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Wasp Network: Rede de Espiões | Crítica

Wasp Network: Rede de Espiões | Crítica

Crítica de Wasp Network, da Netflix

Wasp Network: Rede de Espiões (Wasp Network)

Ano: 2020

Direção: Olivier Assayas

Roteiro: Olivier Assayas

Elenco: Penélope Cruz, Édgar Ramírez, Gael García Bernal, Ana de Armas, Wagner Moura

Ao contrário do que é visto nas franquias 007 e Missão: Impossível, o mundo da espionagem não é tão agitado e cheio de ação na vida real. Os espiões não têm armas modernas, equipamentos tecnológicos ou precisam sair lutando contra diversos inimigos. Um agente infiltrado de verdade tem poucas coisas a favor dele e discrição é uma delas. O que não quer dizer que filmes deste gênero sejam chatos por causa disso, é preciso saber dosar a tensão na medida certa para contar uma boa e eficiente história. O que não é o caso de Wasp Network: Rede de Espiões, na maior parte do tempo.

Dirigido por Olivier Assayas, o filme é baseado no livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, escrito pelo brasileiro Fernando Morais, que mostra a história real da Wasp Network, uma célula espiã cubana infiltrada nos Estados Unidos nos anos 1990, com o objetivo de recolher informações de contrainteligência para combater as investidas das autoridades americanas em Cuba. A obra segue dois desertores do regime comunista do país, René Gonzalez (Édgar Ramirez), que precisou abandonar a família por não conseguir mais trabalhar como piloto, e Juan Pablo Roque (Wagner Moura), que traiu Cuba por motivos similares, mas com menos a deixar para trás, mais interessado em viver o sonho americano.

O longa também mostra as dificuldades passadas por Olga (Penélope Cruz), esposa de René. Além de estar presa dentro do país em um dos períodos mais desafiadores para a população cubana, que sofria com longos apagões e faltas de necessidades básicas, a mulher precisava lidar com o preconceito de ser casada com um traidor e mal vista por todos. Ana Magarita Martinez (Ana de Armas), a outra protagonista feminina na trama, já vive nos Estados Unidos e começa a passar por conflitos quando se relaciona com Juan Pablo – enquanto o relacionamento começa bem e intensamente, não demora para os segredos do dissidente cubano, bem como a vaidade e ganância dele, começarem a trazer obstáculos para ela.

A primeira meia hora de Wasp Network é bem envolvente e faz um ótimo trabalho estabelecendo os personagens e conflitos que acompanhamos pelas duas horas de projeção. No entanto, por mais promissor que pareça no começo, o roteiro, também escrito por Assayas, é bastante irregular. Enquanto o filme nunca fica tecnicamente ruim, é bem fácil perder o interesse no que está acontecendo — falta uma consistência e um ritmo maior aos acontecimentos e, em questão disso, o resultado final não é tão consistente quanto deveria ser.

Depois de uma hora, existe uma virada muito bem executada e que, mais uma vez, faz com que o longa ganhe forças, mas apenas para perdê-las de novo. E mais uma vez. Outro grande problema que compromete bastante a experiência são as duas principais cenas de suspense, uma envolvendo um embate aéreo entre jatos americanos e cubanos e outra consistindo de diversas bombas sendo plantadas em pontos turísticos do país da América Central. Nenhuma das duas sequências consegue evocar tensão como deveriam. A segunda, principalmente, por precisar introduzir um personagem inédito bem na reta final.

Enquanto o roteiro é claramente o ponto mais problemático de Wasp Network, o mesmo não pode ser dito sobre a direção de Olivier Assayas. Mesmo que falhando nos momentos que deveriam ser mais intensos, o diretor francês consegue fazer um filme visualmente muito bonito, aproveitando ao máximo as locações, estabelecendo bem os personagens e suas relações. E o mais importante: ele é ótimo na condução dos atores.

O elenco literalmente carrega esta produção nas costas, que conta com os melhores nomes dos países latinos. Penélope Cruz é a rainha do show, sua personagem é a que tem o arco mais dramático que os demais, sendo abandonada pelo marido e pelo país, e ela é maravilhosa em toda cena. Wagner Moura e Ana de Armas, que este ano já viveram um casal em Sergio, aqui mostram mais uma vez que tem uma ótima química juntos. Édgar Ramirez é competente no seu protagonista e convence nos raros momentos que precisa demonstrar alguma emoção. No entanto, Gael García Bernal é o maior prejudicado: seu personagem, por mais central que seja para a trama, só dá as caras depois de uma hora e não passa por nenhum desenvolvimento, desperdiçando o talentoso mexicano.

Chegando a uma conclusão boa, mas falhandi ao finalizar o arco de Juan Pablo e Ana às pressas, 30 minutos antes do desfecho, Wasp Network é mais um caso de um elenco cheio de grandes nomes dando o seu melhor para vencer as limitações do roteiro e, por mais que consigam se destacar na parte das atuações, não superaram os demais problemas da produção. Apesar de bom, os atores envolvidos, juntos, mereciam um filme bem mais competente.

Nota:


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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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