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Bala Perdida | Crítica

Bala Perdida | Crítica

Crítica de Bala Perdida, da NetflixBala Perdida (Balle Perdue)

Ano: 2020

Direção: Guillaume Pierret

Roteiro: Guillaume Pierret, Alban Lenoir, Kamel Guemra

Elenco: Alban Lenoir, Nicolas Duvauchelle, Ramzy Bedia, Stéfi Celma, Rod Paradot, Sébastien Lalanne, Pascale Arbillot, Arthur Aspaturitan, Patrick Médioni, Alexandre Philip, Thibaut Evrard

O mercado americano tem perdido espaço no top 10 da Netflix brasileira. Essa semana, o queridinho é Bala Perdidaque estreou no dia 19 na plataforma de streaming, e se mantém firme no primeiro lugar do ranking de produções mais assistidas. Isso se deve pela fórmula simples e boa execução; um filme clichê, sem dúvidas, mas nem por isso menos divertido e prazeroso de assistir.

Na trama, acompanhamos Lino (Alban Lenoir), um mecânico que foi preso ao tentar assaltar uma joalheria para pagar uma dívida de seu irmão Quentin (Rod Paradot). Por suas habilidades em reformar e reforçar carros, Lino é recrutado por Charas (Ramzy Bedia) para ser o mecânico da Divisão de Interceptação da polícia francesa – responsável por combater o transporte de drogas e outros contrabandos.

Lino aceita a proposta, e passa a trabalhar na oficina da Divisão, fora do presídio. Em uma operação de interceptação, contudo, Charas apreende um injetor de turbo idêntico àqueles montados por Lino, que imediatamente percebe que seu irmão, mais uma vez, está envolvido com as pessoas erradas. O policial e o mecânico resolvem visitar Quentin, mas o plano dá errado e Lino se vê em perigo ao descobrir um núcleo corrupto dentro da divisão. O mecânico acaba preso novamente, e descobre que será o bode expiatório de um crime que não cometeu. E como todo bom clichê, precisa lutar contra tudo e contra todos – de forma literal em uma das sequências.

Bala Perdida tem muitos pontos positivos. O que mais se destaca é o roteiro bem feito, com a trama bem amarrada. Alguns acontecimentos no começo do filme têm fortes consequências no desenrolar da história; nenhuma subtrama é deixada de lado, e a história dá conta de todas sem virar um emaranhado de acontecimentos. Essa clareza nos acontecimentos facilita o trabalho dos atores – que, aliás, estão muito bem – torna possível que os personagens sejam multidimensionais e entrega um resultado fluido, que se soma à beleza das cenas. A fotografia é bonita e utilizada de forma segura, sem grandes invencionismos, o que fortalece a obra como um todo.

O filme peca em seu ritmo. O primeiro ato é lento, com bastante diálogos e poucas cenas de ação. Isso se mostra importante ao longo do filme, mas prejudica a experiência inicial. O segundo ato não soube balancear os momentos mais acelerados com outros de maior tranquilidade; dessa vez, a falta de ritmo não atrapalha, mas incomoda um pouco. Em seu terceiro ato, porém, a direção acerta a mão, e as cenas conversam muito bem, sejam mais lentas, tensas ou absolutamente frenéticas. Até o alívio cômico encontra seu lugar de forma orgânica e natural.

Sem trazer muitas novidades ao gênero, Bala Perdida é mais um filme de um outsider tentando provar sua inocência enquanto é perseguido pela polícia; tem um pé em 60 Segundos e outro em Velozes e Furiosos (na época em que carros ainda corriam apenas contra outros carros), e entrega um resultado bastante positivo. Com uma curta duração (1 hora e 33 minutos), é uma excelente opção de entretenimento, e justifica com méritos ocupar o topo do ranking da Netflix.

Nota:


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Ator, escritor, diretor e roteirista, Gabryel é ruim em todas essas coisas. Crítico por natureza, adora reclamar de tudo, e é fã de filmes que ninguém tem paciência pra assistir. Carrega a convicção de que Click é um clássico cult e quem discorda é clubista.

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Comments

  1. Muito boa crítica, o melhor de vir aqui é sair tendo a certeza de que não irei perder meu tempo! Mas falando em “bala perdida” e em “não perder tempo” recomendo a vocês esta obra de arte https://youtu.be/aAksz2aAxKI que na minha opinião é bem melhor q esse filme 4stars… salve Nunes Gabryel tamo junto !

  2. Mas o que fizeram com a mala de dinheiro que ficou na fazenda?

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