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Especial | Os 13 melhores filmes do ano (até agora)

Especial | Os 13 melhores filmes do ano (até agora)

Pois é, o terrível ano de 2020 a recém chegou na metade — apesar de parecer que estes seis meses duraram uma eternidade. E, neste período, saíram alguns filmes interessantes, apesar de serem poucos.

Então, mesmo com a escassez de lançamentos, decidimos fazer a tradicional lista de melhores produções do primeiro semestre. Por sorte, tivemos o streaming e os serviços on demand para conferirmos alguns lançamentos interessantes — e, claro, mesmo que a gente mal lembre, chegamos a frequentar cinemas neste ano.

Então, sem mais delongas, vamos à preciosa lista, sem ordem de preferência, do que saiu de melhor em 2020 nos cinemas e nos streamings brasileiros (ou seja, teremos produções de 2019 entre os escolhidos, pois eles chegaram por aqui apenas neste ano):


  • Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica, por Carlos Redel

A produção da Disney/Pixar foi uma das gratas surpresas de 2020. A animação, que chegou aos cinemas levantando a desconfiança por parte dos fãs, uma vez que o filme não estava cotado para ser o grande lançamento do ano da Pixar (o título antecipado estava com o ainda inédito Soul), conquistou o coração do público, arrancando lágrimas de muito marmanjo por aí — este que vos escreve é um deles. Com uma história emocionante e apresentando um mundo fantástico em que a magia se perdeu, o longa, que é dublado por Tom Holland e Chris Pratt, traz os dois irmãos do título em busca de completar um feitiço para que eles consiga ter mais 24 horas com o falecido pai deles. Lindo e com uma mensagem poderosa sobre o amor fraternal, Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica é, disparado, um dos melhores filmes do ano — e da Pixar.

Leia a crítica de Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica!


  • 1917, por Carlos Redel

Era o favorito ao Oscar deste ano. No entanto, felizmente, Parasita surpreendeu, ficou com o prêmio principal e fez história. Mesmo assim, se 1917 tivesse levado a estatueta, não seria nenhuma injustiça. O longa de Sam Mendes levou o plano-sequência a um novo nível, mesclando uma história de tirar o fôlego com uma técnica primorosa, simulando um filme sem cortes (e sem erros, meus amigos). Na trama, dois jovens soldados são enviados em uma missão, no meio da Primeira Guerra Mundial, para avisar de um ataque iminente que os inimigos estão tramando contra os seus aliados — caso eles consigam cumprir o seu objetivo, mais de 1,6 mil vidas serão poupadas. Sam Mendes construiu, com seu 1917, um clássico de guerra instantâneo.

Leia a crítica de 1917!


  • O Caminho de Volta, por Carlos Redel

Crítica de O Caminho de Casa

Sem estreia nos cinemas brasileiros, por conta da pandemia, O Caminho de Volta chegou por aqui diretamente no formato on demand — um pena que a obra não pôde ter sido apreciada na tela grande, por merecia. Na trama, Ben Affleck — no, provavelmente, melhor papel de sua carreira — interpreta um homem que, destruído emocionalmente após uma tragédia, se entrega ao alcoolismo e ao isolamento, perdendo a vontade de viver. Ele, que era a estrela de basquete da cidade quando jovem, é convidado pelo padre que dirige a sua antiga escola para assumir o posto de técnico do time. E, após relutar, acaba aceitando. Por mais que a história pareça ser clichê, é contada com uma melancólica e com uma verdade que foram vistas em poucas obras do gênero. A mensagem final é poderosa e o desempenho de Affleck é impressionante. Mais gente deveria ter visto este filme!

Leia a crítica de O Caminho de Volta!


  • O Homem Invisível, por André Bozzetti

O Dark Universe mostrou uma grande dificuldade para engrenar, principalmente após o fracasso de A Múmia, em 2017. Sendo assim, a produção que quase foi estrelada por Johnny Depp, acabou passando por grandes alterações e, vamos combinar, dessa vez acertaram em cheio. Trazendo à tona a importante temática acerca de relacionamentos abusivos, O Homem Invisível cumpre muito bem seu papel de trazer para a atualidade um dos mais antigos monstros do cinema. Elizabeth Moss interpreta, de forma visceral, a protagonista Cecília que, após conseguir fugir de seu violento ex- namorado, recebe a notícia que o mesmo cometeu suicídio. No entanto, ela suspeita que o suicídio foi uma farsa, quando começa a passar por situações que só poderiam ter o envolvimento dele. Tenso, assustador, fazendo o gênero terror ser muito bem representado neste 2020.

Leia a crítica de O Homem Invisível!


  • Frozen II, por André Bozzetti

Após o estrondoso sucesso de Frozen: Uma Aventura Congelante, lançado em 2013, era óbvio que a Disney não perderia a chance de lucrar lançando uma continuação. O filme deu às suas princesas status de mega-celebridades nos parques temáticos do estúdio pelo mundo, e ‘Let it Go’, se tornou uma das músicas mais marcantes da história dos estúdios Disney. Sendo assim, por mais que a história do original se encerrasse perfeitamente, sem pontas soltas ou situações que nos deixassem curioso sobre o seu desenrolar, Frozen II conseguiu se utilizar daquele universo criado e trazer algo completamente novo, e ainda muito relevante. Além da discussão sobre a existência de outras formas de amor que escapam daquele clássico ‘príncipe e princesa’, valores como a amizade, a confiança (em si e no outro) e a lealdade foram reforçados. Com magia escorrendo pela tela e um subtexto político muito bem desenvolvido, Frozen II agrada a grandes e pequenos. Pelo jeito, Elsa e Anna seguirão reinando absolutas por muito tempo.

Leia a crítica de Frozen II!


  • A Vastidão da Noite, por André Bozzetti

A produção original da Amazon, dirigida por Andrew Patterson, se passa na década de 1950. na pequena cidade fictícia de Cayuga. Na noite de um importante jogo de basquete do campeonato estudantil, que atraiu praticamente todos os habitantes para o ginásio da escola municipal, começam a surgir alguns relatos assustadores sobre objetos no céu, e a jovem Fay Crocker (Sierra McCormick) intercepta um misterioso sinal sonoro na central telefônica da cidade. Ao mostrar o estranho som para o arrogante radialista Everett Sloan (Jake Horowitz), ambos começam uma assustadora investigação em busca da origem daqueles sinais. A história se passa praticamente em tempo real e a tensão crescente surge quase que totalmente através dos diálogos e interpretações. O clima do filme remete muito à dramatização de Orson Welles para o livro A Guerra dos Mundos, de Herbert George Wells, realizado para o especial de Halloween na rádio CBS, em 1938, que colocou a costa oeste dos Estados Unidos em pânico pensando tratar-se de uma invasão real. Uma ficção científica de baixo orçamento e altíssimo nível.

Leia a crítica de A Vastidão da Noite!


  • Jojo Rabbit, por João Vitor Hudson

Taika Waititi é um cineasta habilidoso. Vindo da comédia, seu trabalho começou a ser notado após O Que Fazemos nas Sombras e, logo em seguida, foi contratado pela Marvel para revitalizar a franquia do Thor com o terceiro filme solo do herói, Thor: Ragnarok. O que viria em seguida? A escolha de Waititi foi voltar para os filmes menores, e optou por adaptar o livro O Céu Que Nos Oprime ao cinema, que conta a história de um menino da Juventude Hitlerista em plena Segunda Guerra Mundial que tem o próprio Adolf Hitler como amigo imaginário. O longa com tons de comédia é estrelado pelo jovem Roman Griffin Davis, no papel de Jojo Rabbit, e Hitler é interpretado pelo próprio Waititi (uma pequena ironia, pois o diretor é descendente dos aborígenes da Oceania e o ditador nazista era um supremacista branco). Na história, Jojo descobre que sua mãe (Scarlett Johansson) esconde no porão de casa uma garota judia (Thomasin McKenzie), e Jojo tem seus ideais nazistas postos à prova, pois fica em dúvida se denuncia ou não sua mãe e a menina para a temida Gestapo. Apesar da temática sombria, Jojo Rabbit é um filme leve. Ele diverte, emociona, gera revolta, tudo isso com a habilidade de Waititi de arrancar o melhor que seu elenco poderia entregar. Ah, se ainda não se convenceu, saiba que Jojo Rabbit venceu o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado — e merecidamente!

Leia a crítica de Jojo Rabbit!


  • Destacamento Blood, por Pedro Kobielski

Crítica de Destacamento Blood, da Netflix

A volta de Spike Lee não poderia ser melhor. Em Destacamento Blood, produção exclusiva da Netflix, o diretor estadunidense entrega mais um filmaço que revisa a história dos EUA com uma perspectiva racial. Na trama, acompanhamos quatro veteranos do Vietnã que voltam ao país para reaver uma fortuna em barras de ouro que deixaram por lá, além dos restos mortais de seu líder e guru, Stormin Norman (Chadwick Boseman, em uma atuação inspiradora). Com uma crítica contundente não apenas à Guerra, mas à presença dos negros americanos no conflito, e uma direção primorosa de Lee, Destacamento Blood entra fácil na lista de melhores do ano até aqui. Delroy Lindo, experiente ator que dá vida a Paul, o veterano mais paranoico e traumatizado do grupo, é dono do filme. Com uma atuação digna de indicações aos principais prêmios da temporada, Lindo confere complexidade a um personagem trágico e multidimensional. Destacamento Blood é uma das pequenas obras-primas que o cinema nos proporcionou no acidentado ano de 2020.

Leia a crítica de Destacamento Blood!


  • O Farol, por Pedro Kobielski

Robert Eggers chocou o mundo em sua produção de estreia, A Bruxa (2016). Com uma direção refinada, complexa e sutil, o diretor norte americano se colocou instantaneamente entre os grandes do gênero terror, o que naturalmente colocou muitas expectativas em sua próxima produção. O Farol estreou no circuito comercial em 2020, e foi recebido de forma unânime pela crítica: estávamos diante de mais uma pequena obra-prima do gênero. Focando na conturbada relação entre seus protagonistas, vividos brilhantemente por Robert Pattinson e Willem Dafoe, O Farol narra a história do jovem Ephraim Winslow (Pattinson), que se junta ao capitão Thomas Wake (Dafoe) em uma jornada de trabalho de quatro semanas em um farol localizado no litoral da Nova Inglaterra. A narrativa claustrofóbica e metafórica de O Farol nos coloca diante de uma experiência quase metafísica, dificultando o discernimento de realidade e sonho. Cuidadosamente produzido, a partir de pesquisas profundas do diretor e do roteirista Max Eggers (irmão de Robert) sobre o dialeto praticado naquela época e local, a mitologia greco-romana e referenciado obras de arte icônicas, O Farol é um deleite para os fãs do gênero e do bom cinema.

Leia a crítica de O Farol!


  • Joias Brutas, por Pedro Kobielski

O simples anúncio desse filme proporcionou rebuliço na comunidade cinéfila. Uma produção dirigida pelos Irmãos Safdie, figurinhas tarimbadas do circuito independente, e estrelada pela estrela da comédia ‘besteirol’ Adam Sandler? No mínimo, o longa era digno de nossa atenção. Felizmente, o resultado foi digno da expectativa. Uma produção desconfortável e esteticamente ousada, Joias Brutas é um filme indigesto, mas estranhamente satisfatório. Adam Sandler vive Howard Ratner, um trambiqueiro que vive de repasse de joias em Nova York. Quando toma posse de joia bruta que dá nome à produção, Ratner se vê diante da maior oportunidade de sua vida, já que o valor que pode obter com ela pode lhe dar tanto independência financeira, quanto a quitação de suas astronômicas dívidas. Maltratando o protagonista de todas as formas possíveis, os Irmãos Safdie conseguem nos fazer sentir empatia por sua figura, mesmo reconhecendo sua controvérsia. Com um final trágico, apesar de inevitável, Joias Brutas é uma produção que mostra que Adam Sandler pode ser muito mais do que o “cara das comédias ruins”.

Leia a crítica de Joias Brutas!


  • Adoráveis Mulheres, por Diego Francisco


Mulherzinhas, o livro de Louisa May Alcott, inspirou inúmeras adaptações ao longos dos anos. De animação a musical, a obra literária já passou por várias mídias diferentes. Então, cabia à Greta Gerwig fazer uma nova versão de Adoráveis Mulheres que justificasse a sua existência sem fazer mais do mesmo. E ela conseguiu. O filme de 2019 não apenas é excelente como deu uma necessária atualizada na história. O elenco é nada menos do que brilhante com Saoirse Ronan e Florence Pugh ótimas como sempre. A decisão de contar a história de forma não cronológica, intercalando passado e presente criando paralelos lindíssimos. Fotografia, trilha sonora e figurino, todos impecáveis, ajudam a tornar Adoráveis Mulheres imperdível.

Leia a crítica de Adoráveis Mulheres!


  • Retrato de uma Jovem em Chamas, por Diego Francisco

Ambientado na França no final do século XVIII, o filme acompanha Marianne (Noémie Merlant), uma pintora que viaja até uma remota ilha para o seu novo trabalho: pintar a jovem Héloïse (Adèle Haenel) em segredo. Héloïse foi prometida em casamento a um homem que sequer conhece e despreza fazer qualquer coisa relacionada a união – incluindo posar para o quadro. Então, Marianne precisa fingir que é dama de companhia da jovem e decorar todas as suas composições para desenhá-la de memória. Com uma construção lenta, mas de tirar o fôlego, as duas se aproximam e se apaixonam, vivendo um romance proibido. Dirigido por Céline Sciamma, o longa é visualmente estonteante e intimamente intenso, um dos melhores romances da memória recente e que conta com um final poético e marcante.

Leia a crítica de Retrato de uma Jovem em Chamas!


  • Ninguém Sabe que Estou Aqui, por João Vitor Hudson

Jorge Garcia, o famoso Hurley, de Lost, estrela o longa chileno sobre um ex-cantor mirim que nunca teve seu talento devidamente reconhecido. O protagonista Memo é um homem introspectivo e de poucas palavras na casa dos 40 anos que mora com seu tio. Um dia encontra Marta (Millaray Lobos), uma mulher que desencadeia uma série de grandes mudanças em sua vida. Ao explorar o passado de cantor no estilo Milli Vannili da coisa, Memo se encontra em uma jornada de autodescoberta e de reparação histórica. O filme da Netflix é facilmente o candidato chileno ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e quem assistir sairá emocionar da sessão graças a fantástica atuação de Jorge Garcia.

Leia a crítica de Ninguém Sabe que Estou Aqui!


Menções honrosas:


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

Comments

  1. Ninguem sabe q estou aqui muito fraco.vamos ver os outros.abç

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