Sala Crítica
Críticas Destaque TV e streaming

Coisa Mais Linda – 2ª temporada | Crítica

Coisa Mais Linda – 2ª temporada | Crítica

Coisa Mais Linda

Temporada:

Ano: 2020

Criadores: Heather RothGiuliano Cedroni

Elenco: Maria CasadevallPathy DejesusMel Lisboa, Gustavo Machado, Leandro LimaÍcaro Silva, Larissa Nunes, Fernanda Vasconcellos, Gustavo Vaz

Pouco mais de um ano após a estreia de Coisa Mais Linda, a Netflix lança a segunda temporada de uma das séries brasileiras mais promissoras da plataforma. Com uma ótima direção de arte, trilha sonora e atuações inspiradas das protagonistas, o primeiro ano da atração chegou como a melhor série nacional do serviço de streaming. Após os acontecimentos devastadores do último episódio, havia uma expectativa sobre como os criadores Giuliano Cedroni e Heather Roth dariam sequência à história de Malu, Adélia, Lígia e Thereza — e, bem, o resultado não é nada mais do que apenas operante.

Depois de ser baleada por Augusto, Malu (Maria Casadevall) acorda de um coma ao som de uma alegre bossa nova cantada por Lígia (Fernanda Vasconcellos), mas era apenas uma ilusão. Lígia, que também foi baleada por Augusto, seu marido, veio a falecer. O quarteto das amigas protagonistas agora é apenas um trio. Matar Lígia foi uma decisão esperta dos criadores do show, pois isso trouxe uma nova dinâmica para a série, mas os desdobramentos disso não são lá muito satisfatórios.

Esse, que deveria ser o principal fio condutor da temporada, acaba sendo jogado para escanteio, tornando-se relevante para a trama apenas nos episódios finais. No entanto, o fato de não existir um enredo principal para a temporada funciona, permitindo que o roteiro explore outras possibilidades, como a dinâmica de Malu e Roberto (Gustavo Machado), o novo emprego de Thereza (Mel Lisboa) e as relações familiares de Adélia (Pathy Dejesus). Todas essas novas ramificações da história contribuem para o desenvolvimento do trio protagonista e para que o público se apegue ainda mais nas personagens.

O positivismo da série que marcou a primeira temporada se mantém presente. Mesmo envoltas em tragédias e problemas pessoais, é incrível ver como essas amigas ajudam tanto umas às outras. Pode existir um universo de diferenças entre elas, seja de personalidade ou até mesmo de classe social, mas a parceria delas é forte. Em tempos que mulheres anti-feministas – como uma que foi presa recentemente – possuem tanta relevância, é um respiro saber que o alcance de uma série como Coisa Mais Linda é tão grande, fazendo com que a mensagem de apoio chegue a mais pessoas.

Outro ponto positivo da nova temporada é o ‘sumiço’ de Chico (Leandro Lima). O cantor boêmio de bossa nova teve sua participação bastante reduzida, agora que ele está em uma carreira internacional. Felizmente, não fez nenhuma falta. Por mais relevante que ele tenha sido no primeiro ano, Chico agora não precisa mais ser um personagem recorrente. O tempo que seria gasto com ele na segunda temporada foi melhor aproveitado na relação entre Malu e Roberto, um casal com muito mais química, muito disso pelas ótimas atuações de Maria Casadevall e Gustavo Machado.

Apesar de tudo parecer interessante na teoria, na prática a história é diferente, e graças a um detalhe técnico que deveria ser crucial: a montagem. A segunda temporada de Coisa Mais Linda sofre, principalmente nos episódios finais, com acontecimentos jogados em tela que estão ali simplesmente para chocar. O mais decepcionante é que esses fatos deveriam ter acontecido lá atrás, nos primeiros episódios, pois são importantes demais para serem tratados com descaso. A impressão que passa é que os roteiristas estavam simplesmente cansados de certo personagem e resolveram dar um fim rápido em sua trajetória (algo no estilo Grey’s Anatomy). É uma pena, pois essa subtrama teria gerado uma excelente temporada se tivesse o tratamento ideal.

Caso Coisa Mais Linda seja renovada para um terceiro ano – parte de mim espera que sim, mas a outra parte está preocupada –, provavelmente, a série perderá boa parte de sua alma. O principal charme da série é a amizade das protagonistas ao som de muita música brasileira de qualidade, mas o último minuto do último episódio parece querer transformar a história em um romance de Agatha Christie, algo totalmente fora da realidade de Coisa Mais Linda. É uma decisão bastante equivocada, já que vários ganchos legais foram deixados, mas o desejo pelo choque do espectador simplesmente por chocar falou mais alto. Eu vou estar pronto para uma terceira temporada, mas, infelizmente, com a expectativa um pouco menos calorosa…

Nota:


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Siga a gente no Instagram!

The following two tabs change content below.

João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

Comments

  1. Estava procurando uma crítica que dissesse tudo o que eu senti assistindo a série, só achei comentários sobre os assuntos comentados na série e não sobre a montagem. A série ficou muito carregada, parecia novela mexicana todo episódio um fato chocante que se fosse retirado nem ia fazer diferença! Amei o que foi retratado, mas a série pecou nessa área.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close