Sala Crítica
Críticas Destaque Filmes TV e streaming

Desperados | Crítica

Desperados | Crítica

Crítica de Desperados, da NetflixDesperados

Ano: 2020

Direção: Lauren Palmigiano

Roteiro: Ellen Rapoport

Elenco: Nasim Pedrad, Anna Camp, Sarah Burns, Lamorne Morris, Robbie Amell, Heather Graham, Jessica Chaffin, Toby Grey, Izzy Dias, Rodrigo Franco, Scott Rogers, Jessica Lowe

Existe um limite para as loucuras que cometemos em nome do amor? Desperados – lançamento recente da Netflix que já está no Top 10 – procura responder a essa pergunta acompanhando a ensandecida jornada de Wesley (Nasim Pedrad) na tentativa de salvar seu mais recente relacionamento.

Wesley é uma mulher espontânea, que compartilha tudo que passa pela sua cabeça sem pensar duas vezes. Logo vemos que a protagonista está passando por um momento de derrota na vida: desempregada, com contas a pagar, chegou na casa dos 30 anos e ainda está solteira. Pelo menos, pode contar com suas duas amigas, Brooke (Anna Camp) e Kaylie (Sarah Burns), embora sempre centralize a atenção dos acontecimentos para si.

Após um encontro mal sucedido, Wes se machuca na rua, e é prontamente atendida por Jared (Robbie Amell), um agente esportivo bonitão e boa pinta, que acaba se interessando pela garota tranquila de poucas palavras – efeito do tombo que a moça acabara de sofrer. Obstinada a não fracassar em outro relacionamento, ela decide fingir ser aquela pessoa comedida.

Eis que, após seu quinto encontro, Jared fica sem dar notícias por cinco dias, derrubando Wes mais uma vez, que se apoia em suas amigas – e em algumas garrafas de vinho – para escrever um e-mail no mínimo desaforado endereçado à ele. Prestes a enviar seu desabafo, o telefone de Wes toca. É Jared, que estava em coma no México. Wes até tenta avisar suas amigas, mas é tarde: o e-mail fora enviado. É claro que ela decide fazer a única coisa possível: ir até o México, achar o computador de seu namorado e apagar o e-mail antes que ele pudesse lê-lo. Qualquer um de nós teria pensado no mesmo.

Crítica de Desperados, da NetflixO filme até diverte, mas não é bom. Seu humor caminha na comédia do absurdo, com acontecimentos pixotescos, mas sem enveredar pelo caminho do pastelão. É o meio do caminho entre Adam Sandler e Todo Mundo em Pânico, mas sem a graça de qualquer um dos dois. Desperados tenta, ainda, fazer piadas com tons mais picantes, voltadas para um público mais adulto, e não entrega um bom resultado. A falta de timing nas cenas acaba por prejudicar a qualidade das piadas, e dificulta a construção da personagem principal. Estamos assistindo a história de uma mulher que tenta mudar quem é por alguém que gosta, e tudo que o filme nos entrega é uma sucessão de acontecimentos bestas com o único intuito de gerar risada.

Mas nem tudo é despropositado. A parte romântica da jornada de Wes tem sua narrativa bem desenvolvida, e entrega os melhores momentos do filme. Aliás, a construção da relação entre a protagonista e Sean (Lamorne Morris) é bem feita, e prende o espectador até o último minuto. As amigas de Wes têm, também, seus momentos de glória, quando deixam de ser meras acompanhantes para buscarem seus próprios objetivos, embora aqui o filme escorregue novamente.

O desenvolvimento dos personagens é praticamente nulo. Os poucos que mostram alguma evolução o fazem muito rapidamente, quase como num passe de mágica. Por se tratar de um filme de comédia, é de se esperar que essa temática não tenha importância alguma. Infelizmente, para Desperados, o crescimento pessoal de Wesley é o objetivo central da trama. Em meio a acontecimentos esquisitos e piadas que não funcionam, sobra pouco tempo para que a protagonista possa crescer, principalmente na relação com suas amigas.

Mais uma vez, o romance salva o dia – embora a obra tente passar a mensagem contrária. É ao lado de Sean que Wes percebe que gosta mais de ser verdadeira, e não deve mudar para agradar alguém que nem a conhece de verdade, que gosta dela por algo que ela não é.

Ainda que aos trancos e barrancos, Desperados entrega sua mensagem. O resultado final não é de um todo ruim, mas também não é um grande filme. A comédia escorrega entre a falta de timing e memes de cinco ou seis anos atrás, levando o longa para um limbo que prejudica a si mesmo: não é uma comédia romântica, mas também não serve como romance cômico. É um filme que gera algumas risadas e tem uma mensagem bonitinha.

Nota:


Quer ficar por dentro de todas as novidades sobre filmes e séries? Siga a gente no Instagram!

The following two tabs change content below.
Ator, escritor, diretor e roteirista, Gabryel é ruim em todas essas coisas. Crítico por natureza, adora reclamar de tudo, e é fã de filmes que ninguém tem paciência pra assistir. Carrega a convicção de que Click é um clássico cult e quem discorda é clubista.

Latest posts by Gabryel Nunes (see all)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *