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7500 | Crítica

7500

Ano: 2020

Direção: Patrick Vollrath

Roteiro: Patrick VollrathSenad Halilbasic

Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Carlo Kitzlinger, Omid Memar, Aylin Tezel, Denis Schmidt, Passar Hariky

“Não existe ateu quando o avião está caindo”, é o que diz aquele velho ditado. Pois é, entrar em uma aeronave é motivo de pânico para muitas pessoas — até para aquelas que sequer passaram perto deste meio de transporte. É um pavor que está no subconsciente de quase todo mundo, uma vez que somos seres terrestres. E o cinema sabe como explorar este medo. Afinal, o que fazer quando algo dá errado a 40 mil pés?

De Serpentes a Bordo a Voo United 93, de Força Aérea Um a Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu, de Con Air a Sully: O Herói do Rio Hudson, não faltam exemplos de produções que conseguem abordar, com eficiência (dentro de seus gêneros, é claro), o pavor de estar isolado em um tubo de metal de 15 toneladas no meio do céu. Agora, a Amazon Studios buscou trazer uma visão ainda mais claustrofóbica sobre o tema com o longa 7500.

Estrelado por Joseph Gordon-Levitt, que dá vida ao jovem co-piloto Tobias Ellis, o filme se passa inteiramente dentro da cabine de comando de um avião que, eventualmente, é tomado por um grupo de muçulmanos (pois é!). O número que dá título ao longa é, justamente, o código para sequestro utilizado pela aviação civil e, assim, teremos que acompanhar a visão do oficial do voo para salvar o avião e os seus passageiros — com o acréscimo dramático de que uma das comissárias de bordo é esposa de Tobias e mãe de seu filho.

Com os sequestradores tentando invadir a cabine em que o comandante e o co-piloto estão, a trama de 7500 não dá um respiro enquanto o avião está no ar — as pausas são quando o veículo está no chão. Assim, além da câmera de Patrick Vollrath conseguir utilizar muito bem o pequeno espaço em que o filme se passa, causando exatamente a sensação de claustrofobia que pretende passar. É interessante, também como o diretor — que também é roteirista — explora o funcionamento da aeronave, detalhando passo a passo a complexidade de manter um bichão daqueles no ar.

A proposta do filme é um dos pontos altos, claro, mas também é o grande problema da trama. Um longa de 1h32 se passar inteiramente dentro da cabine de comando de um avião que está sendo sequestrado é, realmente, interessante, caso exista um roteiro forte o bastante para segurar. O que não é bem o caso. 7500 começa bem, mas se esvai em um script que escorrega nos clichês — tanto na proposta de trazer muçulmanos que querem se vingar dos ocidentais quanto no seu desfecho. O longa até se arrisca ao chocar com uma decisão impactante, mas precoce, que acaba não causando o efeito desejado com o passar dos minutos.

A grande força do longa da Amazon Studios é, de fato, Gordon-Levitt. O ator está, mais uma vez, excelente em cena e consegue passar a verdade necessária para que o filme se segure, mostrando-se seguro em frente a um painel de controle imenso e, também, na dramaticidade ao ver a situação caótica que tomou conta do voo. É uma pena que, em um momento crucial para o personagem, o diretor não conseguiu aproveitar o grande talento que tinha em mãos, finalizando a projeção com menos impacto do que começou.

Um filme pequeno, mas muito bem feito e com uma proposta interessante, 7500 se mantém tenso do começo até — quase — o fim, mas acaba perdendo a oportunidade de entrar no hall dos longas memoráveis sobre terror no ar. O voo até chegou em uma boa altura, mas não conseguiu se manter lá. É uma pena, mas ainda tem o Gordon-Levitt, que faz valer a pena embarcar nesta viagem.

Nota:


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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