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Três motivos para assistir: Sacred Lies

Três motivos para assistir: Sacred Lies

Sacred Lies é uma websérie produzida para a plataforma Facebook Watch, baseada no livro As Mentiras Sagradas de Minnow Bly, de Stephanie Oakes. O nome por trás da adaptação é Raelle Tucker, que já havia trabalhado como roteirista em alguns episódios de Supernatural, Jessica Jones, True Blood, The Returned e Eyes. Uma curiosidade interessante sobre a série é que Raelle Tucker cresceu em uma seita religiosa indiana chamada Movimento Rajneesh, o que a inspirou a trabalhar com cultos semelhantes em seus roteiros.

A série tem uma proposta interessante: misturar a investigação criminal com elementos de fantasia. Com uma proposta antológica estilo American Horror Story, em que cada temporada conta uma história diferente, seu foco é intercalar crimes sombrios e recheados de reviravoltas misteriosas com histórias sobre amizade e superação. De fato, uma combinação curiosa, mas que rendeu uma narrativa que apela tanto para nossa curiosidade mórbida quanto para nossa vontade de ver os finais felizes (ou ao menos agridoces) dos contos de fadas. Para quem tem interesse em consumir um conteúdo mais curto e dinâmico de se assistir (cada temporada possui 10 episódios com duração aproximada de meia hora), Sacred Lies promete enigmas envolventes e estranhas seitas culturais e religiosas.

1) Seitas, assassinatos e… Contos de Fadas

Histórias sobre serial killers, ou simples assassinatos, não seriam tão populares se as pessoas não tivessem uma curiosidade natural sobre as atitudes mais doentias que o ser humano é capaz de cometer. No caso das seitas, religiosas ou não, tais como a Família Manson ou Jonestown, são temáticas que, apesar dos macabros atos cometidos pelos seus membros, costumam atrair bastante a atenção do público, sejam em obras de ficção ou documentários.

A primeira temporada de Sacred Lies conta a história de Minnow Bly (Elena Kampouris), uma sobrevivente de uma seita religiosa. Os kevinianos, denominados por causa de seu ardiloso profeta Kevin Groth (Toby Huss), viviam isolados da sociedade em uma floresta e cultuavam uma entidade chamada Charlie, cujos mandamentos condenavam a leitura e as pessoas negras.

Logo no início da temporada, a maioria dos membros da seita desapareceu e dois corpos foram encontrados carbonizados no acampamento dos kevinianos. Minnow, uma adolescente traumatizada cujas mãos foram cortadas, aos poucos começa a ganhar confiança e a contar sua triste história para o Dr. Alan Wilson (Kevin Carroll), o psicólogo do FBI designado para ajudar no caso.

A narrativa, que segue o mesmo padrão na segunda temporada, é uma colcha de retalhos, que aos poucos vai sendo preenchida para compreendermos totalmente os acontecimentos. Os contos de fadas não são explícitos, mas funcionam como uma aura onírica sobre os episódios que, por mais macabras que sejam as ações de alguns personagens, ainda mantém um ar de fantasia idílica. A própria protagonista Minnow possui uma aparência meio feérica e parece pertencer às próprias matas em que foi criada, não como uma fanática religiosa que sofreu uma severa lavagem cerebral desde a infância, mas sim como uma criatura genuinamente pura, como uma das protagonistas das histórias que lhe foram proibidas a vida inteira.

Curiosamente, a série manifesta com maior evidência sua inspiração nos contos de fadas nos momentos mais sombrios. A Cinderela, personagem que é a mais evidente inspiração para ambas as temporadas da série, é evidenciada, por exemplo, quando os kevinianos decidem torturar uma de suas cultistas ao colocar seus pés em um sapatinho não de cristal, mas de metal incandescente. Em outra cena, vemos a própria Minnow, já sem as mãos, sendo ajudada a colocar as próprias botas pela típica figura de um príncipe encantado.

Para quem quiser se aprofundar ainda mais na história contada na primeira temporada, foram feitos dois spin-offs com sete episódios cada, com vídeos que possuem cerca de três minutos. Fatal Following: The Truth About the Kevinian Cult é narrado em estilo de documentário criminal e mostra o cotidiano da seita dos kevinianos, enquanto Juvie Stories é executado como se fossem vlogs, para apresentar mais detalhadamente as personagens que Minnow conhece no centro de detenção juvenil.

2) Juliette Lewis

Na segunda temporada, subtitulada The Singing Bones, ainda que ambientada no mesmo universo de Minnow e dos kevinianos, temos uma história completamente diferente. A protagonista agora é Elsie (Jordan Alexander), uma jovem que foi abandonada pelo pai em um restaurante aos cinco anos de idade com apenas um violão. Desde então, a adolescente tem trocado constantemente de lares adotivos, o que deixou marcas profundas em seu psicológico.

E é aí que entra o motivo que, pessoalmente, me levou a assistir essa série: a primeira e única Juliette Lewis. A atriz e cantora ganhou seu maior destaque na década de 1990, ao estrelar filmes como Assassinos por Natureza e Um Drink no Inferno (ambos roteirizados por Quentin Tarantino), Cape Fear (dirigido por Martin Scorsese) e Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador, protagonizado por Leonardo DiCaprio e Johnny Depp. A atriz colecionou ao longo de sua carreira diversas indicações e conquistou alguns prêmios de atuação, como o de Melhor Atriz por Assassinos por Natureza no Festival Internacional de Cinema de Veneza e Melhor Atriz Coadjuvante por O Entardecer de uma Estrela no Blockbuster Entertainment Awards.

Juliette Lewis interpreta Amelia Harper, uma investigadora independente obcecada em descobrir a identidade de corpos encontrados que jamais foram procurados pelas famílias e, portanto, foram enterrados sem sequer um nome. Após descobrir que o pai de Elsie, preso por abandono de menor, pode estar envolvido em um antigo assassinato de uma jovem desconhecida, Lewis vai atrás da adolescente para entender melhor os acontecimentos do passado.

3) Blumhouse

Na produção temos a Blumhouse Productions, um dos poucos estúdios de Hollywood que podem dizer que possuem fãs. A Blumhouse é famosa por trabalhar bastante com o gênero de horror, e seus filmes mais famosos  variam de Atividade Paranormal, Uma Noite de Crime, Corra!, A Morte te Dá Parabéns, Fragmentado, Halloween e, mais recentemente, O Homem Invisível.

Além do horror, também temos filmes de outros gêneros assinados pela empresa, tais com os premiados Whiplash e Infiltrado na Klan. Dos diretores que passaram pelos seus estúdios estão Jordan Peele, Mike Flanagan, James Wan, M. Night Shyamalan, entre outros.

E a melhor parte: Sacred Lies pode ser assistido completamente de graça através do Facebook Watch, nesse link aqui. Até o momento, não existe opção dublada disponível, mas há legendas em português.


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Jornalista que migrou para a veterinária, mas sem deixar para trás as jornalices. Vive e respira horror, seja em quadrinhos, filmes, séries ou livros. Último posto de defesa da DC Comics em relação à Marvel, embora tenha que fazer vista grossa quando o papo é cinema. Fã de Heavy Metal, games single player e cospobre de carteirinha quando sobra dinheiro no final do mês.

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