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Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars | Crítica

Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars | Crítica

Crítica de Festival Eurovision da Canção, da Netflix

Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars (Eurovision Song Contest: The Story of Fire Saga)

Ano: 2020

Direção: David Dobkin

Roteiro: Will Ferrell, Andrew Steele

Ano: Will Ferrell, Rachel McAdams, Pierce Brosnan, Dan Stevens, Melissanthi Mahut, Demi Lovato, Mikael Persbrandt 

Em toda a sua carreira, Will Ferrell foi um comediante divisivo. Desde que saiu do Saturday Night Live e começou a protagonizar seus próprios filmes de comédia, ele conquistou uma legião de fãs e também de pessoas que simplesmente não suportam o seu senso de humor, que por vezes pode parecer infantil e obsceno. Más notícias, Festival Eurovision de Canção: A Saga de Sigrit e Lars não vai conquistar nenhum novo admirador para Ferrell, nem agradar muito os apreciadores.

Baseado no festival anual de música europeia em que cada país do continente tem o seu concurso local para definir qual artista ou banda irá representá-lo na competição, que já popularizou nomes como ABBA e Celine Dion, de europeu o filme não tem muito. No longa, acompanhamos Lars (Ferrell, americano) e Sigrit (Rachel McAdams, canadense) desde a infância, quando assistem a competição pela primeira vez, em 1974, edição em que ABBA venceu e um ano após a morte da mãe do garoto. Juntos, a dupla forma a Fire Saga, uma banda em que cantam e tocam com mais empolgação do que talento. Eles são a piada da pequena cidade da Islândia em que passaram a vida inteira e não têm a aprovação de Erick Erickssong (Pierce Brosnan, britânico), pai de Lars.

Por causa de um grande acidente, ambos conseguem a grande chance de serem aprovados no Eurovision e, apesar de serem os últimos colocados e não terem a fé de absolutamente ninguém, eles vão dar o seu melhor para não fazer feio na frente do mundo todo. Apesar de lançado em 2020, todo mundo já assistiu este novo lançamento da Netflix dezena de vezes. Não existe nada de inédito ou interessante, tudo o que acontece é extremamente previsível e é possível ver a reviravolta do terceiro ato chegando a quilômetros de distância.

O diferencial nesta fórmula batida é o talento do elenco. Ferrell interpreta o mesmo personagem que sempre esteve interpretando em toda sua carreira, o adulto infantil ou emasculado que precisa aprender a amadurecer e aprender a lidar melhor com as coisas. No entanto, o destaque definitivamente é Rachel McAdams. A atriz, que já tinha sido uma grande revelação no gênero em A Noite do Jogo (ela só protagonizava comédias românticas como o interesse amoroso), aqui pode mostrar todo o seu carisma e timing cômico, carregando o longa nas costas. Mesmo que a cena não seja engraçada, McAdams consegue cativar e tornar a experiência de assistir Eurovision melhor do que realmente deveria ser.

No elenco de apoio, o russo Alexander Lemtov (interpretado pelo inglês Dan Stevens) brilha como um espécie de antagonista para o possível (e desnecessário) romance entre os dois protagonistas , sendo interessante por realmente se importar com a carreira de Sigrit e querer o melhor pra ela — pena que o resto do personagem se resuma a uma caricatura de alguém ainda no armário. Natassia Demetriou, da subestimada série What We Do in the Shadows, está ótima na sua única cena. Pierce Brosnan está apenas fazendo a mesma cara de bravo mal humorado que resume sua carreira nos últimos anos, e Graham Norton, famoso apresentador britânico de talk show, está bastante deslocado como comentarista do festival, com uma participação bem limitada. E, por fim, fãs da cantora americana Demi Lovato vão se decepcionar, ela está apenas em um ou dois minutos de filme e nem canta uma música completa.

Além de previsível e nada original, outro problema da produção é a sua nacionalidade. Não existe nada de errado em um filme americano retratar algo de outra cultura, desde seja feito certo, assim como também não existe nada muito negativo em atores interpretarem personagens de outro país — só que neste caso, definitivamente, não funciona. Todos os sotaques soam audivelmente ruins até para quem não é familiar com os idiomas, completamente vagos, estereotipados e inconstantes. Will Ferrell mesmo sempre abandona o sotaque islandês quando tem alguma cena emocional e é péssimo. Reproduções das culturas europeias podem não ser bem vistas pelos representados.

Quanto às músicas originais, elas são muito boas, na verdade. Claro, nenhuma deve ser indicada aos prêmios de Melhor Canção Original ou inspirar ouvir o álbum repetidas vezes, mas especialmente Volcano Man, Double Trouble e Lion of Love são ótimas e as performances dos atores, sem experiências musicais, não fazem feio. Em suas mais de duas horas de duração, é uma pena que o resto de Festival Eurovision da Canção não funcione de forma tão competente quanto deveria. Existe uma cena em que tem a estética de falso documentário e se o filme apostasse mais neste formato, talvez teria um produto final melhor deste que recebemos.

Nota:


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Estudante de jornalismo, tem 21 anos e é assistidor de séries semi profissional. Viciado em cinema desde sempre, nunca trabalhou na área e pretende mudar isso algum dia. Fã do Studio Ghibli, slashers e musicais, adora cinema sul-coreano e nas suas formas de vingança.

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