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Pokas: em especial da Netflix, Thiago Ventura usa sua importante voz para fazer refletir

Pokas: em especial da Netflix, Thiago Ventura usa sua importante voz para fazer refletir

Hoje em dia, quem não conhece Thiago Ventura, não gosta de comédia stand-up. É fato. O comediante paulista é um fenômeno do humor e, trazendo causos da favela, o artista criou uma identificação incrível com boa parte da população brasileira — afinal, quem cresceu na quebrada, também quer ver a sua história representada. E não apenas em tragédias novelescas ou em noticiários, com balas perdidas que têm endereço certo.

Com o Pokas, especial que Ventura gravou para a Netflix — e que é um fenômeno de audiência, é claro, assumindo o topo dos mais vistos da plataforma —, o comediante, que já tem a sua voz consagrada no Brasil, decidiu aproveitar a sua fama para fazer refletir. O riso surge em diversos momentos, mas este não é foco. E, por incrível que pareça, isto não é um problema. Conhecer mais a fundo o que pensa um artista tão relevante para o cenário brasileiro é um ponto positivo e valida a obra.

No especial, o artista decide voltar ao seu passado, na quebrada, abordando a filosofia de ‘poucas ideias’, que, de acordo com Ventura, é dividida em cinco etapas, as quais o humorista destrincha em Pokas, contando uma história para cada uma delas. E as reflexões trazidas pelo paulista que são o ponto alto do show — algumas, realmente, são ótimas. Outras, porém, acabam soando um pouco forçadas, no melhor estilo ‘coach’. Sorte que o próprio comediante percebe isso é faz piada.

Abusando do humor corporal, o Ventura consegue arrancar risadas, mas acaba perdendo a mão em alguns momentos. Não com piadas de mau gosto, pois o artista, visivelmente, fez a lição de casa e consegue andar na linha do politicamente correto, apesar de tratar de assuntos pesados, como pedofilia. As derrapadas de Ventura são de timing, alongando-se mais do que deveria em situações que não são tão engaçadas — vários minutos ouvindo efeitos sonoros de um jogo de taco cansam.

Crítica de Pokas, com Thiago Ventura, da Netflix

Thiago Ventura em Pokas

Este é o terceiro especial de Thiago Ventura, que se soma a Isso É Tudo que Eu Tenho e Só Agradece. Com esta trilogia, o comediante pretende, a partir de agora, deixar o passado para trás e focar no seu dia a dia. O que é uma boa saída para não saturar o assunto, que, em Pokas, conseguiu arrancar risadas, mas que já acompanha o humorista há 10 anos. Algumas das histórias contidas no espetáculo, por exemplo, já até foram contadas em outros meios. Ele tem potencial para ir além. E deverá ir.

No final das contas, a mensagem que fica deste especial, que acaba soando como uma espécie de autocrítica feita por Ventura — mesmo que ela não fosse necessária — é que o comediante amadureceu e buscou usar toda a fama conquistada para passar uma mensagem de que a favela venceu, posicionando-se como uma referência positiva para aqueles que querem seguir os seus passos. E essa consciência de buscar ser um bom exemplo, mas sem hipocrisia, é importantíssima para os dias de hoje. Vale a pena conferir.


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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