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MILF | Crítica

Crítica de MILF, da NetflixMILF

Ano: 2018

Direção: Axelle Laffont

Roteiro: Axelle Laffont, Jean-François Halin

Elenco: Marie-Josée Croze, Virginie Ledoyen, Axelle Laffont, Waël Sersoub, Matthias Dandois, Victor Meutelet

Estamos no século 21 — mesmo que o mundo pareça, em vários momentos, estar retornando ao passado, com ideias conservadores hipócritas. Logo, um filme como MILF, mesmo com um nome que remeta a um fetiche masculino, poderia ser muito bem-vindo e uma importante desconstrução de que mulheres de meia idade não podem curtir a vida como as jovens.

Na cultura pop, geralmente, os homens acima dos 40 seguem sendo heróis, galãs e, além disso, podem seguir fazendo besteiras — afinal, são garotos. As mulheres, no entanto, não têm o mesmo privilégio. Tanto é que é normal vermos que a parceira do protagonista nunca envelhece. Sempre escalam uma atriz bem mais jovem que o personagem masculino principal. Artistas femininas têm prazo de validade para a indústria.

É por isso que MILF tinha um grande potencial. Na trama, três amigas na casa dos 40 anos vão para o litoral da França esvaziar a casa de uma delas que, viúva, pretende vender o imóvel. No entanto, elas estão de férias e também querem curtir — pelo menos, duas delas. Logo, um grupo de jovens estudantes que estão trabalhando na praia se aproxima do trio, em um primeiro momento, em busca de sexo. E se esta fosse a premissa, não haveria problema.

MILF, no entanto, não tem coragem de abraçar a comédia e se desprender do drama. E, por conta disso, o filme não consegue desenvolver bem nenhum dos gêneros. Não arranca muitos risos e não consegue dar a profundidade para os conflitos impostos pelo roteiro. E isto é um desperdício de seu elenco, que foi muito bem escolhido — tanto as amigas quanto os estudantes.

A produção francesa, lançada em seu país de origem em 2018, mas distribuída mundialmente pela Netflix apenas em 2020, é comandada por Axelle Laffont — que é uma das protagonistas e, também, roteirista. E a cineasta, nitidamente, tem uma boa intenção com a sua obra, mas acaba não conseguindo dosar os elementos no longa, trazendo momentos muito interessantes que, logo em seguida, são desperdiçados com situações e piadas constrangedoras — algumas, ultrapassando a barreira do bom-senso.

E, no meio disso, o longa conta com uma montagem problemática, com cenas que, muitas vezes, não se conectam, fazendo com que, inclusive, ideias sejam abandonadas no meio do seu desenvolvimento. Por outro lado, em outro ponto técnico, acerta em cheio: a fotografia. MILF trabalha muito bem com o seu cenário e toda a produção passa um clima de férias, conseguindo dividir os momentos de cada uma das personagens através do cenário e da iluminação. A produção transita muito bem entre o dia ensolarado da praia e a noite em uma boate.

Comparado equivocadamente com American Pie, o filme francês não chega perto de ser tão descomprometido quanto a produção norte-americana, por se levar a sério, quando podia se desprender das amarras do drama e apenas deixar as mulheres tocarem o terror naquela praia. Com potencial para ser bem mais do que realmente foi, MILF não chega a ser ofensivo, mas está longe de servir como uma comédia realmente engraçada. Ou um drama relevante.

Nota:


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Jornalista e radialista, é um dos fundadores do Bode na Sala. Se orgulha de ter nascido em São Borja, no interior do Rio Grande do Sul, e, atualmente, mora em Porto Alegre. Trabalhou em todas as áreas que se pode imaginar, mas acabou caindo no submundo geek. É fã do Jim Carrey, acha que o Ben Affleck é o melhor Batman do cinema, não suporta pseudo-cultismo e pretende dominar o mundo.

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