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Boca a Boca – 1ª temporada | Crítica

Boca a Boca – 1ª temporada | Crítica

Crítica de Boca a Boca, da NetflixBoca a Boca – 1ª temporada

Temporada: 

Ano: 2020

Criação: Esmir Filho

Elenco: Caio HorowiczIza MoreiraMichel JoelsasDenise FragaThomas AquinoEsther TinmanLuana NastasGrace PassôBruno GarciaBianca Byington

Em uma cidadezinha do interior, adolescentes drogados e beijoqueiros são obrigados a sossegarem devido a uma epidemia provocada por uma bactéria encontrada em cadáveres e transmitida através do beijo. O pânico aumenta e os jovens se recusam a ficarem de quarentena a fim de evitarem mais a proliferação da misteriosa doença. A nova série brasileira da Netflix, Boca a Boca, tem algumas semelhanças com a pandemia de Covid-19, mas está longe da superprodução hollywoodiana que almejava ser.

Criada por Esmir Filho, a série da Netflix possui na fotografia o seu principal trunfo. É um visual soturno com muita luz de festa de música eletrônica que funciona para o que a série pede. A fotografia combina bem com a paleta de cores rosada, presente desde o uniforme escolar até em algumas construções de Progresso – a cidadezinha do interior cujo estado nunca é mencionado mas remete a regiões de São Paulo e Minas Gerais. Mas as qualidades de Boca a Boca vão pouco além disso.

O roteiro dos curtos seis episódios da série passeia por diversos temas que são interessantes na prática, mas quando se passa para o papel destoam completamente do tema principal. A relação abusiva do patrão para com os empregados, a seita nos arredores da cidade e a subtrama científica de mapeamento de genoma de um boi extinto simplesmente não se encaixam. É como se tivessem pegado Euphoria, Elite, os filmes Drive (sim, aquele com Ryan Gosling) e Okja (sem comentários), usado notícias sobre Charles Manson como tempero, batido no liquidificador e colocado em uma bandeja para ser servido.

O roteiro esquisito ainda é prejudicado pela montagem inconsistente. Ora é frenético como um videoclipe de uma rave, ora é sólido como um bom filme dramático. Ah, e no meio tem stories de uma rede social que não é o Instagram mas parece muito com o Instagram. Assistir os seis episódios de Boca a Boca sem dar uma pausa pode acabar causando vertigem em um telespectador mais rigoroso, mas funciona muito bem com o público jovem que não tem muita paciência para uma história bem desenvolvida.

Crítica de Boca a Boca, da Netflix

A má experiência de Boca a Boca é intensificada com os diálogos ruins interpretados por atores pouco inspirados. Especialmente no núcleo adolescente, fica nítida a pouca experiência do elenco; todos atuam com expressão única, como Katherine Langford em 13 Reasons Why. A exceção é, talvez, de Michel Joelsas, o Chico, único personagem com um desenvolvimento ligeiramente interessante. Até o núcleo adulto passa por maus bocados, vide a experiente Denise Fraga, que entrega uma atuação bastante caricata como a diretora maléfica da escola da cidade.

No fim das contas, Boca a Boca é uma série ruim que não dá pra entender por que foi aprovada e por que vem sendo elogiada. Um produto audiovisual que promove a inclusão e a diversidade, além de tentar debater temas pouco comuns para o meio cultural em que está inserido, não está livre de ser ruim. A maior parte do público escolhe ignorar os erros de filmes e séries como Boca a Boca com a blindagem da diversidade. Isso é perigoso também para a indústria, que vende a mesma diversidade em um produto de qualidade duvidosa, como Boca a Boca, que ainda teve a audácia de deixar um gancho ruim para uma 2ª temporada que, honestamente, será melhor se não for produzida.

Nota:


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João Vitor Hudson

João Vitor Hudson é um publicitário aos 22 anos. Ama cinema desde quando desejava as férias escolares só pra assistir todos os filmes do Cinema em Casa e da Sessão da Tarde. Ama o MCU, e confia bastante no futuro da DC nos cinemas.

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