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Ninguém Sabe que Estou Aqui | Crítica

Ninguém Sabe que Estou Aqui | Crítica

Crítica de Ninguém Sabe Que Estou Aqui, da NetflixNinguém Sabe que Estou Aqui (Nadie Sabe que Estoy Aquí)

Ano: 2020

Direção: Gaspar Antillo

Roteiro: Enrique VidelaJosefina FernándezGaspar Antillo

Elenco: Jorge GarciaLuis GneccoMillaray LobosAlejandro GoicLukas VergaraVicente AlvarezEduardo Paxeco

No final dos anos 1980, uma dupla de reggae chamada Milli Vanilli estourou nas paradas musicais. Até chegaram a ganhar um Grammy, o prêmio máximo da música. Mas, em 1990, descobriram que o sucesso da dupla era baseado em uma fraude, já que eram apenas dublês: eram outras pessoas que cantavam as músicas. O resultado foi ostracismo e a morte por overdose de um dos membros, Rob Pilatus, anos depois. Hoje, vamos falar de um filme que tem uma história ligeiramente semelhante, mas que põe foco no real artista, e não apenas no dublador.

Ninguém Sabe que Estou Aqui acompanha a história de Memo Garrido (Jorge García), um homem introspectivo e de poucas palavras na casa dos 40 anos que mora com seu tio Braulio (Luis Gnecco). A rotina de Memo é simplesmente trabalhar na fazenda de lã de seu tio e, nas horas vagas, invade casas de pessoas ricas e imagina uma versão superstar de si mesmo. Após um incidente, ele conhece Marta (Millaray Lobos), e sua vida começa a sofrer grandes mudanças, principalmente quando seu passado vem à tona.

Crítica de Ninguém Sabe Que Estou Aqui, da Netflix

Nos anos 90, Memo foi um cantor-mirim, mas não era ele quem aparecia nos palcos: ele só emprestava a sua voz impecável, uma vez que o produtor não achou que as adolescentes em puberdade comprariam aquele garoto acima do peso — e seu pai aceitou que fosse achado um rosto diferente para aquele talento. Esse fato também contribui para a conturbada relação de Memo com seu pai, que guarda um grande rancor por tudo de traumático que lhe aconteceu na adolescência.

A história de Ninguém Sabe que Estou Aqui é simples, mas a magia está no modo em que ela acontece. O chileno Gaspar Antillo comanda com maestria o filme quase todo falado em espanhol, sempre colocando a excelente atuação de Garcia em evidência, focando na vulnerabilidade de seu personagem e, quando necessário, destacando a grandiosidade de Memo. Além disso, o cineasta opta por cenas oníricas a la David Lynch, enriquecendo ainda mais a experiência do espectador.

O dono do filme é Jorge Garcia. Mais conhecido como o Hurley de Lost, o ator americano (cujo sotaque não-chileno é espertamente justificado no filme) nunca mais teve uma oportunidade de demonstrar seu talento como em Ninguém Sabe que Estou Aqui — seu currículo pós-Lost vai de um faroeste com Adam Sandler a uma série policial esquecível. Garcia está deslumbrante fazendo o papel de um homem triste com um passado turbulento e um talento incontestável como artista. A cena em que Memo finalmente mostra ao mundo o quanto ele é um excelente cantor é um deleite, e mostra que Garcia foi a escolha certeira para esse papel.

Embora Memo tenha um profundo desenvolvimento, o mesmo não pode ser dito de outros personagens. Angelo Casas (Gastón Pauls), o ‘artista’ que ficou com a voz de Memo na infância e com todo o crédito, também possui um passado turbulento com o protagonista, mas abordado apenas superficialmente. Havia uma rivalidade entre os jovens, mas isso não possui o mesmo desenvolvimento e Angelo é pintado como um homem que só quer ganhar dinheiro. Talvez não fosse o objetivo do roteiro aprofundar a relação, mas o foco do filme é basicamente a jornada de Memo.

Pequenas falhas à parte, nada disso impede Ninguém Sabe que Estou Aqui de ser um ótimo filme, e ele é muito bem-sucedido ao entregar uma mensagem aos pais. Criar um filho com negligência pode acarretar em adultos traumatizados e até violentos; um pouco de apoio pode fazer a maior diferença no futuro.

A canção que dá título ao filme sintetiza toda a jornada de Memo ao falar sobre como um mundo frio tirou a esperança do eu lírico e ocasionou em sua invisibilidade (“Ninguém sabe que estou aqui, ninguém conversa comigo e ninguém pode me libertar”), mas ainda há um refúgio na sua imaginação, um lugar para onde ele possa fugir e as estrelas são suas amigas. Memo é um sonhador como qualquer outro, mas o mundo não permitiu que ele tivesse uma vida feliz, e assistir sua merecida redenção é incrivelmente prazeroso!

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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