Sala Crítica
Críticas Destaque TV e streaming

Reality Z – 1ª temporada | Crítica

Reality Z – 1ª temporada | Crítica

Crítica de Reality Z, da NetflixReality Z

Temporada:

Ano: 2020

Criador: Cláudio Torres

Elenco: Guilherme Weber, Emílio de Mello, Ana Hartmann, Ravel Andrade, João Pedro Zappa, Sabrina Sato, Carla Ribas, Jesus Luz, Julia Ianina

Os realities shows são fenômenos mundiais. No Brasil, obviamente, não é diferente. De Big Brother à Masterchef, de No Limite à De Férias com o Ex, todos são (ou foram) sucessos de audiência. O que faltava, no entanto, era explorar este formato, este recorte da realidade, na ficção nacional. Assim, a Netflix e o criador Cláudio Torres — que também dirige a atração — decidiram adaptar, aqui em terras tupiniquins, a minissérie Dead Set (2008), de Charlie Brooker, responsável por Black Mirror.

E é preciso admitir: o mote da série é muito interessante. O reality show Olimpo, que é filmado no Rio de Janeiro, é um sucesso no Brasil. No entanto, enquanto a atração está em andamento, o mundo acaba sendo afetado por um apocalipse zumbi, tornando o cenário do programa um dos últimos refúgios seguros da região, enquanto os participantes ainda estão lá dentro.

Poxa, é uma ideia interessante, ainda mais trazendo isso para a realidade do Brasil. Mas a premissa não se segura e a ideia do reality show acaba se esvaindo rapidamente. Os recursos que a produção poderia explorar dentro do seu universo são dissolvidos em uma condução pobre e uma visão limitada das possibilidades de Reality Z.

Trazendo a proposta para a realidade nacional, a série de 10 episódios busca apontar diversos problemas estruturais da sociedade brasileira, como racismo, corrupção, egoísmo e preconceito, mas tudo é feito de maneira tão rasa que a boa intenção se torna vazia. E tudo isso embalado em diálogos pobres e frases de efeito que, na maioria das vezes, causam vergonha alheia.

Os atores escolhidos para protagonizar a atração também não ajudam: alguns bons artistas são colocados no meio de outros que, bem, não são bons, e o resultado desta mistura é bem constrangedora. E, por isso, todo o nível acaba baixando. Sabrina Sato e Jesus Luz, ambos com pouco tempo de tela, são o menor dos problemas. Acredite. Sem qualquer profundidade, os personagens da atração são unidimensionais e os roteiristas não conseguem se desprender do maniqueísmo barato.

As reviravoltas de Reality Z são previsíveis e, para que funcionem, fica nítido, na tela, que uma série de facilitações na história serviram de bengala: situações forçadamente criadas para que personagens morressem, demoras propositais e forçadas para que a ajuda chegue, distâncias pré-estabelecidas que se tornam maiores para que os zumbis consigam pegar suas presas. E, para que o espectador não perceba tais saídas pobres, uma câmera frenética é utilizada o tempo inteiro. No começo, é interessante. Do meio para o fim, é cansativa e irritante.

Mas vamos lá, a série não é um completo desastre. Apesar de chegar perto. Como dito anteriormente, a premissa é muito interessante e o primeiro episódio chega próximo de ser bom, dando um impulso para que os próximos sejam vistos. Obviamente, o hype não se concretiza. A produção, também, não fica devendo nada aos filmes e séries norte-americanos de zumbis, na questão de maquiagem e ambientação. Até os efeitos visuais, obviamente limitados, encontram soluções criativas para serem apresentados de maneira mais orgânica possível. O desapego por personagens é outro ponto que merece ser destacado — não se apegue a ninguém.

Além disso, vale destacar que a série tem um ritmo muito bom e, mesmo com os inúmeros problemas, ela instiga para que o próximo episódio seja visto. Talvez, seja a ansiedade para ver se aquela história vai melhorar, se vai chegar em algum lugar. E não chega. O resultado final é decepcionante, claro, mas Reality Z foi honesta, mostrando, em diversos momento, que não tinha um caminho satisfatório para ser traçado. Parece que não houve convicção para o projeto, que tentou atirar para todos os lados, apontando para vários alvos, mas não acertou na cabeça de nenhum. É fraco, sim, mas não deixa de ser interessante ver pessoas matando zumbis ao som de Caetano Veloso.

Nota:


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Siga a gente no Instagram!

The following two tabs change content below.
Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Comments

  1. Texto muito bem escrito. Se a série tivesse a mesma “pegada cômica” da sua crítica, talvez fosse mais interessante. Por enquanto, só assisti aos 2 primeiros capítulos; mas, até o momento, concordo com cada vírgula da sua crítica. Quando terminar de assistir, volto aqui para deixar minha impressão final.

    Então, sobre a série, ainda não me sinto apta a opinar. Mas para este texto crítico dou nota 9… foi ele que me despertou a curiosidade para assistir à série.

  2. Texto muito bem escrito. Se a série tivesse a mesma “pegada cômica” da sua crítica, talvez fosse mais interessante. Por enquanto, só assisti aos 2 primeiros capítulos; mas, até o momento, concordo com cada vírgula da sua crítica. Quando terminar de assistir, volto aqui para deixar minha impressão final.

    Então, sobre a série, ainda não me sinto apta a opinar. Mas para este texto crítico dou nota 9… foi ele que me despertou a curiosidade para assistir à série.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close