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10 atores estrangeiros que brilharam em filmes nacionais

10 atores estrangeiros que brilharam em filmes nacionais

O cinema brasileiro, apesar de forte, raramente exporta alguma de suas estrelas. Atores como Rodrigo Santoro, Seu Jorge, Wagner Moura, Sônia Braga e Alice Braga são exceções. O mesmo não ocorre com a importação: não é raro que um ator estrangeiro dê as caras nas nossas telonas, seja em filmes de romance, drama ou até mesmo uma comédia. No especial de hoje, separamos 10 atores estrangeiros que brilharam por aqui.

Confira:


  • Vincent Cassel – O Filme da Minha Vida (2017), por Diego Francisco

O ator francês não só teve uma prolífica carreira em seu país de origem como também é conhecido pelos seus papéis na trilogia Onze Homens e um Segredo e em Cisne Negro. Cassel teve um papel de destaque em O Filme da Minha Vida, terceiro filme com a direção do ator Selton Mello, em que viveu o pai do protagonista. Apesar do personagem ser francês, o ator apresentou um excelente domínio do português e ele nem precisou aprendê-lo pro longa — o astro parisiense morou no Rio de Janeiro por alguns anos e é craque na nossa cultura.


  • Joaquim de Almeida – O Xangô de Baker Street (2001), por Carlos Redel

Nascido em Portugal, Joaquim de Almeida já deus as caras por produções brasileiras em mais de uma ocasião. Na primeira — e mais marcante — o ator deu vida a Sherlock Holmes, protagonista da comédia O Xangô de Baker Street. O filme, de 2001, é baseado no livro de Jô Soares e contou com direção de Miguel Faria Jr. Na ocasião, o lusitano atuou ao lado de nomes como Caco Ciocler, Cláudia Abreu e Marco Nanini. Além disso, Joaquim de Almeida também esteve no elenco de O Duelo, de 2015, em que contracenou com José Wilker. Vale lembrar que, em 2011, o ator viveu um brasileiro em Velozes e Furiosos 5: Operação Rio — pois é!


  • Jeanne Moreau – Joanna Francesa (1973), Por Gabryel Nunes

A participação gringa nos filmes nacionais não são uma invenção moderna. Em 1973, Jeanne Moreau foi a protagonista em Joana Francesa, do diretor Cacá Diegues. Na trama, Jeanne interpretou a dona de prostíbulo em São Paulo, que resolve aceitar a proposta do Coronel Aureliano – cuja esposa está moribunda – abandonando tudo para acompanhá-lo até seu engenho de açúcar no interior de Alagoas. Lá, conhece a família do Coronel, seus filhos incestuosos, a sogra dominadora, e a rivalidade política e econômica com os Lima, que constroem uma usina e deixam o Coronel com sua antiga plantação à beira da ruína. Para tornar o resultado final acessível ao público brasileiro, Moreau foi dublada pela lendária Fernanda Montenegro. O filme conta com Chico Buarque na direção musical e tem temas cantados por Fagner, Nara Leão e a própria Jeanne, tendo vencido o troféu APCA de 1974 nas categorias de Melhor Música e Melhor Roteiro Original.


  • Miranda Otto – Flores Raras (2013), por Diego Francisco

A atriz australiana conhecida por interpretar Éowyn na trilogia O Senhor dos Anéis e Zelda Spellman na série As Aventuras Sombrias de Sabrina também tem uma produção nacional no currículo. Miranda Otto co-protagonizou Flores Raras, drama baseado em uma história real dirigido por Bruno Barreto, onde deu vida à poeta Elizabeth Bishop, que tinha um romance com a arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares (vivida por ninguém menos que Glória Pires). O longa foi bem recebido e a performance tanto de Otto quando de Glória Pires foram elogiadas.


  • Jerry Lewis – Até que a Sorte nos Separe 2 (2013), por Carlos Redel

Um dos maiores nomes da comédia mundial esteve presente em um filme nacional. Em 2013, Jerry Lewis fez uma participação especial em Até que a Sorte nos Separe 2, longa estrelado por Leandro Hassum — vale lembrar que, na mesma obra, Anderson Silva também atuou. A produção foi o penúltimo trabalho cinematográfico de Lewis, que morreria quatro anos depois, aos 91 anos. No filme brasileiro, Lewis interpreta um bell boy, ou seja, um mensageiro de hotel, em referência ao personagem que interpretou em um de seus maiores sucessos, em 1960.


  • Amy Irving – Bossa Nova (2000), por Gabryel Nunes

Em Bossa Nova, Amy Irving é Miss Simpson, uma norte-americana que mora no Rio de Janeiro e dá aula de inglês para adultos. Num encontro inesperado, a professora conhece Pedro Paulo (Antônio Fagundes), um advogado recém divorciado, que se encanta por ela e resolve se matricular em suas aulas. O elenco conta ainda com Alexandre Borges e Drica Moraes. O filme é uma adaptação de Miss Simpson, livro escrito por Sérgio Sant’Anna, e foi dirigido por Bruno Barreto, que era casado com Irving na época das gravações. Amy Irving é conhecida por ser a única pessoa a ser indicada para o Oscar e o Framboesa de Ouro pelo mesmo filme: Yentl, de 1983. Essa contradição, contudo, não impediu a atriz de brilhar numa produção nacional.


  • Alan Arkin – O Que é Isso, Companheiro? (1997), por Diego Francisco

Em seus mais de 60 anos de carreira, Alan Arkin já fez todo tipo de filme e de série, até Oscar e Globo de Ouro já ganhou, mas muito mais importantes que essas premiações, ele já brilhou em uma produção nacional. Junto com grandes nomes como Pedro Cardoso, Fernanda Torres e Selton Mello, Arkin participou de O Que é Isso, Companheiro?, comédia de Bruno Barreto que ficcionaliza o sequestro real do embaixador americano Charles Burke Elbrick por um grupo de guerrilheiros nacionais. O longa chegou a concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro daquele ano, mas perdeu.


  • Udo Kier – Bacurau (2019), por Carlos Redel

Udo Kier é um dos atores que mais trabalha. Em sua ficha no IMDb, o artista é creditado em impressionantes 267 produções. Entre elas, Bacurau, filme nacional de 2019 que foi um sucesso de público e de crítica ao redor do mundo — faturando, inclusive, o Prêmio do Júri do Festival de Cannes. Na produção de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, Kier dá vida a Michael, um norte-americano que traz um grupo de gringos para caçar brasileiros na cidade de Bacurau. Um papel repugnante que o ator interpretou com maestria.


  • Marcello Mastroianni – Gabriela (1983), por  Gabryel Nunes

O latin lover da década de 60 também deixou sua marca na cinegrafia brasileira. Marcello Mastroianni – atemporal e supremo em La Dolce Vitta (1960) e 8 1/2 (1963) – interpretou Nacib al Saad em Gabriela de 1983, que levou o livro de Jorge Amado às telonas. Nacib é o dono do bar mais popular de Ilhéus, que recebe Gabriela (Sônia Braga), uma retirante que foge da seca. A migrante logo cai nas graças de toda a cidade, e passa a trabalhar no bar de Nacib, com quem inicia um tórrido e apaixonado relacionamento, Mastroianni quase foi impedido de participar do filme, pois tinha apenas um visto de turista, o que lhe impedia de exercer um trabalho remunerado enquanto estivesse no país. Felizmente o filme foi rodado no Brasil,  a situação foi resolvida com um toque do famoso jeitinho brasileiro, e Marcello Mastroianni gravou seu nome na história do cinema nacional.


  • Willem DafoeMeu Amigo Hindu (2015), por Carlos Redel

Willem Dafoe é um dos melhores atores da atualidade, entregando sempre personagens incríveis e profundamente bem trabalhados. Em 2015, o artista estrelou Meu Amigo Hindu, filme de Héctor Babenco que flerta com uma autobiografia do diretor. Na produção, que dividiu as opiniões do público e da crítica, o artista norte-americano contracenou com diversos nomes brasileiros, como Maria Fernanda Cândido, Reynaldo Gianecchini, Selton Mello e Bárbara Paz. Vale lembrar que, poucos meses depois da estreia de Meu Amigo Hindu, o diretor Héctor Babenco acabou falecendo, deixando este como o seu último filme.


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Ator, escritor, diretor e roteirista, Gabryel é ruim em todas essas coisas. Crítico por natureza, adora reclamar de tudo, e é fã de filmes que ninguém tem paciência pra assistir. Carrega a convicção de que Click é um clássico cult e quem discorda é clubista.

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