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Uma Mente Canina | Crítica

Uma Mente Canina | Crítica

Crítica de Uma Mente Canina, da NetflixUma Mente Canina (Think Like a Dog)

Ano: 2020

Direção: Gil Junger

Roteiro: Gil Junger

Elenco: Gabriel Bateman, Todd Stashwick, Josh Duhamel, Megan Fox, Kunal Nayyar, Minghao Hou, Madison Horcher, Izaac Wang, Janet Montgomery, Julia Jones, Bryan Callen, Billy 4 Johnston

Filmes com cachorros como coprotagonistas parecem ser uma fonte inesgotável de entretenimento. Talvez, pelo sucesso de obras como Marley e Eu e Lassie, muitos diretores se sentem inspirados a fazer a sua versão da relação humano-cachorro. Ter uma base comum, contudo, não é sinônimo de bons resultados.

Uma Mente Canina conta a história de Oli (Gabriel Bateman), um pré-adolescente brilhante que acidentalmente descobre uma forma de ouvir os pensamentos de seu cachorro Henry (Todd Stashwick) – com uma ajudinha de seu amigo Xiao (Minghao Hou). Oli e seu cachorro se unem para evitar o divórcio de seus pais, Lukas (Josh Duhamel) e Ellen (Megan Fox).

Para um filme desse tipo ser atrativo, primeiramente, é preciso que o espectador esteja disposto a abraçar a suspensão da descrença. Saber que naquela história, naquele mundo, um garoto inventou um dispositivo para ouvir os pensamentos de seu cão. Uma vez que os questionamentos de “o que?”, “como?” e “por quê?” saem do caminho, podemos enxergar os verdadeiros problemas do filme.

O roteiro é sofrível. Os diálogos do primeiro ato e de boa parte do segundo são péssimos, e a história se desenrola de modo truncado, quase aos solavancos. A própria relação de Oli com Xiao é estranha e mal construída. A adição de uma trama maior – com agentes de vigilância de algum órgão governamental ou ramificação da polícia – é confusa e sem propósito, indo do nada ao lugar nenhum; serve, aliás, para resolver levianamente um conflito ao final do filme e tapar um buraco na história.

O desenvolvimento dos personagens é praticamente nulo. Os vemos no figurativo ‘ponto A’ e depois no ‘ponto B’ sem qualquer indicativo do caminho que tomaram para evoluir, e destaco aqui Nicholas (Billy 4 Johnston), que vai de antagonista de Oli a seu protetor e amigo sem explicação alguma. Se há algum subtexto a ser compreendido, este que vos escreve falhou completamente em captá-lo. Isso sem falar em Xiao, que cumpre seu propósito no desenvolvimento da história do protagonista e some da trama.

Megan Fox é o ponto alto da produção. A atriz, que estava fora dos holofotes há algum tempo, entrega um bom trabalho, trazendo carga emocional à sua personagem. Ainda que o texto maltrate Ellen, Megan dá profundidade à mãe que passa por uma separação, não trabalha no que gostaria e se sente desconectada com o filho. Uma grata surpresa no resultado final, e um grande contraste com Josh Duhamel, que simplesmente não sabe o que está fazendo ali.

Mas para aqueles que conseguem relevar as tecnicalidades da análise do filme, Uma Mente Canina acaba sendo uma distração. Afinal de contas é um filme onde um cachorro dá conselhos de relacionamento para uma criança de 12 anos. Deve ser divertidíssimo, certo?
Mais ou menos. O humor demora para se encontrar, e a graça só chega nos momentos finais do filme. Há uma tentativa de trazer alívio cômico em todos os núcleos da história, mas a falta de química entre os atores deixa os momentos mais constrangedores que engraçados. O único ator do elenco com experiência na comédia – Kunal Nayyar, também conhecido como Raj de The Big Bang Theorynão tem uma cena sequer com alguma piada. Quando finalmente encontra seu timing, resta pouco tempo de história.

Com pouca graça e nada de inovador em sua história, Uma Mente Canina não se destaca entre os filmes de cachorro; traz um elenco inseguro e uma história rasa e confusa; também trouxe Megan Fox em uma excelente performance e é uma distração mediana comparada à outras produções que chegaram recentemente à Netflix. Pode se encaixar perfeitamente no catálogo da Sessão da Tarde.

Nota:


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Ator, escritor, diretor e roteirista, Gabryel é ruim em todas essas coisas. Crítico por natureza, adora reclamar de tudo, e é fã de filmes que ninguém tem paciência pra assistir. Carrega a convicção de que Click é um clássico cult e quem discorda é clubista.

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