Last Dance está longe de decepcionar. Claro, tem-se de levar em conta que é difícil trazer muitas abordagens novas sobre alguém com tanta fama. Mesmo que sua era não fosse dominada por redes sociais e comunicação global. Mas é a velha frase do Pequeno Príncipe: “Você é eternamente responsável por aqueles que cativa”. Por ter criado tanta antecipação, a régua ficou alta demais para que todas as expectativas em torno da série documental fosse cumprida.


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